Gaspar nega espiral recessiva e já vê luz ao fundo do túnel
27 Abril 2012, 00:01 por Pedro Romano | promano@negocios.pt
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Ministro das Finanças diz que Portugal não será uma segunda Grécia e defende que mercado já está a reconhecer os esforços do Governo
E se Portugal for uma segunda Grécia? Este foi o cenário com que a oposição confrontou ontem o ministro das Finanças no Parlamento, mas Vítor Gaspar não se desviou um milímetro da posição oficial do Governo: o programa de ajustamento é o necessário, a recessão é a "dor de parto" de uma economia mais saudável e não será pedido "nem mais tempo nem mais dinheiro".

As primeiras críticas, que surgem numa altura em que se acumulam sinais de que a austeridade pode, nalguns casos, ser contraproducente, vieram do Bloco de Esquerda, partido responsável pela interpelação ao Governo. Ana Drago recordou os resultados desapontantes da execução orçamental de Março – apesar de todas as medidas de aumento da receita fiscal – e os sinais crescentes de que a recessão está a ganhar dimensão.

João Galamba, do PS, foi mais longe e acusou Vítor Gaspar de inventar uma "realidade paralela". As previsões para 2012 já foram todas "revistas em baixa" face à expectativa inicial da troika e, por isso, "há dados suficientes para dizer que a austeridade falhou". O PS desafiou Gaspar a suavizar a dose austeridade, mantendo as metas para o défice orçamental, mas alargando em pelo menos um ano o prazo para atingir os objectivos.

Vítor Gaspar não pestanejou. Lembrou a descida acentuada das taxas de juro implícitas da dívida pública – que já estão abaixo dos 12%, depois de um ciclo de várias sessões muito positivas – e repetiu o que tinha dito antes: Portugal já atingiu um "ponto de viragem [ao nível da confiança dos mercados] que é indesmentível pelos factos".

Quanto à economia real, o ministro lembrou outros factos, como a queda do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, que foi inferior ao inicialmente previsto. "Espiral descendente? A experiência refuta essa ideia", disparou o ministro das Finanças.

O governante lembrou ainda que a grande subida da despesa pública que se verificou entre 2000 e 2007 não chegou para retirar Portugal dos últimos lugares de crescimento económico da Zona Euro. Os estímulos, argumentou, limitaram-se a alimentar os desequilíbrio macroeconómico da economia portuguesa e a tornar inevitável um pedido de ajuda externa – que só foi concedido mediante condições que têm de ser cumpridas.

Pegando nas palavras de Gaspar, o deputado do CDS, Adolfo Mesquita Nunes, questionou até a narrativa da oposição, segundo a qual haveria uma "dicotomia entre crescimento económico e austeridade". "Espere um pouco e verá os resultados da política deste Governo", disse Mesquita Nunes, em resposta a João Galamba.
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