Economia Investigadores da UTAD defendem aposta em "árvores bombeiras" para travar incêndios

Investigadores da UTAD defendem aposta em "árvores bombeiras" para travar incêndios

Investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) dizem que Portugal deve apostar mais em "árvores bombeiras" para reflorestar o território porque são espécies que resistem e travam os incêndios. Esta solução permitirá, a longo prazo, limitar o flagelo dos incêndios, afirmam.
Investigadores da UTAD defendem aposta em "árvores bombeiras" para travar incêndios
Carlos Barroso/CM
Lusa 24 de setembro de 2016 às 18:14

Os bidoeiros, carvalhos e castanheiros estão entre as principais "árvores bombeiras" porque são árvores folhosas que mantêm o ambiente "relativamente" húmido e abrigado do vento durante o verão, revelaram investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) em comunicado enviado à Lusa.

 

"Durante o Verão estão verdes, por isso, ardem com mais dificuldade e, por outro lado, produzem uma folhada que ao acumular-se no solo é pouco inflamável e se decompõe com facilidade, ou seja, cai no Outono e quando chega o Verão grande parte decompõe-se", disse o investigador e também docente da universidade, Paulo Fernandes.

 

E explicou: "Não há ali muito alimento para o fogo e, frequentemente, os incêndios ou param por si só, extinguindo-se ao entrar nas manchas, ou ardem com pouquíssima intensidade sem causar danos às árvores".

 

Paulo Fernandes salientou que é "raríssimo" encontrar um fogo cuja origem ocorra numa área com estas espécies e, quando acontece, as árvores mantêm-se verdes.

 

As "árvores bombeiras" encontram-se sobretudo no norte e centro do país, frisou. "O problema que se levanta é o da qualidade do solo. Aquelas espécies são mais exigentes, requerem locais de solo mais fresco, de melhor qualidade é por isso que, normalmente, ocupam vales, zonas onde há mais solo e mais humidade", esclareceu.

 

O investigador da UTAD adiantou que para zonas com "piores" condições de solo há "sempre" espécies que embora ardam com maior facilidade conseguem recuperar, sendo o caso do sobreiro.

"No extremo temos aquelas espécies que ardem muito bem como, por exemplo, os eucaliptos e os pinheiros. A natureza da espécie impõe o fogo e com a acumulação de biomassa há sempre um potencial risco", explicou.

 

Para o especialista, uma das respostas assenta na "gestão de combustível", através da limpeza dos espaços mantendo o subcoberto livre de mato e eliminando parte da manta-morta. "Consegue-se limitar o efeito do fogo, mas à custa de trabalho, esforço de limpeza e intervenção", realçou.

 


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Anónimo Há 1 semana

ainda que cobrassem um valor razoável aos proprietários, pois tratando o pessoal em conjunto seria viável e os proprietários pagariam de acordo com a sua área. Pessoas que estão no Porto, Lx e até no estrangeiro não têm qualquer possibilidade de o fazerem e como disse muitas vezes nem sabem onde são

Anónimo Há 1 semana

Os Novos foram-se embora, há largos anos e hoje herdaram terrenos que nem sabem onde são sequer. Numa aldeia há um grande mata que a única pessoa que sabia quem eram os herdeiros, (vários) era cega e já faleceu. As juntas que conhecem bem os terrenos deviam fazer as limpezas ainda que

Anónimo Há 1 semana

Cont...ou não multariam um desgraçado que tinha a casa abafada pelo mato e teve a ousadia de limpar o caminho e teve que cortar um arvorezita com 16.000 euros. As aldeias estão desertificadas, os velhos já não podem limpar e tmb não podem pagar, pois um homem leva no mínimo 50 euros ao dia.

Anónimo Há 1 semana

A culpa dos eucaliptos, á única e simplesmente ideológica pk é a iniciativa privada que os plantas e por isso é um alvo a abater. O problema é cingirem-se aos gabinetes e as coisas serem dirigidas por pessoas totalmente incompetentes que percebem tanto de agricultura como eu. (continua..)

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