Conjuntura Fórum para a Competitividade prevê desaceleração da economia no terceiro trimestre

Fórum para a Competitividade prevê desaceleração da economia no terceiro trimestre

O PIB de Portugal no terceiro trimestre terá crescido no máximo 2,7% e no conjunto do ano a economia continuará com saldo externo, embora inferior ao dos anos anteriores.
Fórum para a Competitividade prevê desaceleração da economia no terceiro trimestre
Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro 04 de outubro de 2017 às 15:18

A economia portuguesa terá registado um abrandamento no terceiro trimestre, de acordo com as estimativas do Fórum para a Competitividade.

 

Na Nota de Conjuntura de Setembro, publicada esta quarta-feira, 4 de Outubro, a entidade liderada por Ferraz da Costa (na foto) projecta um crescimento homólogo do PIB entre 2,4% e 2,7%. A confirmar-se, trata-se de um abrandamento depois da economia ter crescido 3% no segundo trimestre e 2,9% nos primeiros três meses do ano. 

 

Contra o segundo trimestre, o Fórum para a Competitividade antecipa um crescimento do PIB entre 0,3% e 0,7%. "Os indicadores avançados já disponíveis para Setembro e alguns indicadores reais de Agosto, apontam para alguma desaceleração no terceiro trimestre face à primeira metade do ano", refere a nota, alertando que no segundo semestre a "comparação com o final do ano passado será menos favorável".

 

Para o Fórum para a Competitividade, "grande parte do contributo positivo" no terceiro trimestre "deverá vir novamente do investimento privado e das exportações, que estarão a beneficiar do forte momentum do turismo e dos principais parceiros económicos que pertencem á área do euro".

 

No que diz respeito ao conjunto do ano, a entidade mantém a previsão de crescimento entre 2,6% e 2,8%.

 

Excedente externo no conjunto do ano e meta do défice "alcançável sem grande esforço"

 

No que diz respeito à balança de pagamentos, o Fórum para a Competitividade assinala que nos primeiros sete meses do ano, foi apurado um saldo positivo de 280 milhões de euros, o que apesar de ser "muito inferior ao excedente de 1.058 milhões de euros no mesmo período de 2016", compara de forma favorável com o défice registado nos primeiros seis meses do ano.

 

"Parece agora mais claro que o risco de um défice externo para o conjunto do ano diminuiu, embora seja provável que o saldo externo de 2017 venha a ser inferior aos verificados em 2015 e 2016, que foram, respectivamente, de 0,9% e 1,7% do PIB", refere o Fórum para a Competitividade.

 

No que diz respeito ao défice, "com a melhoria da economia, a meta de 1,5% do PIB para o défice público de 2017 parece alcançável sem grande esforço".

 

O economista Joaquim Miranda Sarmento salienta que "até é possível que o défice fique abaixo do valor fixado no OE/2017 (embora haja alguns efeitos ainda por determinar que geram alguma incerteza sobre se o défice pode ficar substancialmente abaixo de 1,5% ou num valor em torno desse objectivo)".

 

Para o economista, "esta boa performance no défice resulta fundamentalmente do efeito cíclico", sendo que "o défice estrutural desde 2015 que se mantém acima dos 2%, estando ainda longe do objectivo europeu (que para Portugal é de +0.25%, mas que se não fosse a nossa dívida pública ser tão elevada, seria de -0.5%)".




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