Jardim diz que região está a ser usada "como manobra de diversão"
23 Abril 2012, 19:10 por Lusa
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O presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, vaticinou hoje dever estar a acontecer alguma "coisa chata" por Lisboa por a Madeira estar a ser utilizada como "manobra de diversão".
Ao discursar na inauguração de uma exploração agrícola no concelho da Ribeira Brava, Alberto João Jardim, sem aludir às investigações em curso promovidas pela Procuradoria-Geral da República às contas da Região, lembrou, no entanto, que "a Madeira costuma ser utilizada para manobras de diversão".

"Deve estar a acontecer qualquer coisa chata para Lisboa, está (a Madeira) a distrair aquela gente com coisas a nosso respeito", referiu.

O presidente do Governo Regional admitiu também poder tratar-se do que chamou de "comemorações abrileiras": "Como sabem, o país tem um sistema político que falhou em toda a sua latitude e a prova que falhou é que o país está sob administração estrangeira, mas o folclore abrileiro aparece todos os anos com vários episódios para alegrar as massas e continuar fazer aos incautos parecer que isto tudo corre bem".

À chegada à inauguração, Alberto João Jardim recusou a falar das investigações levadas a cabo pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) na Madeira na sequência do inquérito relacionado com a alegada omissão da dívida pública regional.

Alberto João Jardim seguiu depois para outra exploração agrícola na Calheta porque, segundo sublinhou, a política do Governo Regional é ajudar a crescer a economia e "aproveitar ao máximo as potencialidades" do território da Madeira, dizendo não poder "contar com ninguém de fora do território".

Num comunicado, o DCIAP informa que instaurou um inquérito a 28 de Setembro do ano passado relativo às "denominadas 'contas da Madeira'".

"Após diversas diligências de investigação, mostrou-se necessária a realização de outras a levar a cabo na cidade do Funchal", adianta o DCIAP, explicando que para a sua execução este departamento "nomeou órgão de polícia criminal o Comando Territorial da GNR na Madeira".

Segundo o DCIAP, hoje decorrem "diligências de busca e apreensão e durante toda a semana decorrerão outras diligências complementares de investigação".

"As diligências realizar-se-ão com a maior discrição possível, procurando evitar alarme social", informa ainda o DCIAP.

A 17 de Setembro de 2011, a três semanas das eleições legislativas regionais, a Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou a análise da suposta omissão da dívida da região, cujo inquérito-crime foi desencadeado uma semana mais tarde.

A decisão da PGR surgiu depois de o Instituto Nacional de Estatística e do Banco de Portugal terem divulgado um comunicado no qual dão conta de encargos financeiros assumidos pela Madeira que não foram nem pagos nem reportados.
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