Finanças Públicas Governo vê derrapagem na saúde como “aposta” no sector

Governo vê derrapagem na saúde como “aposta” no sector

A despesa do SNS está a crescer 4,8% em termos homólogos, o que compara com uma estabilização prevista no Orçamento para o total do ano. Governo diz que é o resultado da sua aposta no sector. Números são conhecidos a três semanas do orçamento, quando decorrem negociações entre o Governo e PCP e Bloco, por um lado, e médicos e enfermeiros, por outro.
Governo vê derrapagem na saúde como “aposta” no sector
Miguel Baltazar/Negócios
Rui Peres Jorge 25 de setembro de 2017 às 22:00

Até Agosto, a despesa com o Serviço Nacional (SNS) de Saúde cresceu 4,8% face ao mesmo período de 2016, uma subida que representa já mais do que os aumentos de 2015 e 2016 juntos, e que compara com uma estabilização de gastos implícita no Orçamento do SNS para este ano. Mas o que pode ser descrito como uma derrapagem face ao plano de gastos para 2017 – que alguns economistas consideram ter sofrido de sub-orçamentação – é caracterizado pelo Governo como uma aposta no sector.

"A despesa do SNS cresceu 4,8%, sendo superior à soma das taxas de crescimento da despesa dos últimos dois anos" lê-se numa nota enviada à imprensa pelo ministério das Finanças antes da publicação do boletim pela DGO, interpretando o número como o reflexo de uma "forte aposta" do governo no sector. O boletim dá mais informação sobre o que se está a passar na Saúde: as despesas com fornecimentos e serviços externos  e com pessoal, que representam 80% da despesa até agora, cresceram 5,9% e 4,4% respectivamente. As variações implícitas no Orçamento são de -1,2%% e 1,5%.

"O maior contributo para o aumento da despesa ficou a dever-se aos fornecimentos e serviços externos (2,1 pontos percentuais) e às despesas com pessoal (1,8 pontos percentuais)", explica a DGO que destaca os aumentos "dos encargos com os Hospitais em Parcerias Público-Privadas (18,9%) [em parte explicados por um diferente perfil interanual que se esbaterá] e com os produtos vendidos em farmácias (3,1%)". A DGO explica ainda a evolução da despesa com pessoal com "o impacto da reposição salarial e da evolução do número de efectivos no SNS" que terão aumentado 2,7% ou 3.330 trabalhadores este ano.

Os dados surgem num momento de intensas negociações entre o Governo do PS e os partidos que o apoiam à sua esquerda para a elaboração da proposta de Orçamento do Estado para 2018, sendo o sector da Saúde um dos mais sensíveis. Médicos e enfermeiros têm vindo a reclamar melhores condições e, depois de uma greve de enfermeiros na primeira metade de Setembro está agendada uma greve de médicos para a próxima semana.

O aumento da despesa na saúde está a levar as contas do SNS para terreno negativo, tendo-se registado um défice de 114 milhões de euros nos primeiros oito meses, o que compara com 20 milhões do ano anterior. O agravamento só não é mais  expressivo porque o governo já transferiu do Orçamento para o SNS mais 211.1 milhões do que no ano passado (+4%), tendo assim ultrapassado os 156 milhões inscritos no OE para a totalidade de 2017.

Défice cai quase para metade

A derrapagem na saúde não parece estar a colocar em causa os objectivos orçamentais para este ano, para o que contribuiu um desempenho muito positivo da receita fiscal.

O défice das Administrações Públicas baixou para 2.034 milhões de euros entre Janeiro e Agosto deste ano, o que traduz uma melhoria de 1.901 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado, ou seja um corte de 48% em termos homólogos.

Para a evolução do défice contribuíram uma estabilização da despesa e um aumento de 4,3% da receita, puxada por uma subida de 6% na receita fiscal do Estado – o que é o dobro do ritmo previsto no Orçamento, o que traduz bons desempenhos nos principais impostos.




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comentários mais recentes
Mr.Tuga 26.09.2017

Aumento de 4,4% CUSTOS COM PESSOAL.... Muitíssimo acima do crescimento do PIB.

Tudo dito!

Pierre Ghost 26.09.2017

..os porcos não comentam esta noticia ????

Pierre Ghost 26.09.2017

...tal como se esperava da xuxalhada !!!
Crescimento da folha salarial !!!
Investimento em material ...ZERO !!!

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