Segurança Social Jerónimo acusa Costa de defraudar expectativa de longas carreiras contributivas

Jerónimo acusa Costa de defraudar expectativa de longas carreiras contributivas

O secretário-geral comunista disse que a proposta do Governo para as carreiras contributivas mais longas é uma "desilusão profunda".
Jerónimo acusa Costa de defraudar expectativa de longas carreiras contributivas
Bruno Simão
Lusa 12 de abril de 2017 às 17:59
O secretário-geral do PCP acusou esta quarta-feira o Governo de defraudar as expectativas dos trabalhadores com longas carreiras contributivas em relação às penalizações por reforma antecipada, considerando a proposta do "Executivo do PS uma "desilusão profunda".

"A proposta do Governo defrauda a generalidade dos trabalhadores nesta situação. Eles acreditaram que não iam ter de trabalhar até ao limite das suas forças e da sua vida. Acreditaram nas suas palavras e posicionamentos em debates anteriores", afirmou Jerónimo de Sousa, dirigindo-se a António Costa no debate parlamentar quinzenal, expressando uma "desilusão profunda".

Segundo a última proposta governamental, os trabalhadores com carreiras contributivas entre os 41 e os 47 anos vão ter uma idade de reforma própria, com uma redução entre os 4 meses e os 3 anos em relação à idade de reforma actual (antes dos 66 anos e três meses). O PCP defende reformas sem penalizações a partir dos 60 anos de idade e 40 de contribuições para a Segurança Social.

"A proposta está em apreciação, quer com os partidos da Assembleia da República, quer com os parceiros sociais. Não é uma proposta fechada. Temos dois princípios fundamentais: assegurar maior justiça possível e assegurar a sustentabilidade indispensável ao futuro da Segurança Social", respondeu o líder do Executivo.

O primeiro-ministro prometeu "corrigir a penalização que existe na antecipação da reforma tendo em conta o tempo das carreiras contributivas e a idade em que as pessoas iniciaram a sua actividade".

"Falou de crianças que não puderam ser meninos. Espero que o Governo permita àqueles que envelheceram ter uma velhice digna com uma reforma sem penalizações", insistira Jerónimo de Sousa, dramatizando com um apelo: "quando estiver a decidir sobre esta matéria, pense em alguém que começou a trabalhar aos 14 anos e aos 60 já tem 46 anos de descontos para a Segurança Social".

Num tom pessoal, o líder do Governo referira conhecer "muitas pessoas" da sua geração, "muitos colegas de escola que tiveram de deixar a escola para ir trabalhar e merecem trabalhar menos anos porque não tiveram a mesma oportunidade" de poder concluir os estudos na universidade.

"Para continuarmos a avançar sem recuos, temos de dar passos que vão de acordo com o tamanho da perna, com o solo bem firme para não cometermos nenhuma asneira que dê oportunidade àqueles que estão sempre a espreita para reverter as medidas de progresso que temos vindo a conseguir ao longo deste ano e meio. Não lhes vamos dar a oportunidade", defendeu o líder do PS, em clara referência à oposição e à necessidade de controlo das contas públicas.

Jerónimo de Sousa tinha inquirido o chefe do Governo também sobre "um mar de problemas que precisa de respostas" na "situação social" do país, especialmente nas carências sentidas no Serviço Nacional de Saúde, tendo António Costa retorquido com os 4.600 profissionais entretanto admitidos, embora reconhecendo que ainda há muito por fazer devido às dificuldades herdadas.

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