Estas eram duas das 10 exigências feitas pela troika para aprovar o segundo pacote de ajuda à Grécia. Falta ainda o acordo sobre as pensões.

O acordo alcançado esta tarde, que ainda não é total, prevê, entre outras coisas, novos cortes orçamentais no valor de três mil milhões de euros este ano, avança a edição "online" do "Financial Times".
A Reuters avança que os cortes orçamentais totalizam 13 mil milhões de euros entre este ano e 2015.
Já a Bloomberg, que teve acesso a um esboço do documento final, revela que o governo grego aceitou reduzir o salário mínimo em 20% e a cortar 15 mil postos de trabalho na função pública só em 2012.
Estas eram duas das 10 exigências feitas pela troika para aprovar o segundo pacote de ajuda à Grécia. O actual salário mínimo – 750 euros – vai ser cortado em 20%, enquanto os efectivos da função pública vão ser reduzido em 15 mil, em 2012. O objectivo é diminuir o universo (cerca de 700 mil) em 150 mil até 2015.
Tal como exigido pela
União Europeia e o Fundo Monetário Internacional, o governo de Lucas Papademos comprometeu-se ainda a cortar os gastos na saúde para 1,5% do PIB, acelerar as reformas no mercado laboral e as
privatizações.
Para haver um acordo total, falta ainda o entendimento sobre a redução das pensões.
"Para repor a competitividade e o crescimento, vamos acelerar a implementação de reformas estruturais profundas nos mercados laboral e de serviços", pode ler-se na carta de intenções dirigida à directora-geral do
FMI e a que a Bloomberg teve acesso.
Na mesma carta pode ainda ler-se que a economia grega deverá registar uma contracção de cerca de 5% em 2012 e regressar ao crescimento no ano seguinte.
A confirmar-se esta previsão, a economia grega entra no quinto ano consecutivo de recessão, com quase um quinto da população no desemprego.
Os dez mandamentos da "troika"
Apesar das críticas dos sindicatos e da população – o país viveu ontem mais uma greve geral – o governo de unidade nacional parece ter finalmente chegado a acordo sobre o que a imprensa grega rotulou de "
dez mandamentos".
Ou seja, as condições impostas pelos credores internacionais – União Europeia e Fundo Monetário Internacional – para conceder um segundo pacote de assistência financeira, possivelmente de 130 mil milhões de euros, sem o qual a Grécia não terá meios para ressarcir um empréstimo obrigacionista no valor de 14,5 mil milhões de euros que se vence a 20 de Março.
Falta o acordo com os credores privados
Em aberto estão ainda as negociações com os bancos relativas às condições que enquadrarão um perdão parcial da dívida grega. Segundo a Bloomberg, os principais credores privados da Grécia (bancos gregos, em primeira instância, seguido de alemães e franceses) reúnem-se amanhã em Paris.
Como condição para conceder um segundo empréstimo à Grécia, a UE e o FMI exigem que os bancos suportem parte do esforço necessário para tornar o país solvente.
A intenção é reduzir a dívida pública grega dos actuais 160% (350 mil milhões de euros) para 120% do PIB em 2020, de modo a que o novo empréstimo oficial de 130 mil milhões de euros (e que acresce ao de 110 mil milhões de euros acordado em Maio de 2010) tenha o mínimo de condições para funcionar e recuperar a capacidade de solvência da Grécia.
(Notícia actualizada às 00h50 para dar conta que não há ainda acordo total)