Saúde Homens e fungos estão a uma distância de 6.000 genes

Homens e fungos estão a uma distância de 6.000 genes

Uma equipa de investigadores em Espanha identificou os genes que distinguem os mamíferos de outras classes de animais. E há 50 genes que são exclusivos do Homo sapiens.
Homens e fungos estão a uma distância de 6.000 genes
Carla Pedro 10 de dezembro de 2017 às 11:00

"Os 6.000 genes que nos separam de um lagarto", titula o El País. Como assim? Pois... é isso mesmo. Dos cerca de 20.000 genes que compõem o genoma humano, há perto de 6.000 que marcam a diferença entre o Homo sapiens e outros seres vivos não mamíferos, sublinha o jornal espanhol, destacando a descoberta feita por uma equipa de investigadores do Instituto Hospital do Mar de Investigações Médicas (IMIM) de Barcelona, em colaboração com o Departamento de Ciências Experimentais e da Saúde da Universidade Pompeu Fabra (UPF).

 

Os investigadores analisaram o genoma já sequenciado de 68 mamíferos, entre eles o Homo sapiens e o lince ibérico, e cruzaram-nos com os de 30 espécies de fungos, répteis, plantas e peixes, entre outros. E a conclusão foi que há cerca de 6.000 famílias de genes no ser humano que não se encontram num lagarto, num pássaro, numa planta ou num fungo, por exemplo.

 

São, assim, genes exclusivos dos mamíferos – ou seja, que não estão presentes noutras espécies sem pelo. Nos seres humanos, calcula-se que representam 2,5% dos genes que codificam proteínas.

 

Os geneticistas e cientistas do ramo da biologia evolutiva referem ainda, no comunicado na página online do IMIM, que o Homo sapiens conta com 50 genes exclusivos que não surgem em qualquer outro mamífero.

 

Os 6.000 genes que apenas se podem encontrar nos mamíferos são novos, mais curtos, mas activos, concluiu a equipa de investigadores, liderada por José Luis Villanueva-Cañas, do grupo e investigação em genónima evolutiva do IMIM.

 

Com efeito, parte destes genes têm uma origem ‘de novo’ [de origem, não herdados], pelo que não provêm da duplicação de genes já existentes. "Os genes de ‘novo’ são importantes para se adquirir novas funções durante a evolução", sublinham.

 

Além de não serem herdados, também são curtos. Ou seja, "fazem proteínas pequenas e é possível que isso tenha a ver com o facto de terem aparecido há pouco tempo na evolução. São estruturas simples, com poucos aminoácidos", referiu ao El País uma das investigadoras, M. Mar Albà. Por "pouco tempo", a geneticista refere-se a cerca de 100 milhões de anos, "uma idade jovem em termos evolutivos".

 

A investigação conseguiu identificar a função de alguns destes genes, relacionada com a forma como se estrutura a pele dos mamíferos e com o porquê de esta ser diferente, por exemplo, da pele dos répteis, bem como com a forma como participam nas glândulas mamárias. 

O estudo foi publicado na revista Genome Biology and Evolution.




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