Américas Guia para acompanhar as eleições americanas

Guia para acompanhar as eleições americanas

A noite de hoje adivinha-se longa, mas pode ser muito longa. Quem ganhar vai precisar de bons resultados nos estados decisivos, mas não só. Saiba o essencial sobre as eleições desta noite e onde pode segui-las.
Guia para acompanhar as eleições americanas
Reuters
Bruno Simões 08 de Novembro de 2016 às 09:00

A que horas é que se sabe quem ganhou?

Não é possível dar uma resposta precisa. Depende das votações que forem registadas em cada estado e da respectiva contagem. E esta é uma eleição especialmente renhida. As primeiras urnas fecham às 23 horas de Lisboa (18:00 locais). As últimas encerram às 5:00 portuguesas. Contudo, já pode haver um vencedor antes disso, quando se souberem os resultados dos estados decisivos (swing states). Entre a 1:00 e as 3:00 da manhã de Lisboa há muitas urnas a fechar e já se poderá perceber qual será a tendência de vitória. Há quatro anos, a vitória de Obama foi declarada às 4:38 portuguesas. Em 2008 e 2012, os discursos de aceitação da derrota foram feitos pouco depois das 5:00 de Lisboa (meia-noite na Costa Leste dos EUA).

O que é o colégio eleitoral?

Não é o número de votos que dá a vitória a Trump ou a Hillary, mas sim o número de lugares no Colégio Eleitoral, um órgão que tem 538 membros distribuídos pelos estados conforme a população. Por isso, a Califórnia tem 55 membros e o Wyoming apenas três. O candidato mais votado em cada estado fica com todos os membros desse estado. Quem conseguir ter 270 – a maioria do Colégio Eleitoral – ganha as eleições. Em 2000, Al Gore teve a maioria dos votos mas perdeu porque George W. Bush teve os membros necessários.

A que estados deve dar mais atenção?

Tanto Hillary Clinton com Donald Trump já têm 115 e 62 delegados garantidos, porque provêm de estados que são garantidamente democratas ou republicanos. A eleição decide-se nos estados decisivos ("swing states"), cujo sentido de voto não está decidido. Arizona (11 delegados), Colorado (9), Flórida (29), Iowa (6), Nevada (6), New Hampshire (4), Carolina do Norte (15), Ohio (18), Pensilvânia (20) e Virgínia (13) são os estados a que podem decidir a eleição. Como já garantiu mais delegados que Trump, Hillary tem uma pequena vantagem sobre Trump, que lhe permitirá perder Ohio ou Flórida. Mas perder na Pensilvânia poderá ser fatal, diz o Financial Times. Já se Trump perder a Flórida e o Ohio, as suas hipóteses de vencer serão muito pequenas.

A que sinais deve estar atento?

Para os Democratas, será importante que exista uma alta participação de mulheres, de hispânicos e de negros (afro-americanos). Para os Republicanos, será importante que haja uma participação elevada de homens brancos da classe operária.  Se a abstenção for alta para algum destes grupos, os sinais de alarme vão tocar nas campanhas de Hillary e de Trump. As declarações hostis deste último contra os mexicanos podem ter um papel decisivo na mobilização deste eleitorado.

Como é que os americanos votam?

Ao contrário do que acontece em Portugal, os americanos votam, em vários estados, de forma electrónica. Quem vota hoje pode encontrar diversos sistemas: puramente electrónicos, como ecrãs de computador, ou mistos, em que o boletim é em papel mas depois a contagem é feita de forma electrónica. O voto antecipado é, em regra, feito em papel e por correio.

Onde pode seguir as eleições?

Os principais canais de televisão portugueses vão ter emissões especiais  que começam entre a meia-noite e a 1:00 e se estendem até às 6:00 ou 7:00 da manhã. Se tiver TV por cabo pode acompanhar o acto eleitoral através da CNN. Se quiser sair de casa, os bares "Cheers" e "The George", bem como o Hotel CR7, todos em Lisboa, vão transmitir a noite eleitoral, mas apenas até às 2:00.

Os americanos votam em mais alguma coisa?

Sim. Além de escolherem o próximo presidente, os americanos vão eleger ainda a totalidade dos 435 membros da Câmara dos Representantes, um terço dos membros do Senado e diversos cargos a nível local e estadual. Qualquer um deles é decisivo para a governação do país.




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