Imobiliário Imobiliário fala em "tragédia" com agravamento fiscal do OE

Imobiliário fala em "tragédia" com agravamento fiscal do OE

"Que sinal é que estamos a dar ao estrangeiro", pergunta Luís Lima. O sector do imobiliário prepara-se para um novo imposto. Sem impacto imediato mas que pode manchar a reputação de um país onde era a "árvore das patacas".
Imobiliário fala em "tragédia" com agravamento fiscal do OE
Miguel Baltazar/Negócios
Wilson Ledo 18 de Outubro de 2016 às 18:16

O presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Luís Lima, defendeu que o cenário de instabilidade fiscal no sector imobiliário é uma "tragédia autêntica".

 

Em causa está um novo imposto sobre o património imobiliário acima dos 600 mil euros, medida que consta na proposta do Orçamento do Estado para 2017. Num sector onde a confiança conta na hora de fechar negócio, Luís Lima pergunta: "que sinal é que estamos a dar aos estrangeiros?"

 

O responsável falava esta terça-feira, 18 de Outubro, na segunda edição do Observatório: O Imobiliário em Portugal, uma iniciativa conjunta do Negócios e da Century 21.

 

"Não acredito que vá para a frente. Isto é uma tragédia para nós. Até para o comércio e serviço", reforçou, lembrando que a APEMIP gostaria de ter sido ouvida pelo Governo de António Costa antes de se ter avançado com este novo imposto.

 

A perspectiva é que o investimento estrangeiro em imobiliário português – um "sector que é a árvore das patacas" - atinja a fasquia dos quatro mil milhões de euros, com os estrangeiros a protagonizar uma em quatro operações. "Sempre ouvi dizer: sem palhaço não se faz a festa", compara.

 

O impacto ainda não se faz sentir, até porque só se estão a assinar negócios que já vêm de três ou quatro meses, anteriores à nova medida. "Nos negócios de maior valor está a afectar, o que não quer dizer que não se façam", perspectiva.

 

Luís Lima recorda a injustiça do novo imposto para um país marcado por assimetrias: "Lisboa e Porto é uma coisa. O resto do país não é bem assim. E vai-se criar um novo imposto?"

 

Também o sócio da PricewaterhouseCoopers (PwC) Jorge Figueiredo acredita que o novo cenário de impostos sobre o sector imobiliário não afectará por aí além. Quanto muito poderá adiar a decisão de investir.

 

"Tudo o que é discutido aqui, sabe-se lá fora. Os estrangeiros só não sabem se estiverem muito distraídos", avisou. A maioria do investimento estrangeiro no imobiliário português continua a ser protagonizado por fundos de investimento, sobretudo norte-americanos.

 

Isto numa altura em que se tem assistido a uma recuperação do crédito bancário concedido para este fim. "Não se vai fazer na dimensão, escala e velocidade que se fez no passado, em que se acreditou num retorno demasiado rápido dos investimentos", completou Manuel Puerta da Costa, administrador da BPI Gestão de Activos.




A sua opinião4
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Os vossos amigos da austeridade obrigaram a classe média a vender tudo ao desbarato para depois inflacionarem e venderem nos golden visas... quando os vossos amigos faliram a banca nunca falaram em exemplos lá para fora ... agora é que estão preocupados ...

Anónimo Há 2 semanas

Os vossos amigos da austeridade obrigaram a classe média a vender tudo ao desbarato para depois inflacionarem e venderem nos golden visas... quando os vossos amigos faliram a banca nunca falaram em exemplos lá para fora ... agora é que estão preocupados ...

Anónimo Há 2 semanas

COITADOS:a gerigouca e como o touro da a marrada onde calha.no orcamento ainda em curso ilodiram os radicais ao prometerem segui-los a linha.O do proximo ano vao tentarem fazer o mesmo,mas desta vez com a EU.Vamos ver quem vao ser os proximos.

acima de 1 milhão não pagavas? Há 2 semanas

"Sempre ouvi dizer: sem palhaço não se faz a festa" - Querias festa, e os outros (PAGANTES de IMPOSTOS) que fossem os palhaços! "Noutros" tempos acima de 1 milhão não pagavas? Queres festa? Faz de palhaço!

pub