Política Incêndios: Governo prepara pacote de medidas para matas nacionais

Incêndios: Governo prepara pacote de medidas para matas nacionais

O Governo vai preparar um pacote de medidas para as matas nacionais afectadas pelos incêndios, que passa pela elaboração de um relatório de ocorrências, por um programa de intervenção e pela aplicação da receita da madeira nessas matas.
Incêndios: Governo prepara pacote de medidas para matas nacionais
Lusa 19 de outubro de 2017 às 07:39

O secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, explicou à agência Lusa que poderá ser publicado ainda hoje em Diário da República o despacho a solicitar ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que apresente, no prazo máximo de quatro meses, um conjunto de medidas a implementar nas matas públicas nacionais atingidas pelos incêndios de domingo e segunda-feira, em Portugal, que causaram, pelo menos, 42 mortos.

"É fundamental que o ICNF nos apresente um plano de financiamento, sendo que o princípio daquilo que pretendemos é que as verbas que saiam da venda da madeira dessas matas sejam investidas em cada uma dessas matas. A ideia é que essa receita é para investir nas matas públicas que foram afectada pelos incêndios, para lá das candidaturas que foram feitas ao PDR [Programa de Desenvolvimento Rural] 20/20", afirmou o secretário de Estado das Florestas.

O Governo quer também que o ICNF elabore um relatório de ocorrências de incêndios que afetaram as matas nacionais de Leiria, de Pedrógão (distrito de Leiria), do Urso (Figueira da Foz), das Dunas de Quiaios (Figueira da Foz), da Covilhã e da Margaraça (Arganil, distrito de Coimbra).

"Estas foram as matas mais afectadas pelos incêndios e queremos uma avaliação rigorosa dos prejuízos e danos que aconteceram no património florestal e edificado", afirmou o governante.

O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural pretende que seja ainda apresentado um programa de intervenção para o conjunto das matas públicas que indique, primeiro, o plano de corte, "fundamental" para que o Governo possa tomar decisões, acrescentado que praticamente todas estas matas produzem pinho.

O plano de corte deve contemplar, designadamente, que árvores é que devem ser cortadas, como será feito o corte ao logo do tempo, as áreas que vão ser conservadas ou aquelas que venham a ter madeira de qualidade.

"Por outro lado, queremos também que sejam alterados os planos de gestão florestal. Que os planos de gestão florestal se adequem às novas realidades. Temos matas onde a floresta é muito antiga e nesta altura pode haver objectivos, nomeadamente objectivos de segurança, que podem levar a que possamos diversificar as espécies que temos nestes territórios", sublinhou o secretário de Estado.

"É evidente que predominará sempre o pinheiro bravo, pois estamos a falar de solos muito pobres, em praticamente todas estas matas, mas, de qualquer maneira, há hoje novas soluções que queremos que o ICNF estude e [que] nos apresente", disse.

 

O secretário de Estado das Florestas frisou que, assim que o despacho for publicado, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) "começa a trabalhar" neste dossiê.

"A ideia é que o conjunto destes documentos estejam prontos em quatro meses. Temos intenção de, depois de termos este trabalho feito, fazer uma discussão pública sobre este trabalho nos territórios afectados. Naturalmente, o plano de corte será aquele que é prioritário, porque eu preciso de fazê-lo muito rapidamente, [mas] cada uma destas peças terá um tempo dentro destes quatro meses", declarou Miguel Freitas.

Os incêndios de domingo queimaram, segundo uma estimativa do presidente da Câmara da Marinha Grande, cerca de 80% da área do Pinhal de Leiria.

 




A sua opinião3
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
Anónimo Há 4 dias

BEM SEI QUE TUDO LEVA TEMPO. MAS 4 MESES PARA O LEVANTAMENTO DAQUILO QUE ATÉ UM LEIGO JÁ SABE O QUE FAZ FALTA?! É ASSIM QUE SE PERDE O TEMPO E AS SOLUÇÕES SE ARRASTAM ATÉ TUDO FICAR CALMO PARA QUE NADA SE FAÇA. CRIE-SE UM GRUPO DE TRABALHO COM OBJECTIVOS DEFINIDOS E REUNEM COM QUEM SABE DE FLORESTA.

Anónimo Há 4 dias

O genocidio das matas e florestas Portuguesas começou nos anos 30 do seculo vinte, e desde essa epoca até á presente data tem tido o "devido" seguimento pelos regimes politicos e partidos, do mais á esquerda ao mais á direita, todos coniventes com esta situação...abram os olhos!!

Anónimo Há 4 dias

O actual governação genocida é resultado de Portugal ter atingido o nível mais baixo de investimento público em percentagem do PIB desde 1960, numa altura em que tão grandes transformações nas sociedades, assentes no capital com elevada incorporação de tecnologia que poupa grandemente em factor trabalho elevando a produtividade, a competitividade, a eficiência e a economia de produtos, tarefas e processos, se está a dar em toda a parte. A assinatura de mais este triste descalabro, claro está, é a do PS e da sua geringonça das esquerdas unidas.

pub