Conjuntura Investimento directo estrangeiro em Portugal em máximos de 20 anos

Investimento directo estrangeiro em Portugal em máximos de 20 anos

O investimento alemão, criando um total de 265 postos de trabalho, foi maioritariamente ligado a actividades de manufactura, refere um estudo da EY.
Investimento directo estrangeiro em Portugal em máximos de 20 anos
Autoeuropa
Lusa 23 de maio de 2017 às 08:40
Portugal conseguiu captar o maior valor de investimento directo estrangeiro dos últimos 20 anos, segundo dados hoje divulgados pelo Inquérito à Atractividade de Portugal 2017, realizado pela EY.

No total, segundo o estudo, Portugal conseguiu captar em 2016 o número recorde de 59 investimentos, no entanto, devido à dimensão ou natureza dos mesmos, o número de postos de trabalho criados diminuiu de 3,5 mil para 2,5 mil, em comparação com 2015.

"A criação de emprego é claramente afectada por uma redução do número médio de empregos criados por projeto, sendo inferior quer à média pré-crise quer ao ano anterior", sinalizam os autores do estudo.

A Alemanha e Espanha foram os principais investidores em Portugal em 2016, com 14 e 10 investimentos respectivamente, enquanto a França liderou a criação de emprego, com 900 novos postos de trabalho e foi o quarto em número de projectos, com 8 novos projectos de investimento.

Os EUA e o Japão estão também entre as principais fontes de investimento directo estrangeiro no país para o ano 2016, "o que ilustra o alcance geográfico e o potencial logístico do país", acrescentam.

O investimento alemão, criando um total de 265 postos de trabalho, foi maioritariamente ligado a actividades de manufactura.

O estudo destaca ainda o grande optimismo de 62% dos investidores estrangeiros quanto ao futuro de Portugal e a vontade de 32% dos investidores de aumentarem o investimento no nosso país durante o próximo ano.

As áreas de I&D (Investigação e Desenvolvimento) e logística destacam-se como sectores com maior número de intenções de investimento, enquanto a manufactura, o marketing e as vendas mantêm uma grande representatividade.

De acordo com o inquérito da EY, Portugal está assim "no radar dos investidores, registando intenções de investimento acima da média europeia e prevendo-se um aumento da atractividade do país".

Entre os factores considerados mais atractivos pelos investidores estrangeiros, o estudo aponta para a estabilidade do clima social, o potencial de aumento de produtividade e os custos laborais.

Do outro lado da balança, entre os factores considerados menos atractivos pelos investidores destaque para a tributação às empresas, estabilidade e transparência do ambiente político, jurídico e regulamentar e a flexibilidade da legislação laboral.

A EY refere ainda que é dado um maior destaque aos sectores de bens de consumo, imobiliário, construção e indústria de transportes e automóvel por parte dos investidores não estabelecidos em Portugal e que os sectores das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) e do turismo são vistos pelos investidores como motores de desenvolvimento do país.

A região de Lisboa é vista como a mais atractiva de Portugal mas o Porto aparece como o destino com maior número de novos investimentos e criação de postos de trabalho.

O EY Attractiveness Survey é um estudo promovido pela EY, a nível europeu, com o objectivo de avaliar a percepção dos investidores estrangeiros quanto à atractividade das diversas localizações.

Nesta edição, foram inquiridas empresas que já investiram ou que têm potencial para investimento futuro no território em análise e que se encontram espalhados por 20 países e em 5 línguas diferentes (Alemão, Inglês, Português, Espanhol e Francês).

Durante o mês de Abril de 2017, foram realizadas 203 entrevistas telefónicas a investidores internacionais, com a preocupação de dividir a amostra entre empresas que já estão presentes em Portugal e outras que ainda não têm operações neste país.

Segundo a EY, 62% das empresas inquiridas no estudo estão presentes em Portugal, num total de 126 entrevistados.



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mais votado Anónimo 23.05.2017

Comparem com os diversos Estados-membros da UE onde os recordes no IDE são ainda notáveis. A verdade e a razão exigem que trabalhos jornalísticos assentes na análise comparativa e dotados da categoria e da pertinência do que aqui é deixado como exemplo passem a fazer parte das edições de mais jornais económicos portugueses de referência como é o caso do Jornal de Negócios. Letónia com um crescimento do PIB de 3,9%, Portugal com um crescimento do PIB de 2,8%. A diferença de 1,1% na taxa de crescimento do PIB entre as duas economias da UE explica-se pelo grau de profundidade das suas reformas laborais, fiscais e administrativas. É um caso gritante dos muitos malefícios que a esquerda portuguesa no poder causa a Portugal. "The programme examines the contrasting fortunes of two EU economies – Latvia and Portugal." www.euronews.com/2015/09/15/how-do-countries-decide-how-much-they-can-afford-to-borrow" www.euronews.com/2015/09/15/how-do-countries-decide-how-much-they-can-afford-to-borrow

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Anónimo 23.05.2017

Investimento directo estrangeiro em Portugal em máximos de 20 anos

TUDO OBRA DE PASSOS COELHO, COMO DIRIA MONTENEGRO!

Modi 23.05.2017

"Portugal conseguiu captar o maior valor de investimento directo estrangeiro dos últimos 20 anos,"..........."Portugal conseguiu captar em 2016 o número recorde de 59 investimentos, no entanto, devido à dimensão ou natureza dos mesmos, o número de postos de trabalho criados diminuiu de 3,5 mil para 2,5 mil, em comparação com 2015." Ora bolas! Qual o valor total de tão espantoso investimento? Pelos vistos, apesar do "enorme" sucesso o número de postos de trabalho baixou 28,5%, de 2015 (ano da austeridade) para 2016 (ano do fim da dita). Insondáveis mistérios do investimento, cujo valor global o amigo jornalista não fornece!

ahah 23.05.2017

Obrigado Passos por teres aumentado a pobreza e a emigração de jovens (400mil), o aumento de desemprego, a destruiçao da economia (Pib - 6%), a venda das boas empresas nacionais, etc. para trazer o défice para 3.1%, e a Divida Publica para 130%. Qualquer economista "zarolho" faria o mesmo.

Anónimo 23.05.2017

Falando disto www.euronews.com/2015/09/15/how-do-countries-decide-how-much-they-can-afford-to-borrow é bom que em vez da fábula com vegetais que nos deixou o bloquista José Reis se tome antes nota das declarações da governante Liga Klavina. Para bom entendedor da língua inglesa falada por uma Letã meia palavra basta. Ela fala das reformas fiscais, do sector financeiro, das políticas capazes de fomentar as exportações e, muito importante, do mercado laboral, que foi amplamente flexibilizado. Aqui deixaram fazê-lo? Não. As leis em vigor não permitem e sabendo-se que os guardiões dessas leis muito beneficiam delas à custa da sustentabilidade do Estado, da competitividade da economia e da equidade na sociedade, não causa estranheza.

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