Justiça José Júlio Pereira Gomes desiste de liderar as "secretas"

José Júlio Pereira Gomes desiste de liderar as "secretas"

Depois da polémica das últimas semanas acerca do perfil do responsável escolhido por António Costa, agora é o próprio quem retira a disponibilidade para aceitar o convite.
José Júlio Pereira Gomes desiste de liderar as "secretas"
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Tiago Freire 07 de junho de 2017 às 17:14

Depois de várias semanas de polémica, José Júlio Pereira Gomes deixou de estar disponível para secretário-geral do Sistema de Informações da República (SIRP). É o próprio quem o assume num comunicado divulgado através do gabinete do Primeiro-ministro, que o havia escolhido em Maio para suceder a Júlio Pereira.

A escolha do Governo tem sido criticada pelo papel desempenhado por José Júlio Pereira Gomes enquanto líder da Missão de Observação Portuguesa ao Processo de Consulta da ONU em Timor Leste, em 1999. Em causa está o processo de retirada dos observadores portugueses. A eurodeputada socialista Ana Gomes afirmou que o responsável "não inspira confiança", em artigo publicado no DN, pelo facto de o agora indigitado secretário-geral do SIRP ter abandonado Timor-Leste após o referendo de 1999. Também o PSD veio manifestar preocupação com a escolha, mas António Costa reafirmou já este mês que mantinha a sua escolha.

Agora, é o próprio escolhido quem se retira do processo. "
Importando salvaguardar a dignidade do cargo de Secretário-Geral do SIRP de toda e qualquer polémica, que naturalmente se repercutiria negativamente no exercício das suas funções, resolvi comunicar a S. Exa. o Primeiro-Ministro a minha indisponibilidade para aceitar o cargo para que me havia convidado, agradecendo-lhe a confiança em mim depositada", pode ler-se no comunicado.

Nesta comunicação, José Júlio Pereira Gomes afirma ter cumprido a sua missão em Timor Leste com todo o rigor. Sobre isso, refere: "Cumpri a Missão, "tarefa hercúlea, ingrata", e estou de consciência tranquila", conclui, citando palavras de Ramos Horta sobre o seu trabalho em Timor Leste.

O primeiro-ministro manifestou esta quarta-feira o seu respeito pela forma "digna" como o embaixador Pereira Gomes decidiu renunciar ao cargo de secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) e defendeu o seu comportamento em Timor-Leste. "Quero por isso agradecer a aceitação do convite para o exercício das exigentes funções de Secretário-Geral do SIRP [por José Júlio Pereira Gomes] e manifestar o meu respeito pela forma digna como agora me comunicou a sua indisponibilidade para exercer estas funções, decisão que não posso deixar de aceitar", refere o primeiro-ministro, numa nota citada pela Lusa. António Costa deixou ainda elogios aos partidos da oposição ao longo deste processo para a substituição de Júlio Pereira nas funções de secretário-geral do SIRP.


O Governo terá agora de indicar uma nova escolha para secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa. 
  

José Júlio Pereira Gomes é licenciado em Direito pela Faculdade de Lisboa, trabalhou na Comissão Europeia dos Direitos do Homem do Conselho da Europa e é diplomata de carreira desde 1984.

 

Foi secretário de Estado da Defesa Nacional do primeiro Governo socialista de António Guterres, de 1995 a 1997, Representante Permanente de Portugal no Comité Político e de Segurança da União Europeia e na União Europeia Ocidental (2002-2005), e embaixador de Portugal na República Checa (2008-2015), na Suécia desde Fevereiro de 2015 e foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.

 

O novo secretário-geral do SIRP trabalhou ainda no Governo de Macau, como assessor do secretário Adjunto para a Administração, como director do Serviço de Administração e Função Pública e Administrador do Fundo de Pensões de Macau e foi também assessor diplomático do Governador de Macau, de 1986 a 1989.

(Notícia actualizada às 18:23 com declarações de António Costa)


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comentários mais recentes
joaoaviador Há 3 semanas

Voluntariamente obrigado a dar à sola e para que o Costa não saia mais "chamuscado". O resto é o que se vê, continuam a achar-nos a todos como estúpidos. Para quando mais respeito pela inteligência das pessoas?

Conselheiro de Trump Há 3 semanas

Achou que se devia retirar da fogueira,antes que ela comecasse a escaldar.Pauta certa.

Anónimo Há 3 semanas

Se foi uma decisão pessoal, então temos aqui uma atitude digna e adequada à situação criada. A partir daqui era um processo para todos os envolvidos ficarem muito provavelmente a perder.

Marta Guimaraes Há 3 semanas

Ó surpreso!
- Cala a boca. Já chegam os disparates que escreves no Observador com o nick victor guerra!

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