Conjuntura FMI vê Portugal na cauda da Europa e Espanha a crescer três vezes mais

FMI vê Portugal na cauda da Europa e Espanha a crescer três vezes mais

O Fundo confirma a expectativa de regresso de Portugal aos défices externos em 2017. E vê a economia portuguesa com o segundo crescimento mais baixo da Europa.
FMI vê Portugal na cauda da Europa e Espanha a crescer três vezes mais
Reuters

Espanha corre o risco de ir a eleições pela terceira vez num ano, mas, não obstante a instabilidade política, deverá crescer três vezes mais do que Portugal, antecipa o Fundo Monetário Internacional (FMI) que acaba de fazer para o país vizinho a maior revisão em alta do mapa do crescimento mundial.


De acordo com as Perspectivas Económicas Mundiais, actualizadas nesta quarta-feira, 4 de Outubro pela instituição sedeada em Washington, o maior cliente das exportações portuguesas deverá crescer 3,1% neste ano, mais meio ponto percentual do que o FMI previa há apenas três meses. A confirmar-se, Espanha manterá praticamente inalterado o seu ritmo de progressão face ao ano passado (3,2%). 

 

Já para Portugal, o FMI não mexeu nos números, depois dos cortes sucessivos feitos em Abril e Junho, esperando que a economia cresça 1% neste ano, aquém dos 1,5% do ano passado, bem abaixo da previsão governamental de 1,8% e da média de 1,7% prevista para a Zona Euro. Para 2017, o FMI prevê que o PIB português cresça 1,1%, de novo abaixo dos 1,8% que o Governo previa em Maio, no âmbito da actualização do programa de estabilidade.

 

Só a Itália cresce menos na Zona Euro em 2017

 

A confirmarem-se as previsões do FMI, 2017 será o oitavo ano consecutivo com o PIB de Portugal a crescer abaixo da média dos países do euro. Em 2015 o PIB de Portugal cresceu 1,5% (Zona Euro +2%), em 2016 deverá crescer 1% (Zona Euro +1,7%) e no próximo ano 1,1% (Zona Euro +1,5%).

 

Para encontrar um ano em que o desempenho da economia portuguesa superou a da Zona Euro é preciso recuar a 2008: o PIB de Portugal recuou 3% e a economia da Zona Euro encolheu 4,5%.

 

Além de continuar a divergir dos parceiros do euro, a economia portuguesa ficará no fundo da tabela. As estimativas do FMI apontam para que em 2017 só um país da Zona Euro estará pior do que Portugal: o PIB de Itália deverá crescer 0,9%. A Finlândia e o Reino Unido também deverão crescer 1,1% no próximo ano.

 

Nas estimativas para este ano, segundo o FMI, haverá mais países do euro a fazer pior do que Portugal: Grécia +0,1%, Itália +0,8% e Finlândia +0,9%.

 

Alargando a geografia da análise com base nas estimativas do FMI para 2017, Portugal também continua a aparecer no fundo da tabela. Entre as economias definidas pelo FMI como avançadas, apenas a Itália, o Japão (0,6%) e Porto Rico (-0,5%) farão pior do que Portugal.

  

Perspectivas de fraco crescimento no longo prazo

 

Se na análise para este ano e o próximo Portugal fica mal na fotografia, num prazo mais alargado o cenário não é muito diferente, o que ilustra a visão de Washington do fraco potencial de crescimento da economia portuguesa.

 

Nas Perspectivas Económicas Mundiais o FMI avança com a sua perspectiva para o crescimento das economias em 2021 e Portugal continuará a registar um fraco desempenho.

 

Nesse ano o PIB de Portugal deverá crescer 1,2%, abaixa da média da Zona Euro (1,5%) e só melhor do que na Itália (0,8%) e Áustria (1,1%). Ainda assim, apresentará um desempenho em linha com a Alemanha.

 

Défice externo está de volta?

 

Após um curto período de excedentes entre 2013 e 2015, o FMI prevê ainda o regresso dos défices à balança corrente portuguesa, antecipando um saldo ainda nulo neste ano, mas progressivamente mais negativo: -0,7% do PIB em 2017 e -1,6% no horizonte de 2021.

 

Na recente avaliação a Portugal, tornada pública em 22 de Setembro, o FMI chamava a atenção para os limites da política do governo assente na devolução de rendimentos.

"A recente desaceleração económica, aliada a uma taxa de poupança em mínimos históricos, sugere que a recuperação assente no consumo pode perder fôlego".

 

Neste quadro e perante "pressões na despesa" pública,  a instituição liderada por Christine Lagarde dizia ainda que "é improvável que os objectivos orçamentais de 2016 sejam alcançados sem medidas adicionais", antecipando um défice orçamental de 3% do PIB neste ano (e no próximo), que compara com os 2,2% prometidos no Orçamento do Estado, e cifrando em 900 milhões de euros as poupanças adicionais necessárias para  2017.

 

Sobre os riscos de um segundo resgate, o FMI dizia serem reais, ainda que não iminentes. Sem uma "acção política significativa" Portugal será incapaz de se ajustar ao euro e "pequenos choques" poderão levar à perda de acesso ao mercado. As actuais baixas taxas de juro devem-se à actuação do BCE, alertava então o Fundo. 




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mais votado Anónimo 04.10.2016


FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES DO PRIVADO

400 milhões de Euros para aumentar as pensões mínimas, são migalhas em comparação com...

os mais de 4600 milhões de euros que o Estado injetou, em 2015 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o financiamento do buraco anual das pensões da CGA.

comentários mais recentes
Macuti 04.10.2016

Nas estatísticas más ficamos sempre bem classificados.
É o fado português.

Tivemos azar com os golpistas 04.10.2016

O problema de Portugal em relação à Espanha é que Portugal tem um governo de meerda com um PM derrotado nas eleições e a Espanha simplesmente não tem governo. Ah, tivemos azar, não sabíamos daquela golpada, são uma ladroagem, pois é, mas a verdade é que os espanhois crescem o triplo.

objectivo 04.10.2016

Por aqui se vê a qualidade do nosso Costa. Espanha com um governo de gestão consegue crescimentos 3 vezes mais que o governo iluminado pelo socialismo radical

AVerVamos 04.10.2016

Portugal o paóis dos XUNAS!!!

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