Função Pública Greve na Função Pública na sexta-feira vai encerrar serviços

Greve na Função Pública na sexta-feira vai encerrar serviços

A Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSTFPS) espera uma grande adesão à greve nacional convocada para sexta-feira, avisando que, com o lema "Soluções já!", a paralisação irá encerrar muitos serviços.
Greve na Função Pública na sexta-feira vai encerrar serviços
Bruno Simão/Negócios
Lusa 24 de maio de 2017 às 09:31

A greve nacional de 24 horas, a primeira deste ano e a segunda do Governo de António Costa, foi anunciada no início de Abril para reivindicar aumentos salariais, pagamento de horas extraordinárias e as 35 horas de trabalho semanais para todos os funcionários do Estado.

 

O regime das 35 horas foi reposto em Julho de 2016, deixando de fora os funcionários com contrato individual de trabalho, sobretudo os que prestam serviço nos hospitais EPE.

 

"As expectativas são elevadas porque os trabalhadores não se sentem bem. Creio que vai ser uma grande greve, um ponto alto de luta alto. O Governo vai reparar nisso e vai ter que negociar com os sindicatos outras condições que não estas que temos actualmente", disse a dirigente Ana Avoila, em declarações à agência Lusa.

 

A paralisação abrange toda a administração directa do Estado (ministérios e serviços públicos).

 

"Alguns trabalhadores conseguiram regressar às 35 horas, depois de um processo de luta muito longo, conseguiram a reposição de cortes de salários, mas sem actualização ou mexida na carreira profissional, naturalmente que as pessoas estão descontentes ainda mais quando hoje já se fala que o Governo só pretende fazer aumentos de salários a partir de 2021 e que o descongelamento das carreiras, em principio, será só a partir de 2018 e de uma forma faseada, deixando milhares de trabalhadores de fora", acrescentou.

 

Segundo Ana Avoila, os trabalhadores não partirão apenas para a greve para protestar, mas sim para "alterar", para que "o Governo rapidamente resolva estas questões", porque à parte das 35 horas e dos aumentos salariais, "as condições de trabalho estão cada vez piores com trabalhadores a trabalhar 10 e 12 horas por dia, serviços sem quase ninguém e que se estão a degradar, por falta de pessoal e por falta de maios, etc.".

 

A dirigente do FNSTFPS - afeta à CGTP, composta pelos sindicatos do Norte, Centro, Sul e consulares e que representa 320 mil funcionários - lembrou que os sectores da saúde e da educação são os que por norma têm um maior nível de adesão, "mas efectivamente as pessoas sentem-se mal no local de trabalho, por isso será imprevisível".

 

"Os sinais que vêm é que vai haver muitos serviços parados e, portanto, vamos esperar para ver", disse.

 

A última greve geral convocada pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais com vista à reposição das 35 horas semanais realizou-se em Janeiro do ano passado e teve, segundo a estrutura, uma adesão média entre 70% a 80%, incluindo os hospitais.

 

Em 18 de Novembro do ano passado, os funcionários públicos manifestaram-se junto à Assembleia da República, em Lisboa, para reivindicar alterações na proposta de Orçamento do Estado para aumentar os salários do sector e descongelar as carreiras.

 

A manifestação foi promovida pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, tendo sido acompanhada por pré-avisos de greve de diversos sindicatos para salvaguardar o direito dos trabalhadores a participarem no protesto.

 


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mais votado Anónimo Há 4 semanas

Mas quando o trabalhador nem pode ser despedido por o posto de trabalho já não se justificar nem substituído por uma máquina, nem ver o seu salário, já inflacionado ao longo de toda uma carreira de progressões automáticas constantes, reduzido para valor mais próximo do preço de mercado uma vez que há uma fila de candidatos àquele emprego, mais dinâmicos, motivados e preparados, que trabalhariam de bom grado por metade da remuneração, a população que investiu na organização ou tem trabalho para oferecer perde rendimentos. A população que consome produtos da organização perde rendimentos. A população que paga impostos para a organização, no caso daquela ser do sector público, fornecedora do sector público ou subsidiada pelo Estado, perde rendimentos. A população que inventou e desenvolveu a máquina perde rendimentos. A população que poderia inovar, investir e lançar no mercado máquinas ainda melhores, perde rendimentos.

comentários mais recentes
Anónimo Há 4 semanas

Dívida e excedentarismo são duas faces da mesma má moeda. É preciso expulsá-la dos nossos Estados, economias e sociedades para pôr termo à grave crise de equidade e sustentabilidade que flagela a Eurozona e atrasa o processo de integração europeu.

Anónimo Há 4 semanas

A classe média é para acabar. A classe média assalariada ou pensionista ex-assalariada, dos grandes e irrevogáveis direitos adquiridos quer seja no brilhantismo com enorme procura de mercado quer seja na mediocridade sem procura alguma ainda que a enorme oferta se arrebanhe em bando sindical ruidoso animado por um insolente falso senso de auto-elegibilidade, está condenada à extinção porque é tudo aquilo que se opõe à criação sustentável de valor no mundo contemporâneo, funcionando como um oneroso e pernicioso entrave ao avanço civilizacional. O mundo só tem lugar para duas classes: a dos criadores de valor, vulgo classe alta, e a dos legítimos capturadores de valor, vulgo classe baixa, que tem tudo a ganhar com isso. A classe média, tomada maioritariamente pelos que se dedicam à mais puramente ignóbil extracção de valor não tem mais lugar nas sociedades e economias do mundo desenvolvido e está já a viver o seu irreversível ocaso, facto que os mais recentes dados estatísticos atestam.

Anónimo Há 4 semanas

As esquerdas sindicais que vêem no factor trabalho um fim em si mesmo e no sindicato o clube que fanaticamente apoiam quais tiffosi inebriados pelo keynesianismo desmiolado e o marxismo anti-capital, como se houvesse alguma distinção entre os factores produtivos a não ser aquela que advém do valor que a sua combinação consegue gerar com base na mais economicamente racional alocação dos mesmos, têm que perceber que a crise económico-social de equidade e sustentabilidade que se vive é acima de tudo culpa sua porque é com base nas profundas distorções de mercado que fomentam que outras distorções de mercado obtêm as condições para surgir e proliferar.

Serafica Há 4 semanas

Só gostaria de divulgar o seguinte, vejo muitas pessoas contra os Funcionários Público porque estão incluídos os boys dos partidos, etc. mas esquecem-se do resto dos funcionários que verdadeiramente trabalham Administrativos, operários etc, . Fomos nós os únicos que ficaram sem as diuturnidades, sem escalões sem aumentos desde 2008 e sem os subsidios de férias e natal. Agora os subsidios estão a ser repostos mas sofremos um aumento de impostos inacreditável, eu e milhares de funcionários recebemos menos ordenado que há dez anos atrás, isto é que não é divulgado nos Media.

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