Emprego Grande maioria dos 806 mil trabalhadores por conta própria trabalha sozinho

Grande maioria dos 806 mil trabalhadores por conta própria trabalha sozinho

O INE estima que no segundo trimestre de 2017 existissem 806,2 mil trabalhadores por conta própria em Portugal, dos quais 27,5% eram empregadores e 72,5%, ou 585 mil, operavam isolados, mostra um inquérito do INE.
Grande maioria dos 806 mil trabalhadores por conta própria trabalha sozinho
Bloomberg
Rui Peres Jorge 15 de janeiro de 2018 às 11:41
Portugal tinha cerca de 806 mil trabalhadores por conta própria (TCP) no segundo trimestre de 2017, dos quais 585 mil (72,5%) trabalhavam isolados e 222 mil eram empregadores. Estes são resultados de um módulo do inquérito trimestral ao emprego do INE dedicado ao trabalho por conta própria e que procura descrever esta realidade laboral no país.

Entre os outros elementos o inquérito do INE revela que um terço dos trabalhadores por conta própria estão nessa situação laboral porque encontraram uma boa oportunidade ou quiseram dar continuidade ou trabalhar num negócio familiar; mostra que as principais dificuldades para estes trabalhadores são as que afectam os fluxos de rendimentos, como os períodos em que o trabalho escasseia ou em que os clientes se atrasam a pagar ou não pagam; e diz ainda que embora tenha mais autonomia profissional, estão em médio um pouco menos satisfeitos com o trabalho do que os trabalhadores por conta de outrem.

"No 2.º trimestre de 2017, o número de trabalhadores por conta própria (TCP) em Portugal era de 806,2 mil, o que corresponde a 16,9% da população empregada total (4 760,4 mil pessoas). Daqueles, apenas 27,5% exerciam a sua actividade com pessoas ao serviço (como empregadores), sendo que 72,5% o faziam sem pessoas ao serviço (como isolados)", explica o INE na nota que sintetiza os principais resultados do inquérito, destacando que a incidência de TCP é "particularmente elevada no grupo etário dos 65 e mais anos (75,1%), no grupo profissional Agricultores e trabalhadores qualificados da agricultura, da pesca e da floresta (76,4%) e no sector de actividade da Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca (71,5%)". A agricultura emprega 29,4% dos TCP no país.

O módulo do inquérito está estruturado por quatro dimensões, explica o INE: grau de dependência dos trabalhadores por conta própria; condições de trabalho; comparação com os trabalhadores por conta de outrem, nomeadamente em termos de autonomia e satisfação no trabalho; e uma análise aos TCP "por escolha" e "por necessidade".

No que diz respeito ao grau de dependência, o instituto destaca que:

- Mais de metade dos TCP (53%) não estão dependentes de clientes (ou seja, têm 10 ou mais clientes e nenhum delas assegura 75% ou mais do rendimento); e este valor sobe para 82,1% quando se consideram apenas os TCP com pessoas ao serviço;

- Mais de 60% dos TCP decidem o seu próprio horário, um valor que é no entanto muito diferente entre os que trabalham isolados (55,9%) e os que têm trabalhadores ao serviço (84%);

- Entre os 585 mil que trabalham isolados, 98,2% são independentes economicamente, isto é, tem mais de um clientes, nenhum em posição dominante e não são os clientes que lhes definem o horário.

No que diz respeito à condições de trabalho, o INE evidencia que:

- 20,7% são TCP por ter aparecido uma boa oportunidade e 12,9% estão a dar continuidade ou quiserem montar um negócio familiar. Para os que não têm pessoas ao serviço também pesa, com destaque (13,3%), o não tem conseguido emprego por conta de outrem.

- As principais dificuldades que encontram são períodos sem trabalho (15,7%), clientes que pagam tardo ou não pagam (13,8%). Quase 20% (19,1%) diz não ter qualquer dificuldade, um valor que no caso do TCP sem pessoas ao serviço sobe para 25,1%.

- Entre os 585 mil que não têm pessoas ao serviço, 41,6% dizem que não empregam ninguém porque não têm trabalho suficiente;

- E entre os que têm pessoas ao serviço, 34,7% diz que trabalha com sócios, o que compara com apenas 6,8% dos TCP isolados

E na comparação com os trabalhadores por conta de outrem, destacam-se três resultados:

- Mais de 80% da população empregada em Portugal diz estar razoavelmente satisfeita em termos profissionais (52,1%) ou até totalmente satisfeita (31,1%). Mas os níveis de satisfação são significativamente superiores nos trabalhadores por contra de outrem (54,5% e 33%, respectivamente) face aos trabalhadores por conta própria (40,6% e 22,1%, respectivamente);

- 72,1% dos TPC têm autonomia para decidir o tipo e ordem das tarefas que executam, um valor que sobe para 93,8% entre os que não têm pessoas ao serviço;

- Apenas 2,4% dos TCP gostariam se de trabalhar por conta de outrem, o que leva o INE a considerar que "os benefícios percepcionados sobre a maior autonomia profissional no trabalho por conta própria parecem sobrepor-se à menos satisfação profissional revelada";

- 17,2% dos trabalhadores por contra de outrem gostariam de trabalhar por conta própria, e desses a maioria não o fez pela insegurança financeira associada (43,4%) e por dificuldade em obter financiamento (31,8%).




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comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

O problema de economias como a portuguesa é terem, por um lado, empregados a mais a ocupar postos de trabalho que não se justificam, com todos os elevados custos de oportunidade que isso representa para a sustentabilidade do Estado, a competitividade da economia e o nível de equidade na sociedade. Estes agentes económicos pertencem à esfera da extracção de valor. Por outro lado, terem relativa e proporcionalmente poucos empregados a ocupar postos de trabalho justificáveis e que criem valor excepcional. Estes agentes económicos pertencem à esfera da criação de valor. Há efectivamente um desequilíbrio muito pronunciado entre criação de valor e extracção de valor na economia portuguesa. O IMD explica-nos isso muito bem. http://www.imd.org/news/is-value-extraction-viable.cfm

Helder Há 1 semana

entregues a si próprios. Assim devia ser com todos. A maioria é um brinquedo nas mãos de sindicatos e patrões. Ouvi uma história dum empregado que encontrou o empregador no campo. O empregador teve uma urgência médica e o empregado disse-lhe que lhe vendia a utilização do telemovel. Acho que não chegaram a tempo. É esta uma situação de oferta e procura? Quanto valia aquela chamada? Uma vida, pelos vistos. Quanto vale uma vida? Não me apercebi quanto o empregado tinha pedido ao empregador. Fiquei só a imaginar de quanto se trataria.

Camponio da beira Há 1 semana

Julgo que a maioria deles só não expande um poucoi mais o negocio e metia uma pessoa, por causa dos sindicalistas, dos t, de trabalho e das multiplas entidades fiscalizadoras que aterrorizam quem trabalha. honestamente e com dificuldades.

O SANTANDER VAI ENGOLIR o bcp Há 1 semana


o SANTANDER já comprou a posição da SONANGOL no MILENIUM BCP a seguir vai LANÇAR uma OPA ao RESTANTE CAPITAL do BCP a 1.5 EUROS por AÇÃO que é o preço a que a FOSUN também vende os seus 30 %

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