Conjuntura INE: Brexit ameaça vendas de maquinaria, vestuário e óptica

INE: Brexit ameaça vendas de maquinaria, vestuário e óptica

O Reino Unido continua a ser o quarto destino das exportações nacionais de mercadorias, o que traduz um risco para as vendas de Portugal ao exterior no contexto da saída do país da União Europeia, avisa o INE.
INE: Brexit ameaça vendas de maquinaria, vestuário e óptica
Neil Hall/Reuters
Rui Peres Jorge 10 de julho de 2017 às 12:35
As exportações portuguesas de mercadorias para o Reino Unido cresceram 7% no primeiro trimestre em termos homólogos, um valor inferior ao crescimento médio das exportações (17,1%), mas superior ao crescimento de 2016 (5,5%). O balanço é feito pelo INE na sua nota mensal sobre comércio internacional de mercadorias, e é apresentado como um contributo para uma melhor avaliação dos riscos do Brexit para Portugal. O Reino Unido é o quarto principal destino das mercadorias nacionais vendidas ao exterior, destacando-se o seu peso em produtos como instrumentos de precisão e óptica, meias, t-shirts e fatos, ou aparelhos de radiodetecção, radiosondagem, radionavegação e radiotelecomando.

"No 1.º trimestre de 2017, as exportações de bens para o Reino Unido aumentaram 7,0%, em comparação com o mesmo período de 2016, crescimento inferior ao verificado para o total das exportações de bens (+17,1%). Ainda assim, o mercado britânico permaneceu neste período como o 4.º maior destino, com um peso de 6,7%, sendo apenas superado por Espanha, França e Alemanha", lê-se na nota do instituto, que faz também o balanço de 2016: "o Reino Unido, tradicionalmente um dos principais destinos para os bens nacionais, manteve-se como o 4.º principal mercado em 2016, com um peso de 7,0%. As exportações para este mercado totalizaram 3.540 milhões de euros, correspondendo a um aumento de 5,5% face ao ano anterior e que representa um maior dinamismo face à evolução global registada de +1,0%".

O INE nota que as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia ainda estão no início, pelo que não se conhecem os termos do divórcio, mas avisa que "um acesso diferenciado do Reino Unido ao Mercado Único Europeu, com o eventual estabelecimento de tarifas alfandegárias nas transacções de bens entre o Reino Unido e a UE, a desvalorização da libra face ao euro, o clima de incerteza, assim como a possível contracção da economia e do consumo britânico, poderão afectar as exportações portuguesas".

Óptica e precisão, maquinaria e vestuário são sectores mais expostos

As empresas dos sectores de óptica e precisão, maquinaria (em particular a aparelhos eléctricos de sinalização acústica e visual e aparelhos de radiodetecção, radiosondagem, radionavegação e radiotelecomando) e vestuário (com destaque para meias, t-shirts e camisolas interiores, e fatos) são as mais expostas a perturbações nas exportações, pelo menos considerando o peso que o Reino Unido tem nas vendas ao exterior por empresas nacionais, mostra o INE.

"No 1.º trimestre de 2017, o Reino Unido detinha um peso muito superior nas exportações de produtos de óptica e precisão (11,7%) em comparação com o peso do mercado britânico nas exportações totais portuguesas (6,7%), à semelhança do registado nos períodos homólogos dos dois anos anteriores. Apenas os mercados alemão e espanhol superavam a importância do Reino Unido nas exportações deste tipo de bens, com pesos de 23,4% e 16,1%, respectivamente", escrevem os técnicos do instituto, que destacam o peso dos "Contadores, indicadores de velocidade e tacómetros e estroboscópios" (que tiverem o Reino Unido como principal destino no primeiro trimestre, com 25,6% do mercado) e das "Fibras ópticas e feixes de fibras ópticas, cabos de fibras ópticas" (cujo principal destino de exportação foi a França, logo seguida do Reino Unido, responsável por 23,2% do mercado).

Em relação à maquinaria o INE destaca o "o elevado peso (e valor significativo) do Reino Unido nas exportações de ’Aparelhos eléctricos de sinalização acústica ou visual, e suas partes’ e de ‘Aparelhos de radiodetecção e de radiossondagem, de radionavegação e de radiotelecomando’, tendo atingido pesos de 69,5% e 54,6%, respectivamente".

No vestuário, "o mercado britânico registou um peso superior nas exportações (9,3%), quando comparado com o peso deste mercado nas exportações totais, tal como no 1º trimestre dos dois anos anteriores. Neste grupo de produtos o Reino Unido foi o 4.º principal destino, dado que Espanha, França e Alemanha detinham maior relevância (pesos de 41,5%, 13,3%, 9,5% respectivamente)", diz o INE, que destaca o peso de 15,4% nas meias, de 11,4% nas t-shirts e camisolas interiores, e de 9,3% nos fatos.

Balança comercial favorável
Perturbações nas vendas para o Reino Unido poderão prejudicar um dos mercados com os quais Portugal consegue registar um excedente comercial em mercadorias – no ano passado foi aliás o maior excedente entre todos os parceiros comerciais, numa balança que em termos agregados é tendencialmente deficitária. 

"O saldo da balança comercial de bens com o Reino Unido, tradicionalmente favorável a Portugal, atingiu 1.651 milhões de euros em 2016, o que representa um aumento em 189 milhões de euros face ao ano anterior e o maior excedente na globalidade dos países", lê-se na nota do INE que destaca que no primeiro trimestre deste ano, "registou-se um aumento de 47 milhões de euros [em termos homólogos], para um excedente comercial de 453 milhões de euros, enquanto na globalidade dos países se verificou uma evolução desfavorável de aumento do défice global. Neste período, somente as transacções de bens com a França e os Estados Unidos registaram maiores excedentes".



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