Zona Euro Irlanda baixa impostos e aumenta despesa em Orçamento "anti-brexit"

Irlanda baixa impostos e aumenta despesa em Orçamento "anti-brexit"

O Governo irlandês propõe um corte de impostos de 300 milhões de euros e várias medidas de aumento de despesa, para defender o país dos efeitos negativos da saída do Reino Unido da União Europeia.
Irlanda baixa impostos e aumenta despesa em Orçamento "anti-brexit"
Bloomberg
Nuno Carregueiro 11 de outubro de 2016 às 15:43

O ministro das Finanças da Irlanda apresentou esta terça-feira, 11 de Outubro, as propostas do Orçamento do Estado para o próximo ano, um documento que o Executivo irlandês pretende ajudar a economia a lidar com os efeitos negativos do Brexit.

 

Entre corte de impostos e aumento de despesa, foram anunciadas medidas com um valor orçamental de 1.300 milhões de euros. "A decisão do Reino Unido em sair da União Europeia representa um risco real para a nossa economia devido às relações próximas e trocas comerciais elevadas", afirmou o ministro Michael Noonan.

 

As medidas de corte de impostos estão avaliadas em 300 milhões de euros e incluem um alívio fiscal ligeiro para os mais pobres e classe média. A taxa de imposto sobre o trabalho será reduzida em meio ponto percentual nos três escalões mais baixos.

 

As empresas também beneficiam com a descida de impostos, com o sector do turismo a destacar-se pelo facto de continuar a beneficiar com uma taxa de IVA reduzida.

 

Entre os apoios aos cidadãos, destaca-se também um benefício de 20 mil euros para quem comprar casa pela primeira vez. Os empreendedores e o sector hospitalar também vão pagar menos impostos.

 

Apesar da maioria das medidas ser de alívio fiscal, também há aumentos de impostos. O maço de cigarros aumenta 50 cêntimos e em Abril será introduzida uma "sugar tax", à semelhança do que o Governo português está a pensar introduzir.  

 

No lado da despesa, destaca-se a alocação de 290 milhões de euros para aumentos de salários na função pública, 319 milhões de euros para estradas e o orçamento para a saúde que atingirá o valor mais elevado de sempre.

 

Depois do resgate de 2010, a Irlanda deverá cumprir em 2016 o terceiro ano consecutivo com o crescimento mais elevado da União Europeia. Uma tendência que está ameaçada pelo impacto do Brexit e que o Governo irlandês assume nas suas estimativas. As novas previsões incluídas no Orçamento apontam para um crescimento do PIB de 3,5% este ano, abaixo da anterior estimativa de 3,9% e do que se prevê para este ano (4,2%).

 

Apesar do corte de impostos de aumento da despesa, o ministro irlandês mantém o compromisso de redução do endividamento público, tendo mesmo definido uma meta ambiciosa de 45% do PIB em meados da próxima década. No pico da crise financeira a dívida pública aproximou-se de 120% do PIB.




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mais votado ricardojorgefreitas 11.10.2016

Parece que já estou a ver os defensores da Geringonça a vir escrever que afinal, as medidas anti-austeridade também estão a ser aplicadas na Irlanda... sim, é verdade! Mas não se esqueçam que lá reduziram os salários em 20% quando foi preciso, cortaram na despesa pública como nunca o fizeram e neste momento já falam em reduzir a dívida pública para 45% do PIB. Por cá, a geringonça fica contente porque a dívida só aumentou para 132% do PIB e não espera reduzi-la tão cedo porque não sabe por onde há de fazer cortes da despesa publica. Percebem a diferença entre um plano de austeridade e a margem que é criada para depois tomar este tipo de decisões que a Irlanda acaba de fazer? Portugal queria fazer o mesmo até que veio a geringonça dizer que isso não é o caminho e agora estamos como estamos, cada vez mais perto de outro resgate.

comentários mais recentes
José Pereira 11.10.2016

Irlanda pode fazer isso porque tinha dos orçamentos mais altos quando precisou de equilibrar as contas. Agora que tem as contas equilibradas, no pos-crise, pode retirar carga fiscal e "investir" na economia, atravez da despesa. Enfim tudo ao contrario da formula da geringonça.

Paula Picão 11.10.2016

Dão cursos intensivos a abéculas formadas em Harvard?

João Ferreira 11.10.2016

A geringonça tem que pensar mas é como vai pagar a DÍVIDA

Albino Silva 11.10.2016

Orcamento parecido com o da geringonca

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