União Europeia Líder catalão recusa esclarecer Rajoy sobre independência da Catalunha

Líder catalão recusa esclarecer Rajoy sobre independência da Catalunha

Carles Puigdemont respondeu dentro do prazo exigido por Madrid, mas continua sem clarificar se o discurso feito no Parlamento catalão foi ou não uma declaração de independência desta região espanhola.
Líder catalão recusa esclarecer Rajoy sobre independência da Catalunha
Reuters
António Larguesa 16 de outubro de 2017 às 08:40

O tom é conciliador, mas falha a principal exigência feita pelas autoridades de Madrid: a de clarificar sobre se houve ou não uma declaração de independência na sessão parlamentar da passada terça-feira, em que Carles Puigdemont fez uma espécie de declaração simbólica de independência e de seguida suspendeu o seu efeito para dialogar com o governo central.

 

Na carta enviada esta manhã a Mariano Rajoy, publicada pela Catalunya Ràdio e pela RAC1, o líder do governo regional não respondeu directamente à questão, repetindo antes que "a prioridade do [seu] governo é procurar com toda a intensidade a via do diálogo". "Queremos falar, como o fazem as democracias consolidadas, sobre o problema do povo catalão que quer iniciar o seu caminho como país independente no contexto europeu".

 

"A suspensão do mandato político que resultou das urnas a 1 de Outubro [referendo] demonstra a nossa firme vontade de encontrar a solução e não o confronto", argumentou Puigdemont, disponibilizando-se para acordar "o tempo e as formas" como a Catalunha passará a ser uma república independente.

 

O polémico presidente do governo regional (Generalitat), que sucedeu a Artur Mas em 2016, falou ainda numa "proposta de diálogo sincera e honesta" e num prazo de dois meses para essas conversações com o envolvimento de "instituições e personalidades internacionais, espanholas e catalãs que expressaram a sua vontade de abrir um caminho de negociação".

Alertas de Barcelona aos prazos de Madrid

 

O requerimento formal feito na passada quarta-feira, 11 de Outubro, pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, era um passo obrigatório e prévio para o governo central accionar o artigo 155 da Constituição espanhola, que, para restabelecer o "interesse geral", prevê a suspensão da autonomia, a demissão do actual governo catalão e a convocação de eleições antecipadas na região.

 

Essa mesma posição saída do conselho de ministros definiu ainda esta quinta-feira, 19 de Outubro como a data-limite para o governo catalão regressar à legalidade constitucional. O que deve ser feito mediante o não reconhecimento dos resultados do referendo independentista e aceitando a nulidade decretada pelo Tribunal Constitucional de Espanha relativamente à consulta popular e também às leis do referendo e da desconexão, aprovadas em Setembro pelo parlamento catalão.

 

Ora, na resposta enviada esta manhã dentro do prazo estipulado, que terminava às 10:00 (menos uma hora em Lisboa), Puigdemont mostrou-se "surpreendido" com a vontade evidenciada pelo conservador Mariano Rajoy, eleito pelo PP, de avançar com o artigo 155. E insistiu que a 1 de Outubro, entre uma "violenta actuação policial", mais de dois milhões de catalães deram ao Parlament o "mandato democrático de declarar a independência".

 

Na missiva de quatro páginas – em que duas servem apenas para anexar vários documentos, como a referida lei do referendo ou um relatório sobre as cargas policiais no dia da votação –, o líder político da Catalunha lembrou ainda os resultados das últimas eleições regionais, em que as forças independentistas obtiveram uma "maioria clara" de 47,7%, e somou o desejo da esmagadora maioria dos catalães de poder votar num referendo, para avisar as autoridades centrais que "aceitar a realidade é o caminho para resolver os problemas".

 

Não deixemos que se deteriore mais a situação. Com boa vontade, reconhecendo o problema e encarando-o de frente, estou certo de que podemos encontrar o caminho da solução. carles puigdemont, presidente do governo regional catalão

Puigdemont pede também a Madrid que "reverta a repressão contra o povo e o governo da Catalunha", dando o exemplo do congelamento das contas bancarias que impedem o governo local de "cumprir as suas obrigações para com as pessoas mais necessitadas", da censura na Internet e nos meios de comunicação, a violação do segredo postal ou a detenção de funcionários públicos. Avisando que a proposta catalã de diálogo "é sincera, apesar de tudo o que aconteceu, mas logicamente é incompatível com o actual clima de crescente repressão e ameaça".

 

O segundo pedido a Mariano Rajoy é para que seja realizada, "o antes possível", uma reunião que "permita explorar os primeiros acordos" entre os dois responsáveis políticos. "Não deixemos que se deteriore mais a situação. Com boa vontade, reconhecendo o problema e encarando-o de frente, estou certo de que podemos encontrar o caminho da solução", concluiu o presidente da Generalitat da Catalunha.

Ao mesmo tempo que é apertado por Madrid, o presidente do governo autonómico da Catalunha está sob crescente pressão dos aliados nacionalistas mais à esquerda. Na sexta-feira, 13 de Outubro, a Candidatura de Unidade Popular (CUP) dirigiu também uma missiva a Puigdemont a exigir a retirada da suspensão da declaração unilateral de independência (DUI).

 

A CUP, um partido de extrema-esquerda que apoia no parlamento catalão o governo protagonizado pela aliança soberanista Juntos pelo Sim, argumentou que a intenção do governo catalão de anunciar a DUI com efeitos suspensos para viabilizar um diálogo mediado com Madrid saiu gorada, pelo que defende o regresso a uma via de desobediência aberta face aos normativos constitucionais.


(notícia actualizada às 9:30 com mais informações da carta e contexto sobre a crise catalã)




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comentários mais recentes
Anónimo Há 3 dias

QUEM ESPERA UMA RESPOSTA (SIM. ou NÄO ) DUM POLÍTICO IMPORTANTE TAMBÉM ACREDITA NO PAI NATAL

Anónimo Há 3 dias

COBARDE....MEDRICAS.....NÃO TENS ESPINHAL DORSAL...
Fez com que os cidadãos levassem na tromba forte e feio e depois acobardou-se....
Não me lembro de ver nenhuma fotografia deste despenteado mental a fazer frente à policia!

Piere Ghost Há 3 dias

Puigdemont eres un Cabron !!!
Puigdemont eres un cobardon !!!
Puigdemont à prision !!!

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