Europa Governo britânico não tem plano para o Brexit

Governo britânico não tem plano para o Brexit

Um relatório produzido por uma consultora para o Governo britânico adianta que o Executivo liderado por Theresa May não tem um plano para implementar a saída da União Europeia.
Governo britânico não tem plano para o Brexit
Reuters
Nuno Carregueiro 15 de Novembro de 2016 às 07:59
O Governo britânico não tem um plano geral para implementar o Brexit e a estratégia para retirar o Reino Unido da União Europeia poderá demorar ainda seis meses a ficar definida, quando Londers prometeu iniciar o processo em Março do próximo ano.
 
A conclusão consta de um relatório produzido por uma consultora para o Governo britânico, que foi obtido pela BBC e pelo Times. O documento dá conta de divisões dentro do Governo de Theresa May e critica a primeira-ministra pela tendência para centralizar todas as decisões sobre o Brexit.
 
De acordo com a consultora, os departamentos do Governo estão a trabalhar em cerca de 500 projectos relacionados com o Brexit, sendo que devem ser necessários mais 30 mil funcionários públicos para tratar destes assuntos.     
 
Apesar de ter pedido o estudo, o Governo britânico já se afastou das conclusões do mesmo. "Este relatório não é do Governo e não reconhecemos as recomendações que contém", afirmou à Reuters uma fonte oficial do Governo de May, adiantando que "estamos focados na tarefa de concretizar o Brexit com sucesso".  
 
Mais tarde, o ministro dos Transportes, Chris Grayling, disse não ter "ideia" de onde veio o relatório. Falando no programa Today da BBC Radio 4, Grayling assegurou que o documento não resulta de um pedido do governo e rejeitou seu conteúdo. "A minha própria experiência é muito diferente da que descrevem", disse, acrescentando que a saída da UE e a negociação de um acordo pós-Brexit estão a ser trabalhados num "esforço de equipa". As negociações serão "complexas mas não será o desafio sugerido" no relatório.

Theresa May prometeu que ia dar início, até final de Março, ao processo de saída da UE com a activação do artigo 50 do Tratado de Lisboa. Depois disso esperam-se dois anos de negociações entre o Reino Unido e a União Europeia. Até agora, a primeira-ministra britânica não apresentou pormenores sobre a sua estratégia de saída da UE. 

O relatório, datado de 7 de Novembro e que não identifica a consultora que o produziu, atribui a falta de estratégia do Governo às divisões dentro do executivo britânico, com o ministro dos Negócios Estrangeiros (Boris Johnson), do Comércio (Liam Fox) e do Brexit (David Davis) deum lado e o ministro das Finanças (Philip Hammond) do outro.
 
O mesmo documento cita ainda a forte pressão dos grandes grupos económicos sobre o Governo britânico, para assegurar que recebem o mesmo tipo de garantias que foram concedidas à Nissan de que não sofrerá impacto com o Brexit.

(notícia actualizada às 11h10 com reacção do ministro dos Transportes)



A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Pricemt Há 2 semanas

Estava-se mesmo a ver ... com os trumpistas vai ser o mesmo ! O populismo que se alimenta das desigualdades sociais resulta nisto, já a seguir a Alemanha e França vão mostrar isto mesmo. E que "god save our souls"

comentários mais recentes
pertinaz Há 2 semanas

NÃO HÁ PLANOS PORQUE NUNCA VAI ACONTECER

CAMBADA DE TRAMBIQUEIROS

SÃO DA MESMA CEPA DO ESTUPOR DO PINÓQUIO, GATO COSTA E SEUS MUCHACHOS

Anónimo Há 2 semanas

É obvío que o Brexit vai acarretar CUSTOS para o Reino Unido. Mas também para a própria UE.
Nao se entende que os resposnsaveis por esta medida, muito à boa maneira britânica, do eu quero eu posso, venham agora reclamar direitos preferenciais para minimizar os custos de uma decisão unilateral que só a eles responsabiliza.
Já é tempo de apreenderem a viver em solidariedade com os outros e entenderem que não estão acima de ninguém.
Foi o caso do Euro, em que não quiseram assumir o risco de uma moeda única, mas colher sim os benefícios de não abdicarem dos instrumentos de política monetária. E o caso da arrogância deste povo que continua a conduzir pela esquerda, a usar a polegada, a milha, o pé e muitas outras medidas, que representam um custo injustificado numa economia globalizada, apenas para servir os seus caprichos.
É tempo de dizer chega a este nosso aliado que quando as coisas não lhe convêm se volta para as terras do tio Sam e faze los pagar pelas suas escolhas.

AVerVamos Há 2 semanas

O que foi considerado pelos partidos extremistas Europeus, Portugueses incluidos, como "lição democrática". Cá está a lição democrática em curso..Ideologia é uma coisa, burrice é outra!!
Cada tiro é um melro. É no Brexit, foi no Syriza, é na geringonça..

Pricemt Há 2 semanas

Estava-se mesmo a ver ... com os trumpistas vai ser o mesmo ! O populismo que se alimenta das desigualdades sociais resulta nisto, já a seguir a Alemanha e França vão mostrar isto mesmo. E que "god save our souls"

pub
pub
pub
pub