Política Governo afasta segundo resgate e pede "máximo cuidado" a comissários

Governo afasta segundo resgate e pede "máximo cuidado" a comissários

O ministro dos Negócios Estrangeiros português afastou esta segunda-feira a possibilidade de um segundo resgate a Portugal, admitida pelo comissário europeu responsável pelo Orçamento, e recomendou "máximo cuidado e sentido de responsabilidade" aos responsáveis políticos, incluindo membros da Comissão Europeia.  
Governo afasta segundo resgate e pede "máximo cuidado" a comissários
Miguel Baltazar
Lusa 03 de Outubro de 2016 às 17:23

"Portugal vive hoje uma situação orçamental absolutamente tranquila. A execução orçamental tem corrido bem, dentro das margens de segurança do Orçamento do Estado e permitindo reduzir consistentemente o défice. A economia portuguesa está a crescer, o desemprego está a baixar", afirmou esta segunda-feira, 3 de Outubro, à Lusa o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva.

 

Segundo o governante, "não há nenhum indicador que permita ter uma atitude pessimista face à evolução da economia portuguesa e das suas finanças públicas".

 

Santos Silva comentava assim a posição hoje assumida pelo comissário europeu Günther Oeettinger numa audição na comissão parlamentar de Assuntos Europeus.

 

"A preocupação - agora vou dizer isto não publicamente - seria se Portugal precisasse de um segundo programa de ajuda. Não sei qual a probabilidade, mas é maior do que 0%. É maior do que 0%. Um segundo programa para financiar o vosso orçamento. Posso imaginar, porque se calhar ainda precisam de mais cinco anos", disse o comissário alemão.

 

Oettinger, responsável pela Economia e Sociedades Digitais, herdou na semana passada a pasta do Orçamento e Recursos Humanos, antes sob a alçada da vice-presidente da Comissão Europeia Kristalina Georgieva, que tirou um mês de licença para concorrer ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas.

 

O ministro português considerou que "é muito importante que os responsáveis políticos, neles incluídos os membros da Comissão Europeia, tenham o máximo cuidado e o máximo sentido de responsabilidade nas declarações públicas que fazem".

 

"Nós todos, quando fazemos declarações públicas, enquanto agentes políticos, quando intervimos no debate político, devemos usar de sensatez e sentido de responsabilidade", afirmou, acrescentando: "E, se não conhecemos bem a realidade que comentamos, não devemos comentá-la".

 

Questionado sobre se considera estar em causa falta de conhecimento, quando o comissário detém a pasta do Orçamento, Santos Silva escusou-se a comentar, mas lembrou que "as palavras de um comissário europeu contam e contam muito".

 

Na mesma audição, o comissário afirmara que, sem o programa de ajuda a que Portugal esteve sujeito, o país "seria insolvente" e "não seria capaz de pagar os salários dos funcionários, a manutenção das estradas, das escolas".

 

Mais tarde, quando questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade de um segundo resgate, Günther Oettinger disse estar "confiante e optimista" quanto ao Orçamento do Estado português para 2017 e afastou o cenário de novo resgate, mas avisou que os Estados-membros devem manter-se sob o "chapéu" das instituições europeias.

 

"Estou confiante que vamos chegar a uma posição comum e pragmática quanto ao Orçamento do Estado para 2017", disse Günther Oettinger.

 

Questionado sobre um eventual segundo resgate financeiro a Portugal, Oettinger afirmou que "Portugal está a fazer muito" há anos e continua a fazer e afastou essa possibilidade: "Penso que não é necessário um segundo resgate, isso só [aconteceria] no pior cenário. Temos de fazer o que pudermos para evitar tal desenvolvimento".

 

O comissário sublinhou o "desenvolvimento impressionante" dos resultados portugueses, mas sublinhou que estes "não são o fim da história", "há que continuar".




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mais votado Anónimo 03.10.2016


Peeensionista da CGA

És proprietário da parte da pensão que corresponde aos descontos efetuados!

O resto, mais de metade, é uma esmola que os trabalhadores e os contribuintes portugueses te dão, 14 meses por ano.

comentários mais recentes
Anónimo 04.10.2016

A conversa sobre o 4º resgate (e não 2º) só é temida pela rataria do xuxalismo porque sabem que a probabilidade de ter de o pedir é relativamente grande. Se o comissário alemão falasse de um resgate à Noruega diriam que o comissário estava maluco. Como falou de um resgate a Portugal pedem-lhe para ter contenção. Por que será?

PCarlos2015 04.10.2016

Acho muita piada a este ministro, vir pedir muito cuidado! Quando foi o próprio governo, pela boca do Centeno, o próprio ministro das finanças, que veio para a praça pública, nos Estados Unidos, dizer que, está a fazer tudo por tudo para evitar um novo resgate a Portugal. Será que este governo não devia trabalhar mais e falar menos?

Anónimo 04.10.2016


O VERDADEIRO SOCIALISTA

Um verdadeiro socialista defende a igualdade (critérios iguais) e a justiça para todos os cidadãos.

Ao contrário de muitos portugueses que se dizem socialistas (incluindo os do governo), mas que apenas defendem os interesses particulares de alguns grupos privilegiados…

Em detrimento dos restantes cidadãos (a maioria dos portugueses) que são cada vez mais sacrificados para sustentar os privilégios, as mordomias, as regalias e as benesses desses grupos.

Anónimo 04.10.2016


A MALTA DA FP E CGA QUER PÔR O PAÍS NA BANCARROTA... OUTRA VEZ.

PARA A ESQUERDA, os trabalhadores do privado servem apenas para pagar cada vez mais impostos, para sustentar as benesses e os privilégios da FP e da CGA.

Os salários dos trabalhadores do privado desceram imenso nos últimos anos... enquanto no público vão igualar o seu máximo de sempre, já em outubro próximo.

Resposta de PCarlos2015a Anónimo 04.10.2016

100% Verdade! Na função pública, mesmo que haja crise, nunca se é despedido, os ordenados tiveram um corte apenas temporário e já o governo fala em aumentos em 2018. É só benesses!

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