Juros da dívida portuguesa em novos mínimos da era da troika
20 Agosto 2012, 17:22 por Eva Gaspar | egaspar@negocios.pt
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"Yields" da dívida nacional são as que mais recuam na Zona Euro.
As taxas de juro associadas à dívida pública portuguesa ampliaram ao longo do dia a tendência de queda com que haviam iniciado a sessão, sendo as que mais recuam no conjunto dos países do euro.

A descida na rendibilidade exigida pelos investidores para deter títulos do Tesouro nacional observa-se em todos os prazos, mas é mais expressiva nos mais curtos.

A rendibilidade dos títulos de dívida com maturidade de dois anos cai 37,7 pontos base para 5,230%. A cinco anos, as taxas recuam 12,7 pontos para 8,338% e a dez anos descem 14,8 pontos base para 9,614%.

Em todos estes casos, as “yields” renovaram nesta tarde de segunda-feira valores mínimos desde Março de 2011, altura em que taxas dispararam, levando Portugal a pedir, no mês seguinte, assistência financeira à troika. Estão agora ainda mais distantes dos máximos de 21% (a dois anos), 22,8% (a cinco) e 17% (a dez anos) registados há seis meses, no rescaldo de a S&P se ter convertido na terceira agência a deixar de recomendar o investimento em dívida portuguesa, atribuindo-lhe um "rating" de grau especulativo ("lixo"). Essa decisão ajudou a alimentar a convicção de que Portugal precisaria de um segundo empréstimo acompanhado de reestruturação da dívida, e que estaria fadado a ser uma segunda Grécia.

Na Irlanda, país igualmente intervencionado, o processo de normalização dos juros da dívida continua a dar sinais de consolidação, estando nesta tarde as taxas a variar entre 2,110% a dois anos e 6,029% a nove.

Já as “yields” dos títulos de dívida de Espanha e de Itália prosseguem em queda, mas muito menos acentuada do que a observada pela manhã. No caso espanhol, os juros chegaram a recuar quase 40 pontos base nos títulos a dois anos, mas descem agora 17,6 pontos para 3,385%. A dez anos, estiveram a ceder mais de 25 pontos base e recuam agora 14,6 pontos para 6,297%.

Ao fim da manhã, o Banco Central Europeu (BCE) veio esclarecer que não foram ainda definidos, nem sequer discutidos pelo seu Conselho de Governadores, os moldes concretos de futuras intervenções no mercado da dívida pública destinadas a aliviar os custos de financiamento dos países do euro mais acossados pelos investidores.

O esclarecimento surge depois de a revista alemã “Der Spiegel” ter noticiado que o BCE está a ponderar fixar um valor limite para as taxas de juro reclamadas pelos investidores para transaccionar dívida de países como Espanha e Itália, propondo-se intervir (ainda que indirectamente) nos mercados para garantir que essa barreira não é ultrapassada.

O presidente do BCE, Mario Draghi, admitiu no início deste mês que a instituição poderá voltar a realizar operações no mercado obrigacionista, mas os países ajudados pelo BCE teriam de previamente pedir a intervenção dos fundos de resgate europeus (FEEF/MEE) e aceitar as suas condições.

Esse é um expediente que, sem surpresa, desagrada ao banco central alemão. No boletim mensal, divulgado esta manhã, o Bundesbank reitera que "mantém a opinião de que a compra de títulos de dívida pública pelo Eurosistema tem de ser criticamente avaliada e acarreta riscos significativos para a estabilidade". Para o banco alemão, mecanismos de partilha de risco de insolvência de soberanos devem ser implementados pelos próprios – Governos do euro e respectivos parlamentos - e não pelo banco central europeu.
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