União Europeia Holanda nem precisa de governo para prosperar

Holanda nem precisa de governo para prosperar

A locomotiva económica holandesa avança a pleno vapor, com ou sem governo. O governo interino do primeiro-ministro Mark Rutte divulgou o orçamento para 2018, num momento em que o país cresce ao ritmo mais rápido da última década.
Holanda nem precisa de governo para prosperar
Reuters
Bloomberg 23 de setembro de 2017 às 18:00

Com um novo governo ainda a ser formado, mais de 185 dias após as eleições gerais holandesas, em Março - o segundo maior período desde a Segunda Guerra Mundial -, muitos vêem o forte desempenho como um indicador de que os sistemas implementados após a crise da dívida europeia, em 2008, estão a ajudar a proteger o país dos caprichos dos eventos internacionais e da incerteza política doméstica.

 

"Faz muita diferença que tenhamos um governo interino? Não, honestamente não", afirmou a economista-chefe da ING Groep, Marieke Blom. "Por enquanto, a economia está em boa forma. Existem coisas que podem ser melhoradas, mas a verdade é que não creio que sejam muito urgentes."

 

As preocupações comerciais após a eleição de Donald Trump nos EUA, o referendo do Brexit no Reino Unido e a incerteza em relação à votação em França pouco afectaram a economia holandesa, que cresceu 1,5% no segundo trimestre em relação aos três meses anteriores, superando as estimativas dos economistas. ING, ABN Amro Group e Rabobank elevaram as suas projecções de crescimento para o ano e esperam uma expansão superior a 3%.

 

Se os três maiores bancos holandeses estiverem certos, o crescimento económico dos Países Baixos este ano será maior do que o de França, de Itália, de Espanha, da Alemanha e da Zona Euro como um todo, segundo as projecções compiladas pela Bloomberg.

 

"Após alguns anos difíceis temos uma economia próspera e uma reserva saudável", afirmou o rei Guilherme Alexandre, num discurso em Haia, acrescentando que o país está numa posição muito melhor do que no início do segundo governo liderado por Rutte, em 2012. O rei atribuiu a melhora da economia à "adaptabilidade, ao trabalho árduo e à resiliência do povo holandês".

 

Empresas prósperas

 

Enquanto os políticos têm dificuldades para encontrar pontos comuns, a locomotiva económica do país avança. O aumento da idade de reforma e a redução dos benefícios de saúde ajudaram a colocar os Países Baixos à frente de outros países da União Europeia no que diz respeito à protecção da economia contra o envelhecimento populacional. O país precisa de mais reformas tributárias, mas "isto é algo para longo prazo", disse Blom.

 

Além disso, o stresse provocado pela crise financeira diminuiu, disse Hans Schenk, professor de economia da Universidade de Utrecht.

 

"As instituições financeiras recuperaram, um sinal importante para outras empresas de que podem ter confiança suficiente na economia para impulsionar os investimentos", disse o mesmo responsável.

 

O Estado holandês, que nacionalizou as instituições financeiras durante a crise, reduziu este ano a sua participação no ABN Amro e vendeu a sua participação na seguradora ASR Nederland NV.

 

Motores da economia holandesa, sectores como tecnologia e ciências da saúde, com empresas como Royal Philips, NXP Semiconductors e Royal DSM, têm prosperado. Durante o Verão, a Philips anunciou uma série de aquisições, incluindo a compra da Spectranetics por 1,7 mil milhões de dólares, a sua terceira maior aquisição no sector da saúde.

 




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