Mundo Líder da Câmara dos Representantes confiante que plano fiscal não fará disparar défice

Líder da Câmara dos Representantes confiante que plano fiscal não fará disparar défice

Paul Ryan acredita que as alterações propostas pela administração Trump ao código fiscal vão acelerar o crescimento da economia e, por essa via, compensar o impacto que a redução de impostos prevista no plano terá nas contas públicas.
Líder da Câmara dos Representantes confiante que plano fiscal não fará disparar défice
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 25 de outubro de 2017 às 15:16
O líder da Câmara dos Representantes norte-americana considera que é pouco provável que as alterações ao plano fiscal, que prometem cortes de impostos nos EUA, venham a contribuir para um grande aumento do défice do país.

Paul Ryan, entrevistado pela Reuters, diz acreditar que a dinâmica criada na economia com a redução de impostos compensará a perda de receitas, impedindo assim o crescimento do défice - os democratas, por seu lado, argumentam que este corte prometido de 1,5 biliões de dólares acabará por pesar ainda mais nas contas públicas.

"Acreditamos que teremos um crescimento económico mais acelerado. Não prevemos um grande défice como consequência desta reforma fiscal porque vamos alargar a base e baixar as taxas, resolver lacunas e obter um crescimento económico mais rápido. (...) Acreditamos que a combinação destes factores nos dará um crescimento mais rápido e um código fiscal mais resiliente," afirmou àquela agência noticiosa.

O plano fiscal defendido pela administração Trump - e que terá de ser trabalhado no Congresso para poder ser convertido em alterações legislativas - passa por reduzir permanentemente impostos para a classe média (reduzindo de sete para três os escalões de IRS e isentando de impostos os primeiros 12.000 dólares de rendimentos (caso de solteiros, 24.000 dólares no caso de casais).

Além disso, prevê devolver vantagens competitivas às empresas (reduzindo o IRC de 35% para 20%), eliminar lacunas para tornar o sistema mais simples, justo e simples (reduzindo a declaração de impostos a apenas uma página) e permitir o repatriamento de biliões de dólares colocados no estrangeiro para investir no país (em 2016, segundo contas citadas pela Casa Branca, as empresas norte-americanas mantinham fora dos EUA 71% dos lucros da sua actividade).

Na sexta-feira passada o Senado deu um dos primeiros passos para que a reforma fiscal proposta pela administração Trump possa vir a ser aprovada, com a luz verde à resolução orçamental para 2018, que prevê cortar 1,5 biliões de dólares em impostos ao longo da próxima década.

Além disso, foi viabilizado um procedimento que permitirá aos republicanos, por si só e sem necessidade dos democratas, aprovarem as alterações fiscais pretendidas, acelerando assim o processo.

O possível impacto da redução de impostos no défice foi um dos motivos para uma troca de palavras pouco habitual entre um presidente dos EUA e um senador nas redes sociais. Trump e Bob Corke - senador republicano que se opõe a penalizar o défice para viabilizar o corte de impostos - insultaram-se mutuamente horas antes de um almoço do presidente com senadores para tentar assegurar o seu apoio para o plano fiscal.



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