Política Jerónimo desafia PS a apoiar propostas do PCP contra a precariedade

Jerónimo desafia PS a apoiar propostas do PCP contra a precariedade

O secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, desafiou este domingo o PS a apoiar as propostas que apresentou de combate à precariedade laboral, e argumentou que os direitos dos trabalhadores são fronteira entre a esquerda e a direita.
Jerónimo desafia PS a apoiar propostas do PCP contra a precariedade
Miguel Baltazar
Lusa 04 de junho de 2017 às 18:28
Numa festa-comício em Sacavém, de lançamento da recandidatura de Bernardino Soares à Câmara de Loures, o líder do PCP apelou ao PS para que apoie as iniciativas legislativas agendadas pelo PCP para dia 12 de Junho, "dois projectos de lei sobre a precariedade e o trabalho temporário, alargando ao sector privado".

Prometendo que "o PCP não desbaratará gratuitamente perspectivas e possibilidades criadas no plano político com a nova correlação de forças", Jerónimo de Sousa lançou "um apelo, um desafio, ao PS e ao Governo para que acompanhe estas iniciativas que o PCP apresentou e resolva problemas que afectam milhares e milhares de trabalhadores".

"E dizemos ao Governo, e dizemos àqueles que acompanham a nova fase da vida política nacional, usando a dialéctica: o que era verdade ontem pode não ser verdade amanhã. É por isso que, se não houver respostas a estes problemas, aumentará a desilusão, aumentará o descontentamento, aumentará o protesto, porque foram criadas expectativas e esperanças que não podem ser goradas com o risco de o povo afirmar 'isso não, temos de encontrar outra solução'", avisou.

O líder do PCP apontou como "motivo de inquietação" a não reversão no Código do Trabalho e da legislação laboral e da administração pública do anterior governo, "lesivas dos direitos dos trabalhadores", com os votos de PS, PSD e CDS.

"O PSD e o CDS é lógico, está na sua natureza. Que o PS alinhe é que é preocupante, porque a questão dos direitos individuais e colectivos dos trabalhadores sempre, mas sempre, foram zona de fronteira entre a esquerda e a direita", alertou Jerónimo de Sousa.

"Quem está do lado do capital, quem está contra os direitos dos trabalhadores, não pode dizer que efectua e efectiva uma política de esquerda", vincou.

O secretário-geral do PCP insistiu ainda que, "sem desmerecimento do conjunto de medidas positivas, o Governo do PS não vai bem quando gora as expectativas justas, quer em matéria, por exemplo, da precariedade, ou em relação ao regime de reformas de trabalhadores com longas carreiras contributivas".

Jerónimo de Sousa apontou ainda atrasos na "concretização de medidas concertadas e aprovadas no Orçamento de Estado do presente ano, caso da redução do preço do gás de botija ou da contratação de assistentes para as escolas".

Saudando as manifestações de sábado, em Lisboa e no Porto, convocadas pela CGTP-IN, o secretário-geral do PCP afirmou a "necessidade de assegurar um PCP e uma CDU mais fortalecidos para novos avanços na solução dos problemas nacionais e para melhoramento das condições de vida do povo", ao mesmo tempo que sublinhou "que a luta e o seu desenvolvimento é outra condição imprescindível para tais avanços".



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mais votado Anónimo 04.06.2017

Party like it's 2007.

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Anónimo 04.06.2017

A Geringonça continua a empurrar jovens licenciados para a emigração e tem a pouca vergonha de cobrar taxa aeroportuária, nem o Passos teve esta ousadia. O povo agora não tem como protestar, só abstenção na votação.

Anónimo 04.06.2017

Mas quando o trabalhador nem pode ser despedido por o posto de trabalho já não se justificar nem substituído por uma máquina, nem ver o seu salário, já inflacionado ao longo de toda uma carreira de progressões automáticas constantes, reduzido para valor mais próximo do preço de mercado uma vez que há uma fila de candidatos àquele emprego, mais dinâmicos, motivados e preparados, que trabalhariam de bom grado por metade da remuneração, a população que investiu na organização ou tem trabalho para oferecer perde rendimentos. A população que consome produtos da organização perde rendimentos. A população que paga impostos para a organização, no caso daquela ser do sector público, fornecedora do sector público ou subsidiada pelo Estado, perde rendimentos. A população que inventou e desenvolveu a máquina perde rendimentos. A população que poderia inovar, investir e lançar no mercado máquinas ainda melhores, perde rendimentos. O programa geringonço é um programa de empobrecimento e dependência.

Anónimo 04.06.2017

Numa altura em que a maioria do tipo de empregos prevalecentes na economia portuguesa está prestes a ser amplamente automatizado por via das inovadoras soluções, extremamente económicas e eficientes, já disponíveis no mercado global, é forçoso saber alertar para mais este erro de estratégia e planeamento que é querer garantir a fantasia verdadeiramente lunática das carreiras e empregos intocáveis e para toda vida, e ao mesmo tempo decretar múltiplos aumentos salariais. É que se elevassem um pouco os salários por via legislativa e regulatória, mas deixassem despedir excedentários num mercado laboral flexível no sector público e privado, tudo bem. A automação levada a cabo num racional e oportuno processo de substituição de factor produtivo trabalho por factor produtivo capital, dar-se-ia, elevando assim todos os mais cruciais padrões e indicadores económicos da economia portuguesa. Mas impedir o despedimento é condenar mais uma vez a economia portuguesa ao empobrecimento e atraso.

Anónimo 04.06.2017

Onde não se pode despedir, onde não deixam desalocar e realocar convenientemente capital e factor trabalho de modo rápido e descomplicado, nunca é possível fundar e sediar grandes empresas como a Siemens, que diga-se, não faz só quadros em Portugal e cria muito mais valor em múltiplas outras áreas de negócio espalhadas pelo mundo. "Siemens AG plans to cut about 2,500 mostly German jobs in a bid to stay competitive amid falling demand in energy, mining and metals" (by Benedikt Kammel, 9 de março de 2016) "German industrial group Siemens will cut a further 4,500 jobs as it battles to cope with subdued economic growth and weak demand from energy customers. The cuts come on top of 7,400 job losses already announced" (by Georgina Prodhan, May 7, 2015) "The company witnessed a major overhaul in the past few years, including around 13,000 job cuts and rearrangement of organisational structure." (by Scott Tindle, 27 Jan 2016). A esquerda tuga sempre pronta a defender a pobreza e o atraso.

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