Conjuntura Inflação em máximos de mais de quatro anos

Inflação em máximos de mais de quatro anos

A inflação subiu para valores próximos mas abaixo dos 2%, em Abril, mês marcado pela Páscoa. Excluindo as componentes mais voláteis, os preços ficaram em máximos de cinco anos.
Inflação em máximos de mais de quatro anos
Paulo Zacarias Gomes 11 de maio de 2017 às 11:09

Os preços no consumidor aumentaram 1,98% no mês de Abril em relação ao mesmo mês do ano anterior, uma subida em relação aos 1,37% registados um mês antes, anunciou esta quinta-feira, 11 de Maio, o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Esta é a variação homóloga mais elevada desde Dezembro de 2012 (quase quatro anos e meio), mês em que os preços tinham registado um avanço anual de 1,92%.

A puxar pelos preços estiveram subidas nas classes de restaurantes e hotéis (mais 5,7% em termos homólogos), num mês marcado pela Páscoa, lazer e cultura (2,7%) e transportes (4,6%). 

"Para este resultado contribuem os aumentos de preços das viagens e estadias em hotéis, em consequência do feriado móvel da Páscoa, e cujo impacto tenderá a dissipar-se. Relembre-se que, em 2017, a Páscoa ocorreu em Abril, enquanto em 2016 ocorreu em Março," justifica o INE. 

Já o índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) subiu 2,4%, um reforço de 1 ponto percentual face à variação homóloga de Março. O instituto nota que o valor é 0,5 pontos percentuais superior ao estimado pelo Eurostat para a Zona Euro.

Excluindo os produtos alimentares não-transformados e a energia (inflação subjacente), a variação homóloga subiu 1,1 pontos percentuais face a Março, para os 1,7%, o valor mais elevado em cinco anos (Abril de 2012).

A evolução homóloga dos preços destas duas componentes abrandou de Março para Abril: o índice dos produtos energéticos avançou 3,5% (contra 4,7% em Março) e os alimentares não transformados subiram 2,8% (contra 4,2% um mês antes).

Os 1,98% de variação homóloga registados em Abril estão em linha com a meta do mandato de estabilidade de preços do Banco Central Europeu para a Zona Euro, que estabelece um objectivo próximo mas abaixo dos 2% - e para o qual concorrem os estímulos actualmente em curso por parte daquela autoridade, como a redução das taxas de juro e o programa de compra de activos. 

Os dados do Eurostat para a Zona Euro, conhecidos a 28 de Abril, já sinalizavam uma retoma dos preços, com uma subida para 1,9%.

(Notícia actualizada às 11:35 com mais informação)


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mais votado Anónimo Há 1 semana

A manutenção de juros baixos, que é uma medida perfeitamente aceitável no contexto inerentemente deflacionista (aumentavam-se juros no passado, por vezes tremendamente, para combater a inflação em economias "sobreaquecidas") das economias avançadas do mundo desenvolvido motivado pelo progresso da tecnologia e o preço decrescente das matérias-primas, tem de ser encarado como resultado do corrente processo de substituição de factor produtivo trabalho por factor produtivo capital. Dito isto, estes juros baixos servem como incentivo a este processo de substituição. Economias que usam este incentivo e esta conjuntura para se sobreendividarem por via do excedentarismo, da remuneração excessiva e injustificável de factor trabalho muito acima do preço de mercado e portanto encetando um caminho oposto ao processo de substituição descrito anteriormente estão a criar e a adensar futuros problemas de equidade e sustentabilidade para as suas populações. E não há dúvida que a portuguesa é uma delas.

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Anónimo Há 1 semana

A manutenção de juros baixos, que é uma medida perfeitamente aceitável no contexto inerentemente deflacionista (aumentavam-se juros no passado, por vezes tremendamente, para combater a inflação em economias "sobreaquecidas") das economias avançadas do mundo desenvolvido motivado pelo progresso da tecnologia e o preço decrescente das matérias-primas, tem de ser encarado como resultado do corrente processo de substituição de factor produtivo trabalho por factor produtivo capital. Dito isto, estes juros baixos servem como incentivo a este processo de substituição. Economias que usam este incentivo e esta conjuntura para se sobreendividarem por via do excedentarismo, da remuneração excessiva e injustificável de factor trabalho muito acima do preço de mercado e portanto encetando um caminho oposto ao processo de substituição descrito anteriormente estão a criar e a adensar futuros problemas de equidade e sustentabilidade para as suas populações. E não há dúvida que a portuguesa é uma delas.

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