União Europeia Governo desmente ter pedido à Grécia para privilegiar refugiados yazidis

Governo desmente ter pedido à Grécia para privilegiar refugiados yazidis

Portugal aceita acolher "todos os refugiados" e não pediu à Grécia para privilegiar requerentes de asilo da comunidade yazidi, afiança o Governo português.
Governo desmente ter pedido à Grécia para privilegiar refugiados yazidis
Reuters
Negócios com Lusa 25 de janeiro de 2017 às 12:41

O Governo português garantiu esta quarta-feira, 25 de Janeiro, estar disponível para acolher "todos os refugiados" e não ter pedido à Grécia para privilegiar a comunidade yazidi, dizendo ainda desconhecer qualquer intenção de Atenas de bloquear a transferência destes refugiados para Portugal.

 

"Portugal não dirigiu nenhum pedido à Grécia para privilegiar, fosse a que título fosse, um conjunto étnico dentro do contingente de refugiados que Portugal se disponibilizou a acolher", disse hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

 

Esta garantia surge na sequência de uma notícia divulgada pela agência Associated Press e que refere que as autoridades gregas teriam rejeitado o pedido de Portugal para acolher refugiados da comunidade yazidi.

 

Santos Silva acrescentou que já esta manhã contactou o embaixador português em Atenas, tendo ouvido que não há "nenhuma informação da parte das autoridades gregas".

 

"Não confirmo que haja qualquer declaração das autoridades gregas no sentido de impedir, de qualquer forma, a vinda de cerca de 38 yazidis de que estamos à espera nos próximos tempos", assegurou o chefe da diplomacia.

 

Portugal, garantiu, "acolhe todos os refugiados, independentemente de etnia, de raça, de cor, de qualificação, de género ou de orientação" e já recebeu "mais de 700 refugiados", não praticando nem pedindo para praticar "nenhuma espécie de discriminação, restrição ou diferenciação".

 

A única preocupação de Portugal em relação aos yazidi é, "na integração cá, ter em conta que essas pessoas pertencem a uma mesma comunidade étnica", procurando garantir que "não se sintam ainda mais isoladas" no país.

 

"Quando as autoridades gregas dizem, em geral, que não permitirão nenhuma espécie de discriminação ou quando o ministro grego encarregado destes assuntos diz, com uma ironia triste, que às vezes lhe pedem refugiados que sejam brancos, de olhos azuis e universitários, não compreendo esse desabafo e não é seguramente o caso de Portugal", comentou.

 

Questionado se o que estava em causa na posição grega era o pedido da eurodeputada Ana Gomes para que as autoridades gregas tenham especial atenção na resolução do problema desta comunidade, Santos Silva referiu que "várias personalidades e várias organizações - entre as quais a eurodeputada portuguesa, que tem esse mérito - têm chamado a atenção para casos particularmente gritantes de pessoas que estão hoje em circunstâncias muito difíceis".

 

"Um desses casos é o da comunidade yazidi. Portugal, dentro do número de refugiados que recebe, está evidentemente totalmente disponível para acolher yazidis, como está totalmente disponível para acolher pessoas de outras religiões, de outras etnias, de todos os credos, raças e dos dois géneros", garantiu.

 

"Temos recebido todos os refugiados que, no âmbito do seu registo e depois do tratamento da sua situação, têm sido encaminhados para Portugal. Estamos a aproximar-nos do milhar de refugiados integrados e acolhidos em Portugal", disse o chefe da diplomacia. Ao abrigo do mecanismo de recolocação, no âmbito do acordo entre a União Europeia e a Turquia, Portugal também já recebeu "dezenas de refugiados recolocados".

 

Governo sublinha que vinda de yazidis é feita no âmbito de programa europeu

 

Antes já o ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, tinha referido que a vinda para Portugal de 30 pessoas da comunidade yazidi é realizada no âmbito do programa europeu de recolocação de refugiados decidido em 2015, e não por qualquer outro pedido específico.

 

"Há um programa europeu de recolocação decidido em Setembro de 2015 que envolve a recolocação a partir de campos refugiados na Grécia e em Itália (...). Nesse quadro houve elementos da comunidade yazidi que estão em campos na Grécia que manifestaram interesse em ser colocados em Portugal e Portugal aceitou", explicou Eduardo Cabrita, em declarações à agência Lusa.

 

Também em declarações feitas esta manhã, Ana Gomes tinha garantido ser "falso que Portugal tenha feito qualquer pedido para receber yazidis. Portugal disponibilizou-se para receber yazidis, tal como se disponibilizou para receber qualquer outro refugiado de qualquer tipo de etnia e religião, em qualquer formato de família", afirmou.

 

"A prova de que não há discriminação está aí: Portugal já tem mais de 700 refugiados de todas as cores e feitios", concluiu a socialista Ana Gomes.

Depois de em Fevereiro do ano passado o Governo português, pela voz do primeiro-ministro, António Costa, se ter disponibilizado para acolher em território nacional perto de 3 mil requerentes de asilo ainda a viver nos campos de acolhimento gregos, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, agredeceu a disponibilidade das autoridades portuguesas para "receber um grande número de refugiados".


"Apesar de estarmos distantes e de Portugal ser um pequeno país, é o primeiro Estado a demonstrar estar disposto a receber um grande número de refugiados", disse então Alexis Tsipras lamentando que "outros países com um número superior de população e com melhores condições económicas não tenham demonstrado disponibilidade para receber refugiados".

 

A comunidade yazidi é um grupo religioso milenar de étnia curda, concentrado essencialmente no norte iraquiano e junto à fronteira entre a Síria e o Iraque. Minoritários, os yazidis têm ao longo da história sido alvo de perseguições várias, o que se tem agravado nos últimos anos. Estima-se que actualmente esta comunidade seja composta por menos de um milhão de pessoas.




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