Finanças Públicas Governo vai antecipar pagamento de mil milhões de euros ao FMI até ao final do mês

Governo vai antecipar pagamento de mil milhões de euros ao FMI até ao final do mês

A informação é avançada, em entrevista à Bloomberg, pelo ministro das Finanças, que está à espera de autorização das autoridades europeias.
Governo vai antecipar pagamento de mil milhões de euros ao FMI até ao final do mês
Miguel Baltazar/Negócios
Rita Faria 16 de junho de 2017 às 09:55

O Governo português quer antecipar o pagamento de mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI) até ao final deste mês de Junho.

A informação foi avançada esta sexta-feira, 16 de Junho, pelo ministro das Finanças Mário Centeno, em entrevista à Bloomberg TV, no Luxemburgo, onde se realiza o encontro do Ecofin. 

À agência noticiosa, Centeno admitiu que o Executivo quer manter a almofada financeira enquanto continua a fazer pagamentos antecipados à instituição liderada por Christine Lagarde nos próximos 30 meses. O Governo só espera a autorização formal por parte das instituições europeias para avançar.

"Começaremos em breve, assim que tivermos a autorização formal das instituições europeias, e até o final do mês poderemos reembolsar já mil milhões de euros", afirmou Centeno, citado pela Bloomberg. 

Na última reunião mensal do Ecofin, em Maio, o Governo português havia formalizado o pedido aos parceiros europeus para antecipar o pagamento de cerca de 10 mil milhões de euros ao FMI, que cobra pelos seus empréstimos juros mais altos do que as instituições europeias e exige ser reembolsado em prazos mais curtos. O pedido vai ser apreciado na reunião de hoje. 

No final da reunião do Eurogrupo, na quinta-feira à noite, Centeno apontou que "o pedido de autorização para pagamento antecipado ao FMI, que já deu entrada nas instituições europeias" e já foi mesmo analisado no fórum de ministros da zona euro, antes de ser hoje apreciado pelo Ecofin deverá estar concluído "até ao final do mês de Junho". 

 

Os reembolsos antecipados ao Fundo necessitam de luz verde dos Estados-membros (accionistas do Mecanismo Europeu de Estabilidade), na medida em que estes têm que aceitar renunciar a uma cláusula que prevê que os reembolsos antecipados têm de ser proporcionais entre todos os credores - e Portugal só tenciona pagar mais cedo ao FMI.


Segundo dados do IGCP, Portugal ainda tem de
pagar 66 mil milhões de euros do resgate pedido em 2011. Deste total, 51,6 mil milhões são devidos aos mecanismos europeus e 14,4 mil milhões de euros ao FMI. O Tesouro prevê pagar antes do prazo 6.500 milhões em 2018 e 3.200 milhões de euros em 2019.

 

Mário Centeno falou à Bloomberg à margem do Ecofin, no Luxemburgo, que deverá formalizar esta sexta-feira, a saída do país do Procedimento dos Défices Excessivos. 


(Notícia actualizada às 11:17)




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