Mundo Guterres diz aos funcionários da sede da ONU que não é "milagreiro"

Guterres diz aos funcionários da sede da ONU que não é "milagreiro"

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse esta terça-feira aos funcionários que o receberam na sede da organização que não é capaz de fazer milagres.
Guterres diz aos funcionários da sede da ONU que não é "milagreiro"
reuters
Lusa 03 de janeiro de 2017 às 15:19

"Sei que a forma como o processo de eleição decorreu gerou muitas expectativas. Acho que é útil dizer que não há milagres e tenho a certeza de que não sou milagreiro", disse o português.

 

"A única forma de atingir os nossos objectivos é trabalhar juntos, como equipa, e ganhar o direito de servir os valores globais consagrados na Carta, que são os valores da ONU e os valores que unem a humanidade", acrescentou.

 

O antigo primeiro-ministro português, que entrou em funções no primeiro dia do ano, falava a várias dezenas de funcionários que o aguardavam no momento em que entrou na sede da ONU em Nova Iorque. 

 

"Não devemos ter ilusões, estamos a enfrentar tempos muito desafiantes", começou por dizer, lembrando o ataque terrorista na noite da passagem de ano em Istambul que vitimou 39 pessoas.

 

"Podem imaginar como é para mim, que trabalhei com as pessoas da Turquia enquanto Alto-Comissário, país que se tornou o maior recipiente de refugiados de todo o mundo, ver que se tornam agora vítimas deste terrível ataque terrorista", disse o secretário-geral.

 

Fazendo um balanço em que lembrou que os números da pobreza extrema desceram e que aumentaram as protecções sociais nas últimas décadas, Guterres notou que "a verdade é que as desigualdades sociais aumentaram".

 

"E num mundo em que tudo se tornou global, em que as comunicações se tornaram globais, o facto de seres excluído torna-se ainda mais insuportável. As pessoas podem ver como os outros vivem, podem ver a prosperidade em outras partes do mundo. Esta exclusão desperta e invoca raiva e torna-se um factor de instabilidade e conflito", disse.

 

António Guterres referiu-se ainda àquele que deve ser um dos grandes desafios do seu mandato: os ataques crescentes ao multilateralismo vindos de políticos nacionalistas, como Donald J. Trump, que toma posse a 20 de Janeiro como presidente dos EUA.

 

"Este é o momento em que temos de afirmar o valor do multilateralismo. Este é o momento em que temos de reconhecer que apenas soluções globais podem resolver problemas globais e que a ONU é a pedra basilar dessa abordagem multilateral", afirmou.

 

"Quando olhamos para as grandes tendências mundiais, como o crescimento da população e o aquecimento global, vemos que os problemas se tornaram globais e que não há forma de serem resolvidos país por país", acrescentou.

 

Guterres disse ainda que não se deve "tomar nada como garantido" e que estes sentimentos "não são partilhados por muitas pessoas no mundo."

 

"Vemos em muitos países a crescente divisão entre opinião pública, governos e classe política. Também vemos em muitas partes do mundo, em relação a organizações internacionais como a ONU, resistência e cepticismo quanto ao papel que a ONU pode desempenhar", disse o sucessor de Ban Ki-moon. 

 

É por isso, explicou, que os funcionários da organização devem estar orgulhosos do seu trabalho e "reconhecer os seus feitos" na melhoria da qualidade de vida de pessoas em todo o mundo.

 

"Também precisamos reconhecer aquilo em que ficamos aquém, as nossas falhas, e reconhecer as situações em que não conseguimos ajudar, como deveríamos, as pessoas com quem nos preocupamos", disse, indicando erros, por exemplo, na resolução de conflitos e manutenção de paz.

 

Numa mensagem dirigida para a própria organização e os seus colaboradores, António Guterres referiu-se ainda à reforma institucional que pretende implementar.

 

"Precisamos livrar-nos deste colete-de-forças de burocracia que nos torna a vida tão difícil em tantas das coisas que fazemos", disse.

 

"Estes tempos vão ser desafiantes. Mas precisamos saber que não é suficiente fazer a coisa certa. Temos de ganhar o direito para fazer a coisa certa. E isto é algo que, claramente, precisamos fazer todos juntos", concluiu. 


A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 03.01.2017


Os FP/CGA devem mais de 30 mil milhões de € ao estado (aos restantes contribuintes).


Ladrões PS - PCP - BE - e seus apoiantes - ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


400 milhões de Euros para aumentar as pensões baixas, são migalhas em comparação com...


os mais de 4600 milhões de euros que o Estado vai injetar, em 2017 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o pagamento do buraco anual das pensões dos FP-CGA.


comentários mais recentes
pertinaz 03.01.2017

PARECE...... PICARETA FALANTE......

Anónimo 03.01.2017

Para o socialista correia de campos o BURROterres era tao bom a matematica q ia dar aulas a pretinhos dessa materia.A matematica era tao boa q nao foi capaz de saber contar os estadios para o europeu de 2004.Nao fugindo ao tema porque nao faz o milagreiro estadios em Alepo,a cidade esta barrida,FALS

Anónimo 03.01.2017


Os FP/CGA devem mais de 30 mil milhões de € ao estado (aos restantes contribuintes).


Ladrões PS - PCP - BE - e seus apoiantes - ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


400 milhões de Euros para aumentar as pensões baixas, são migalhas em comparação com...


os mais de 4600 milhões de euros que o Estado vai injetar, em 2017 (e injeta todos anos) através de transferências diretas do Orçamento do Estado (ou seja, com dinheiro pago em impostos pelos restantes portugueses) para assegurar o pagamento do buraco anual das pensões dos FP-CGA.


Belém 03.01.2017

O único milagre que vai fazer e encher o bolso a conta dos otarios que foi o que ele fez nos últimos 10 anos

pub