Juros da dívida portuguesa encerram semana em forte queda
27 Abril 2012, 18:23 por Diogo Cavaleiro | diogocavaleiro@negocios.pt
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Duas semanas tiram 200 pontos base aos juros da dívida nacional a 10 anos. Taxas de juro implícitas continuam a renovar mínimos de 2011.
As taxas de juro implícitas da dívida portuguesa encerraram a sessão como negociaram durante a tarde: em forte queda.

As rendibilidades exigidas pelos investidores quando trocam obrigações portuguesas recuaram mais de 40 pontos base em quase todas as maturidades.

A taxa de juro implícita à dívida portuguesa a dez anos fechou a descer 44,6 pontos base para 10,49%. Foi a nona sessão consecutiva de perdas. Antes deste ciclo, a taxa seguia nos 12,5%, o que indica que os investidores aceitaram, hoje, trocar dívida portuguesa com uma rendibilidade dois pontos percentuais (200 pontos base) abaixo daquela que exigiam há menos de duas semanas.

A “yield” a três anos registou o deslize mais acentuado entre as taxas genéricas compiladas pela Bloomberg, com uma quebra de 117 pontos base para 11,76%. A taxa tinha encerrado, ontem, nos 12,9%.

No prazo a dois anos, a “yield” terminou nos 8,7%, ao marcar uma quebra de 22,3 pontos base. A rendibilidade das obrigações a cinco anos desceu 87,9 pontos base para 11,69%.

Ontem, em sete das onze maturidades compiladas pela Bloomberg, os investidores exigiam “yields” superiores a 12%. Hoje, só nos prazos a sete, oito e nove anos é que eram pedidas rendibilidades acima dessa “barreira”.

Portugal não é candidato à reestruturação

As descidas das taxas de juro implícitas acontecem numa altura em que se acredita que Portugal terá o apoio necessário dos parceiros europeus, caso não consiga regressar aos mercados financeiros de longo prazo em Setembro de 2013, como previsto.

Essa garantia foi dada já por altos responsáveis europeus e do Fundo Monetário Internacional, como contrapartida do cumprimento das metas do programa. Vítor Gaspar disse hoje, em Lisboa, que Portugal está a superar os objectivos do programa acordado, superando até as expectativas iniciais em algumas áreas.

O Deutsche Bank, como afirmou hoje o analista Mohit Kumar, acredita que Portugal não irá conseguir regressar aos mercados no prazo predefinido. Contudo, salienta que “não é um candidato à reestruturação da dívida pública”, como aconteceu com a Grécia.

Neste momento, também já o custo dos “credit-default swaps”, que servem de seguro contra o incumprimento da dívida nacional, perde terreno, continuando abaixo dos 1.000 pontos, fasquia de onde caíram ontem, pela primeira vez desde Dezembro.

O comportamento de descidas das rendibilidades da dívida portuguesa aconteceu mesmo depois de o corte de “rating” a Espanha por parte da Standard & Poor’s, no dia de ontem. Espanha e Itália verificaram, por isso, um agravamento das taxas pedidas pelos investidores para negociarem os seus títulos de dívida. Itália foi penalizada, também, pelo leilão de dívida de longo prazo, em que foram exigidas maiores rendibilidades para vender dívida directamente pelo Estado.

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