Economia Governo calcula em 400 milhões poupança com juros da dívida

Governo calcula em 400 milhões poupança com juros da dívida

Com o pagamento de 800 milhões de euros hoje ao FMI, o Estado português conclui o pagamento antecipado referente à segunda autorização do pagamento do empréstimo. Costa e Centeno congratulam-se com poupança de 400 milhões em juros.
Marta Moitinho Oliveira 24 de janeiro de 2018 às 18:10
O Governo calcula que o pagamento antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) de 10 mil milhões de euros que esta quarta-feira foi finalizado vai gerar uma poupança de juros de 400 milhões de euros. 

O valor da poupança foi adiantado tanto pelo primeiro-ministro, como pelo ministro das Finanças, no dia em que ambos se encontraram com directora-geral do FMI, Christine Lagarde, e em que Portugal completou a segunda autorização para antecipar pagamentos do FMI, que começou em meados do ano passado. 

Na sua conta de Twitter, António Costa publicou uma foto de um encontro que teve hoje à margem do Fórum Económico Mundial, que decorre em Davos, na Suíça, com a líder do Fundo. "Falámos sobre a boa trajectória de Portugal a nível de investimento e crescimento económico, bem como dos pagamentos antecipados de dívida, permitindo poupar em juros 400 milhões de euros", escreveu o chefe do Executivo. 


No final deste encontro, o ministro das Finanças disse, citado pela Lusa, que "a boa notícia de hoje é que Portugal paga a última parte do empréstimo que contraiu junto do FMI, o que tem logo um primeiro efeito". "Um efeito directo com poupança de juros a suportar pela dívida, o que aumenta imediatamente os níveis da sua sustentabilidade. Temos ainda uma dívida elevada, mas já com uma trajectória de redução, que foi muito forte em 2017, e que será igualmente em 2018 e nos anos seguintes", prometeu.

Mário Centeno disse ainda que, neste quadro, as poupanças em juros directas "são muito significativas".

"Se calcularmos as poupanças desde Junho de 2017, estamos perante poupanças directas - isto, com cálculos bastantes conservadores - na ordem dos 400 milhões de euros para o conjunto dos empréstimos", quantificou.

E acrescentou: "Temos ainda de juntar a este número o impacto nas taxas de financiamento. A última, em Janeiro, é um espelho muito claro disso mesmo, demonstrando que o acesso aos mercados se encontra agora muito mais facilitado", apontou o titular da pasta das Finanças, também citado pela Lusa.

Mais tarde, ao início da noite, o Ministério das Finanças revelou, em comunicado, que "desde que o Governo tomou posse, as poupanças directas em juros ascendem a cerca de 864 milhões de euros".

"Um pedido de nova autorização para pagamentos antecipados poderá ser equacionado no âmbito da gestão da dívida pública", acrescentava o mesmo documento.

Com o pagamento de hoje, o montante em dívida ao FMI diminui para cerca de 4,53 mil milhões de euros, fazendo com que 83% do empréstimo total tenha já sido liquidado, segundo o Ministério.

"Passando o valor da dívida a ser inferior a 187,5% da quota portuguesa na instituição internacional, o spread da taxa de juro baixa para 100 pontos base", sublinha.


O Governo português tem valorizado a conclusão deste pagamento antecipado ao FMI. De acordo com fonte oficial do Executivo português, citada pela Lusa, o encontro de hoje com a responsável do FMI "apresenta o significado político-económico de coincidir com o pagamento da última tranche que Portugal suportará com juros elevados" pelo empréstimo contraído junto do FMI em 2011.

 

Na segunda-feira, em Bruxelas, o secretário de Estado das Finanças anunciou que Portugal efectuaria o pagamento antecipado de 800 milhões de euros ao FMI, concluindo assim o reembolso da tranche mais cara do empréstimo desta instituição.


Em 2011, no âmbito dos empréstimos da troika a Portugal, que implicaram um programa de ajustamento, o FMI entrou com 26,3 mil milhões de euros. 



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