Europa Islândia põe fim a controlo de capitais nove anos depois da crise dos bancos

Islândia põe fim a controlo de capitais nove anos depois da crise dos bancos

Nove anos depois da crise financeira, a Islândia convocou a comunicação social este domingo para anunciar que a partir de terça-feira terminam quaisquer regras de controlo de capitais que ainda estejam a vigorar.
Islândia põe fim a controlo de capitais nove anos depois da crise dos bancos
Reuters
Alexandra Machado 12 de março de 2017 às 23:03

O Governo de centro-direita de Reiquejavique decidiu levantar as restrições que ainda existiam no controlo de capitais para empresas, fundos de pensões e particulares, como medida para voltar ao mercado financeiro internacional.


"Com a nova lei [que entrará em vigor terça-feira] as restrições às transacções em moeda estrangeira e aos movimentos além fronteiras em moeda nacional e estrangeira estarão, na maioria, levantadas. No geral, famílias e empresas não estarão mais sujeitas às restrições da anterior lei, pelo que  as restrições às transacções em moeda estrangeira, o investimento estrangeiro, as actividades de arrendamento e coberturas e a exigência para que os residentes repatriassem moeda estrangeira foram levantadas", diz o comunicado do Governo, citado pelo jornal islandês Iceland Monitor.


 "É muito importante – são muito boas notícias para a economia islandesa como um todo que estejamos a dar o derradeiro passo para remover o controlo de capitais", declarou o ministro das Finanças islandês, Benedikt Johannesson, citado pelo Financial Times.


A remoção do controlo de capitais final acontecerá esta terça-feira, 14 de Março, terminando um período de oito anos em que o país limpou os problemas que decorreram da crise bancária de 2008, que resultaram na pior recessão do país que tem 340 mil habitantes. A crise bancária de 2008 resultou da falência dos três maiores bancos islandeses (Glitnir, Landsbanki e Kaupthing), que tinham activos 10 vezes superiores à economia do país.

Na conferência de imprensa, o primeiro-ministro Bjarni Benediktsson sustentou que esta decisão do Governo vai "permitir maior confiança na economia islandesa", nomeadamente levantando as restrições à entrada de capitais estrangeiros, o que, no seu entender, vai facilitar o investimento directo estrangeiro.

Este levantamento vai permitir que os fundos de pensões invistam no exterior, o que lhes permitirá diversificar activos.

A economia islandesa tem registado crescimentos à custa do turismo. Em 2016 visitaram a ilha 1,8 milhões de pessoas, uma subida de 40% face aos visitantes do ano anterior.

 

No ano passado a economia cresceu 7,2% (no último trimestre cresceu 11,3%) e o desemprego desceu para cerca de 3%. A coroa islandesa valorizou 18% face ao euro no ano passado, com os investidores atraídos pelas taxas de juro mais elevada, mas pode agora, acredita o primeiro-ministro, citado pela Bloomberg,  atenuar a pressão sobre a moeda com esta medida. As taxas de juro poderão, assim, voltar a baixar no próximo dia 15 de Março de 5% para 4,75%, escreve a Bloomberg.

Foi ainda anunciado este domingo que o banco central comprou cerca de 90 mil milhões de coroas (cerca de 780 milhões de euros) de capitais que estavam em offshores para "proteger a economia de instabilidades monetárias, cambiais e financeiras". Essas holdings ainda detêm 100 mil milhões de coroas em sua posse. A moeda foi comprada a 137,5 coroas por euro, quando na sexta nos mercados valia 114,95. As restrições vão manter-se em vigor para os fundos que não aceitaram vender ao preço indicado, mas ainda têm duas semanas para o fazer.




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comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Isto sim, é uma democracia a sério onde quem mija fora do penico tem que assumir e pagar pelos seus actos.
Por cá e arredores reina o impune polvo mafioso que pode cagar e mijar fora do penico, a seu belo prazer, pois tem a garantia de que será sempre o espoliado contribuinte a ter que pagar a factura.

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