Autarquias "Inaceitável, unilateral, ineficaz": turismo contra proibição de autocarros em Lisboa

"Inaceitável, unilateral, ineficaz": turismo contra proibição de autocarros em Lisboa

Há uma semana, a Câmara Municipal de Lisboa anunciava a proibição de circulação de autocarros no centro da cidade. Uma semana depois, a medida começa a entrar em vigor, com transportadores, agências de viagem e guias-intérpretes indignados pela forma como o processo foi conduzido, escreve o Público.
"Inaceitável, unilateral, ineficaz": turismo contra proibição de autocarros em Lisboa
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios 01 de agosto de 2017 às 09:21

É já esta terça-feira, 1 de Agosto, que os autocarros turísticos ocasionais passam a estar proibidos de circular nas zonas centrais de Lisboa, mas os operadores não se conformam. Dos transportadores às agências de viagem, passando pelos guias intérpretes, acusa-se a autarquia de ter tomado uma decisão em cima do joelho, sem ter ouvido ninguém e sem dar oportunidade de adaptação a quem trabalha.

Para a Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP), citada pelo jornal Público, é "inaceitável" que o presidente, Fernando Medina, não os tenha ouvido sobre a implementação uma medida que praticamente não dá tempo de adaptação às empresas. "Os serviços para os meses de maior procura já foram contratados há meses e não vão ser alterados em cima da hora", referiu a associação em comunicado.

Posição idêntica têm os agentes de viagem, que já têm contratos assinados até ao final do ano que prevêem que os turistas fiquem alojados na zona da baixa. Ao Público, uma agente de viagens acusa a autarquia de ter tomado uma decisão "unilateral" e "irreal", dada a dificuldade que é transportar turistas que viajam em grupo para congressos ou eventos em carrinhas de nove lugares.

Igualmente crítica é a Associação Portuguesa de Guias Interpretes e Correios de Turismo (AGIC), que ao Público alerta para o facto de muitos turistas que visitam o eixo Castelo/Sé terem mobilidade reduzida.

No centro da polémica está a decisão da Câmara de Lisboa de limitar a circulação e autocarros de serviço ocasional num conjunto de zonas da cidade. Em Agosto entra em vigor a proibição de circulação na zona do Castelo e Sé; em Setembro a proibição alarga-se para o eixo Cais do Sodré/Rato; e, a médio prazo, poderá estender-se a um perímetro que vai da Infante Santo/Estrela/Rato/Rua Alexandre Herculano, Praça o Chile/Santa Apolónia.

A intenção de Fernando Medina foi anunciada na semana passada tendo apanhado os operadores desprevenidos.




A sua opinião9
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
pertinaz 01.08.2017

A DITADURA TAMBÉM DECIDIA ASSIM

ESTAMOS NOVAMENTE A VIVER EM DITADURA, POR ISSO É NORMAL

Jorge Azevedo 01.08.2017

100% de acordo com a medida. Só quem gosta do caos pode estar contra esta medida, quem julga que a cidade existe par se sugar lucro sem se preocupar com a qualidade do serviço que presta e com a qualidade de vida de quem a habita. Será que estão convencidos de que os turistas gostam do caos?

Papão 01.08.2017

A medida chega tarde. No centro de Lisboa e bairros históricos, só deveriam ser permitidos autocarros de turismo com o máximo de 12 lugares. E quando vão disciplinar as cargas e descargas? Essa situação é muito pior do que a dos autocarros de 52 lugares.

Jorge 01.08.2017

Os autocarros têm vindo a crescer, dado que são muito bem alimentados. Na Lisboa antiga, Alfama, Castelo, etc. circulam em muito más condições, para eles e para os peões . Parece-me uma boa medida, que, aliás é igual em qualquer cidade com zona medieval, como Toledo ou Segóvia.

ver mais comentários
pub