Cultura "Incêndios" e "cativação" entre as candidatas a palavras do ano  

"Incêndios" e "cativação" entre as candidatas a palavras do ano  

De "afecto" a "vencedor", passando por "crescimento" e "cativação", a lista das dez palavras candidatas a "Palavra do Ano" está disponível a partir de hoje em www.palavradoano.pt, para votação até 31 de Dezembro.
"Incêndios" e "cativação" entre as candidatas a palavras do ano  
Lusa 01 de dezembro de 2017 às 07:44

A Porto Editora (PE), que promove a iniciativa desde 2009, afirma em comunicado que a escolha dos dez vocábulos teve como "base as propostas feitas através do 'site', e o trabalho de observação e acompanhamento da realidade da Língua Portuguesa, tanto nos meios de comunicação e redes sociais, como no registo de consultas nos dicionários 'online' e 'mobile'".

 

No dia 04 de Janeiro próximo será conhecida a "Palavra do Ano", escolhida entre a seguinte lista de dez vocábulos: "afecto", "cativação", "crescimento", "desertificação", "floresta", "gentrificação", "incêndios", "independentista", "peregrino" e "vencedor".

 

A escolha da palavra "afecto" é justificada pela acção do Presidente da República. "Marcelo Rebelo de Sousa tem exercido o seu mandato com um singular grau de proximidade e afectividade para com os portugueses, o que já lhe valeu o epíteto de Presidente dos Afectos", afirma o grupo editorial.

 

Quanto à escolha de "cativação", afirma a PE, que, "com o objectivo de manter o défice abaixo dos valores definidos com a União Europeia, cativação tornou-se numa palavra muito visível -- algo controversa --, na estratégia orçamental do Governo".

 

"Crescimento" é uma palavra que "há bastante tempo não era usada para definir o comportamento da economia portuguesa, facto que foi notório ao longo do ano".

 

"Desertificação", por seu turno, foi um vocábulo "muito por força das circunstâncias, que ganhou especial atenção nas discussões públicas e no espaço mediático".

 

"A enorme quantidade de área ardida demonstrou a necessidade de adoptar novas estratégias para o ordenamento florestal em Portugal", e daí a escolha da palavra "floresta", muito ouvida e usada durante este ano.

 

"Gentrificação" é outro termo escolhido, um vocábulo de origem anglo-saxónica, que remete para o fenómeno que afecta uma cidade ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, numa procura de valorização, mas que afecta a população local.

 

"O aumento do turismo tem posto em evidência novos desafios e novas realidades, como a gentrificação, que se faz sentir nas principais cidades do país", justifica a PE.

 

A palavra "incêndios" foi escolhida por causa dos "sucessivos incêndios que se fizeram sentir durante este ano em todo o país; 2017 foi um dos anos mais trágicos de sempre, pela enorme quantidade de vítimas e pela dimensão da área atingida".

 

"A pretensão de independência da região espanhola da Catalunha tem sido seguida com particular atenção pelos portugueses", e daí a escolha do termo "independentista"

 

"A propósito do centenário das aparições em Fátima, este ano, e do número excepcional de peregrinos, 'peregrino' foi uma das palavras mais usadas este ano".

 

"Pela primeira vez, e de forma surpreendente, Portugal foi o país vencedor do Festival Eurovisão da Canção, sendo de sublinhar o entusiasmo e o carinho que o cantor Salvador Sobral despertou junto dos portugueses", daí a PE ter escolhido como "vencedor", a 10.ª palavra que fecha a lista posta a partir de hoje, e até 31 de Dezembro, a votação.

 

Esta é a nona edição da "Palavra do Ano", que tem "como principal objectivo sublinhar a riqueza lexical e o dinamismo criativo da Língua Portuguesa, património vivo e precioso de todos os que nela se expressam, acentuando, assim, a importância das palavras e dos seus significados na produção individual e social dos sentidos com que vamos interpretando e construindo a própria vida", afirma a PE.

 

"Esmiuçar" foi a palavra do ano de 2009, em 2010, "vuvuzela", à qual sucedeu, em 2011, "austeridade" e, em 2012, "entroikado".

 

Os incêndios de 2013 levaram à escolha da palavra "bombeiro", como reconhecimento do esforço destes efectivos, profissionais e voluntários, e, no ano seguinte, 2014, a palavra escolhida foi "corrupção", à qual sucedeu, em 2015, "refugiado" e, no ano passado, "geringonça".




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