Política Jerónimo critica Governo e Marcelo por não quererem renegociar dívida

Jerónimo critica Governo e Marcelo por não quererem renegociar dívida

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, criticou hoje em Braga o Governo e o Presidente da República por considerarem "extemporânea" a discussão da renegociação da dívida portuguesa.
Jerónimo critica Governo e Marcelo por não quererem renegociar dívida
Miguel Baltazar/Negócios
Lusa 11 de dezembro de 2016 às 10:44

Falando numa ceia de fim de ano promovida pelo PCP de Braga, Jerónimo de Sousa sublinhou que Portugal "tem uma das maiores dívidas do mundo", que deixa o país "amarrado de pés e mãos".

 

"É preciso renegociar a dívida para que Portugal possa crescer e desenvolver-se", criticando aqueles, "incluindo o Governo e o Presidente da República", que dizem que não é tempo de discutir a renegociação da dívida e que "até avançam" com a ideia de que é preciso esperar pelas eleições em países como a Alemanha, a França e a Holanda.

 

"Um país que se quer soberano, um povo que quer ser livre, pode estar dependente das eleições na Alemanha, na Holanda e na França ou, pelo contrário, temos o direito de propor essa renegociação independentemente dos resultados [eleitorais] estrangeiros?", questionou.

Na sexta-feira, o Presidente da República considerou "prematuro e extemporâneo" fazer uma discussão sobre a renegociação da dívida portuguesa, face ao período de eleições que vai ter lugar, durante o próximo ano, em vários países fundadores da União Europeia.

 

"Estar a especular sobre cenários europeus num ano em que vai haver eleições em várias das economias fundadoras da União Europeia, até, praticamente, daqui a um ano, estar a especular sobre o que será a Europa nessa altura, e estar a fazer um debate sobre matéria da dívida, é completamente prematuro e extemporâneo. Não faz sentido", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Hoje, na sua intervenção em Braga, Jerónimo de Sousa defendeu a discussão da renegociação, lembrando que só em serviço da dívida Portugal vai ter de pagar, num ano, 8.500 milhões de euros.

 

"Daria para pagar todo o Serviço Nacional de Saúde durante um ano", enfatizou.

Para o líder comunista, Portugal, com a dívida e a dependência do euro, está "amarrado de pés e mãos".

 

Em relação à atual solução governativa, Jerónimo disse que dela já resultaram alguns "avanços", embora "limitados", nomeadamente em termos de reposição de rendimentos dos trabalhadores e dos pensionistas.

 

"São avanços limitados, mas importantes", referiu.

 

Ressalvou, no entanto, que o país ainda tem "grandes problemas" por resolver, entre as quais o aumento do salário mínimo nacional para os 600 euros, que o PCP quer que se concretize já a partir de janeiro de 2017.

 

Outra questão que o PCP quer ver resolvida tem a ver com a precariedade dos vínculos laborais.


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mais votado matita42 11.12.2016

Gostava de compreender qual a lógica de renegociar a dívida e continuar a gastar desregradamente, a dívida pública em apenas um ano de governo PS aumentou mais de 15 mil milhões e os juros da dívida aumentaram mais de 70%.
Na sexta-feira fecharam a 3,86%.
Não seria mais inteligente tratar de, em 1º lugar, não aumentar essa dívida?

comentários mais recentes
Anónimo 11.12.2016

O que este saudoso "génio", da defunta União Soviética pretenderá, é que a dívida regresse a zero, como estava em 1974. Assim, os seus apaniguados, ou novos doutrinados, reiniciariam novo apodrecimento do País. Daqui a uns anos, novamente no caos, usariam a mesma "ladainha" para nova renegociação!!!

SIMOESbenfica 11.12.2016

Esta tecla de JS,da renegociação da dívida,com muitos seguidores,não só do Partido como fora dele,já está gasta.So gostava de saber a opinião dessas pessoas se fossem elas as credoras.Se essas pessoas,dentro da sua boa fé,me emprestassem dinheiro,para eu ultrapassar as minhas dificuldades momentâneas e eu chegasse ao pé delas e lhes dissesse que não podia pagar,pois os meus rendimentos não davam para isso.Eu gostava de saber se essas pessoas aceitavam reduzir o que me haviam emprestado.Alguma vez essas pessoas me emprestariam mais um cêntimo que fosse,se eu viesse a necessitar? Obviamente que não. É o que aconteceria com Portugal. Quem é que nos emprestaria dinheiro se nós necessitássemos a seguir? Este Jerónimo de Sousa parece que vive noutro planeta...

Camaradaverao75 11.12.2016

Camarada o povo está farto de poeira nos olhos. Os nossos jovens continuam a ser empurrados exponencialmente para o estrangeiro, e tu vens com frases da treta? Era uma vez um coveiro ...

pertinaz 11.12.2016

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