Economia IRS só devolverá 10% das despesas de saúde

IRS só devolverá 10% das despesas de saúde

A saúde era, até agora, a despesa que mais benefícios fiscais dava no IRS. Era também a mais popular, sendo aproveitada por 70% das famílias. De 2012 em diante o corte é drástico.
IRS só devolverá 10% das despesas de saúde
Elisabete Miranda 26 de abril de 2012 às 10:00
A era dos generosos descontos que as despesas de saúde tinham no IRS chegou ao fim. A partir do próximo ano só serão aceites para efeitos fiscais 10% das despesas declaradas, que passam a estar sujeitas a um limite máximo de 838 euros.

Trata-se de uma diferença assinalável em relação ao que durante vários anos a lei dispôs, e que pode ser aproveitado, pela última vez, no IRS de 2011, cuja declaração está a decorrer: até aqui podiam ser deduzidas 30% das despesas, sem restrições.

A dieta radical consta do memorando da troika, que exige que Portugal corte as despesas fiscais com saúde para apenas 1/3 do que vinha sendo prática. O objectivo é estancar a tendência de aumento do custo do benefício fiscal já atingia praticamente 700 milhões de euros ao ano.

A saúde é a dedução à colecta mais popular no IRS. Em 2009, último ano para o qual o Fisco disponibiliza estatísticas, 70% dos 4,7 milhões de agregados que entregaram declaração beneficiaram descontos na sua factura fiscal por via das despesas com saúde. Em média, cada agregado poupou 201 euros, valores considerados incomportáveis para os cofres públicos, para os quais os especialistas já vinham alertando mesmo antes da intervenção externa.

De futuro, mantém-se a possibilidade de deduzir despesas de saúde com taxa de IVA a 23%, desde que sejam acompanhadas de receita médica, até um máximo de 65 euros, mas este valor soma à dedução à colecta "normal" na saúde e às outras todas, sujeitando-se a um tecto global máximo.

Quem tenha seguros de saúde (que cubram exclusivamente este risco), pode abater à colecta de IRS 10% do prémio, com limite de 50 euros para não casados ou 100 euros para casados. Cada dependente a cargo vale uma majoração de 25 euros neste limite, que também está condicionado por tectos máximos aos benefícios fiscais.










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mais votado João Martins Há 4 semanas

A análise claro...
Pois as pessoas "ricas" ficam doentes de propósito e vão ao médico porque isso é bom, gastando o seu dinheiro só para depois "mamar" do estado.
É só mais um aumento de impostos e ponto final e das PPP ninguém fala. Façam lá um gráfico para se saber para onde vai o dinheiro de todos nós.

comentários mais recentes
Carlos Há 4 semanas

O quadro acima das despesas de saúde está errado, só se podem deduzir despesas de saúde no valor máximo de 838 euros que darão uma dedução à colecta de 83.80 euros e não o que dizem que podemos apresentar recibos no valor de 10.000 euros e os 10% darão uma dedução à colecta de 1.000 euros que descerão para 838 euros por ser este o valor máximo. Por exemplo em relação ao IRS de 2013, apresentado em Abril de 2014, basta simular no site da A.T. para verificar que despesas de saúde acima dos 838 euros não correspondem a nenhuma devolução extra em IRS...

Anónimo Há 4 semanas

Enquanto isso, os bens estão mais caros 4%, dependendo do tipo de família e zona geográfica estivermos a falar, poderá ser menos, poderá ser mais. Assim, em números gordos estamos a falar de uma quebra de 25% no poder de compra. Como aguentar isto? 1) Emigrando (significa que o país entrou em incumprimento em termos de qualidade de vida); 2) Revolução com sangue (significa desespero e pouco resultará, pois quem é mau é substituído por outros que tais, +/- diferentes); 3) tornarmo-nos escravos (fim completo sobre a qualidade de vida e dignidade humana, deitando tudo ao lixo o que foi conquistado na Europa nos últimos 100 anos). Mas que m**** de país é este que não tem um único líder digno dessa desiganção?

Anónimo Há 4 semanas

os governantes portugueses e não só não são bons, são PESSIMOS. Então em vez de colocarem a norma de ser tudo possivel deduzir no IRS, era uma forma de andarmos a controlar-nos uns aos outros, antes pelo contrário ainda reduzem á percentagens e colocam tectos. Ora oq ue vai acontecer é como não dá p/ decontar no IRS as pessoas vão deixar de pedir facturas/recibos e haverá certamente muita gente a não declarar os serviços prestados. Não é preciso ser muito inteligente nem doutorado p/ se ver o que vai acontecer. As empresas e afins como pouco ou nada lhes vão pedir factura/recido vão fugir ainda mais do que seria oficuial=pagar impostos. Quem paga no final o desgraçado do povo que não tem governantes á altura. as moscas mudam mas pelo que se vê a M---- é a mesma.

drmyst Há 4 semanas

Esta medida prejudica claramente o contribuinte e a nossa liberdade de escolha, beneficiando apenas as seguradoras e a voracidade fiscal

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