A bolsa espanhola abriu em baixa, mas inverteu para terreno positivo e teve o melhor desempenho da Europa depois avançada a possibilidade de Madrid pedir já amanhã ajuda externa.

Nas últimas semanas, os mercados espanhóis têm estado sob forte pressão devido aos apuros do país, sobretudo no sector financeiro, o que tem multiplicado as previsões de que vai ter de haver intervenção externa.
Na bolsa, o índice
IBEX-35 quebrou mesmo a barreira psicológica dos 6.000 pontos, quando no início desta semana abriu a valer 5.998,90 pontos. O elevado desemprego, o endividamento das regiões autónomas, a pressão no mercado da dívida, tudo tem contribuído para penalizar a praça madrilena.
Nas últimas sessões, o Ibex-35 registou uma subida tímida, a conta-gotas, mas hoje voltou a abrir em baixa. A situação, contudo, mudou pouco depois, assim que a Reuters avançou - citando duas fontes de Bruxelas e uma do
Governo alemão – que Espanha poderá pedir ajuda já amanhã.
Perante a perspectiva de alívio do sector financeiro, o Ibex-35 encerrou a ganhar 1,77%, para 6.552 pontos, tendo sido a bolsa europeia com melhor desempenho.
Após a Reuters, também a Bloomberg e o “Financial Times” avançaram com informações no mesmo sentido, apesar de o governo liderado por Mariano Rajoy continuar a insistir que não tomará qualquer decisão antes dos resultados da avaliação aos seus bancos por parte do FMI e de duas consultoras independentes, a Roland Berger e a Oliver Wyman. O relatório do Fundo Monetário Internacional é divulgado na próxima segunda-feira e o das consultadoras no dia 21.
Na passada quarta-feira, o “Financial Times” referiu, citando fontes ligadas ao processo, que os líderes europeus estavam a ponderar a possibilidade de avançarem com um programa de resgate a Espanha, que visa uma ajuda específica ao sector bancário e que imporá condições mais limitadas a Madrid do que a Lisboa,
Atenas ou
Dublin. Ou seja, a contrapartida não seria tão austera quanto a que foi exigida aos três países já intervencionados: Grécia, Irlanda e Portugal.
Segundo, o “FT”, a eventual assistência a Espanha poderá não se revestir dos mesmos moldes que a ajuda dada aos três países actualmente intervencionados e que estão a cumprir medidas de austeridade no âmbito do programa de ajuste definido com a troika –
Comissão Europeia,
BCE e
FMI.
Um dia antes, o ministro espanhol do Orçamento, Cristobál Montoro, disse que as instituições europeias deveriam ajudar a recapitalizar as entidades espanholas de concessão de crédito, tendo essa sido a primeira vez que Espanha pediu declaradamente
ajuda externa para combater a
crise financeira que vive actualmente.
Uma das questões que se coloca é que o actual tratado europeu não prevê ajuda directa aos sistemas bancários nacionais, mas sim aos Estados-membros. A Alemanha lidera o grupo dos países que não querem ver este requisito alterado, mas na terça-feira – em reunião de emergência do G-7, através de videoconferência – acedeu em ponderar na criação de uma autoridade europeia de supervisão bancária [que seria imprescindível para regular os bancos resgatados, tal como hoje faz a troika com os programas de ajuste dos países intervencionados].