Função Pública Fraude na ADSE: Ginástica era paga como fisioterapia

Fraude na ADSE: Ginástica era paga como fisioterapia

A ADSE tem vindo a detectar mais casos de fraude e só no ano passado enviou mais de 20 processos ao Ministério Público. Além dos casos de polícia há outros de “facturação abusiva” que estarão a prejudicar as contas.
Fraude na ADSE: Ginástica era paga como fisioterapia
Jorge Miguel Gonçalves
Catarina Almeida Pereira 10 de janeiro de 2017 às 00:01

Durante meses a fio, habitantes de uma pequena localidade foram à ginástica e enviaram à ADSE a factura. O ginásio foi instalado dentro de um centro de medicina física e de reabilitação, que facturava ao subsistema 10 mil a 12 mil euros por mês, como se de tratamentos de fisioterapia se tratassem. E este episódio, descrito pelo director-geral, não será dos mais graves que chegaram ao conhecimento da ADSE. De acordo com Carlos Liberato Baptista, só no ano passado a Direcção-Geral enviou ao Ministério Público (PGR) mais de vinte processos.

"A ADSE tem detectado nos últimos tempos muitas situações de fraude", referiu o director-geral, em entrevista ao Negócios, a propósito da transformação da direcção-geral em instituto público, que deverá levar à "desburocratização" de processos.

O exemplo do centro de medicina física que passou a funcionar como ginásio para "dúzia e meia" de pessoas é o primeiro que refere. "Não se justificava o nível de facturação que o centro tinha, para uma terra tão pequena. Era de 10 a 12 mil euros por mês. São 150 mil euros por ano. E às tantas começámos a ver que as pessoas tinham todas um padrão de doença idêntico".

Entre os processos que destaca está o de um dentista do Porto, que refacturava tratamentos não abrangidos pela tabela da ADSE de forma a que passassem a sê-lo, num montante de cerca de 200 mil euros. "O [maior] problema é que criou problemas clínicos às pessoas", descreve.

A ADSE tem detectado muitas situações de fraude. Carlos Liberato Baptista
Directora-geral da ADSE

Facturação "abusiva"

Estes casos, juntamente com outras preocupações manifestadas pelo até agora director-geral – que nos termos do decreto publicado esta segunda-feira continuará a ter essas mesmas funções até que seja constituída a nova equipa –, sugerem que o envelhecimento da população e o encarecimento dos serviços de saúde não serão os únicos factores que pesam no equilíbrio das contas da ADSE, que depois do aumento da taxa de 1,5% para 3,5% passou a ser essencialmente financiado pelos beneficiários.
Em que situações se gera mais desperdício? O director-geral revela preocupação com situações que enquadra num plano distinto: "não posso dizer que é fraude, é facturação abusiva".

Como exemplo, dá o caso de entidades que cobram 113 euros, nuns casos, e 285 euros, no outro, por tratamentos de radioterapia, o que associa a planeamentos injustificados. 

Ainda na área dos medicamentos oncológicos "há preços que nos estão a ser facturados duas a três vezes acima do preço máximo fixado" pelo Infarmed.

Há ainda suspeitas de indução "ao consumo exagerado de actos médicos". "As pessoas vão com uma dor de cabeça e fazem-lhe um TAC ou uma ressonância", ilustra, como exemplo. O transporte de doentes é outra das áreas "muito complicadas". "Tenho 14 pessoas a conferirem-me a facturação de 350 milhões de euros que são os meus convencionados. Temos de criar outros mecanismos de controlo e monitorização", conclui.

Apesar destes problemas, a ADSE registou, no ano passado, o terceiro excedente consecutivo. O saldo terá ficado nos 120 milhões de euros, de acordo com os dados provisórios divulgados pela ADSE a pedido do Jornal de Negócios, já noticiados na edição desta segunda-feira. A facturação com convencionados está a subir 9,5%.

APRe! alega que limite de idade é "discriminatório"

O decreto-lei que formaliza a transformação da ADSE em Instituto Público foi publicado esta segunda-feira. Em entrevista ao Negócios, o director-geral  referiu que o Governo quer acelerar o processo de abertura da ADSE a novos inscritos, encurtando-o de seis para três meses. Carlos Liberato Baptista, que se manterá como director-geral até à nomeação dos novos dirigentes, confirmou que, tal como já tinha sido admitido em Fevereiro, haverá uma idade limite para inscrição dos cônjuges: 60 anos, 65 anos ou 66 anos. Numa primeira reacção, José Abraão, da Fesap, lamenta que as propostas estejam a ser apresentadas antes da constituição dos novos orgãos. "O governo não devia decidir com o dinheiro dos beneficiários". Já Rosário Gama, da APRe!, critica antes o conteúdo: o limite de idade às inscrições dos cônjuges de beneficiários, justificado com o equilíbrio de contas, "é uma forma de discriminação dos idosos, um idadismo. Não é aceitável".




A sua opinião48
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 10.01.2017


A ladroagem de esquerda

AS CLASSES SOCIAIS EM PORTUGAL:

1. Burguesia = Os Patrões

2. Nobreza = Os Ladrões FP / CGA

3. Povo = Os Trabalhadores e Pensionistas do privado (que são tratados como escravos e roubados para sustentar as 2 classes privilegiadas)


comentários mais recentes
Jose Luis Vinhas 24.01.2017

Nao concordo com estas fraude, Com estas fraudes são os beneficiários que precisam desses serviços, são os prejudicados.E demoram a pagar as fracos reembolsos das despesas de saude. Que cada vez , se recebe menos, e, demoram mais a pagar.

Joao 10.01.2017

Pois é. Um ginasio. Que novidade. Existem tantos..... A cuf tem, trofa idem.... Aqui ja não é faturação abusiva. Agora os desgracados da terra pequena que se tentam manter em forma já estão fod**didos. Manter a forma fisica que eu saiba é a melhor forma de poupar verba ao estado.

Anónimo 10.01.2017

Limitam a inscrição dos cônjuges com a idade mas não limitam as comparticipações; se ganha 1000 desc. 14 X 35,00 = 490 Euros/ano e pode atrelar a mulher e filhos, mas se ganhar 5000 desc. 14 X 175,00 = 2390 Euros/ano mas não pode incluir a mulher se exceder 66 anos; deve desistir.

Anónimo 10.01.2017

E isto ainda não é nada! Há imensos casos e toda a gente tem sempre alguém conhecido ou familiar que beneficia estas vigarices. Fazem implantes caríssimos por meia dúzia de euros e os dentistas compactuam com estes, compram aparelhos dentários a preços de banana. Há muitos casos no Porto, Penafiel.

ver mais comentários
pub
Saber mais e Alertas
pub
pub
pub