Economia Líder da UGT promete que "não fará fretes na legislação laboral"

Líder da UGT promete que "não fará fretes na legislação laboral"

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, disse, este sábado, que a central sindical "não fará fretes em relação à legislação laboral" e referiu que "há muita gente confundida no país em relação ao momento que se vive".
Líder da UGT promete que "não fará fretes na legislação laboral"
Miguel Baltazar
Lusa 13 de janeiro de 2018 às 16:48

Num discurso que marcou o encerramento do terceiro congresso da UGT/Porto, depois de falar de vários casos actuais, como do conflito laboral que se vive na Autoeuropa, e de fazer várias críticas à CGTP, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, criticou a forma como as negociações sobre o aumento do salário mínimo decorreram recentemente.

 

"Antes de ir ao parlamento sempre foi decisão desde 86 discutir as matérias em sede de parceiros entre empregadores, sindicatos e Governo. Mas nos últimos anos tem-se assistido a uma força centrífuga que empurra para o parlamento competências da Concertação Social e pela primeira vez os patrões cederam à chantagem política que existe no país", descreveu, deixando um recado.

 

"Nós não vamos fazer fretes em relação a legislação laboral. Os patrões não têm legitimidade para vir bater à porta da UGT pedir batatinhas (...). Estamos cansados de ser acusados de ser muletas", disse.

 

Carlos Silva referiu que a UGT é a maior central sindical portuguesa porque, disse, "só pode ser uma verdadeira central sindical ao serviço do país quem, defendendo trabalhadores, não ignora que existem empresas e não ignora que existem outros organismos da atividade politica, económica e social".

 

O secretário-geral apontou ainda que "há muita gente confundida no país em relação ao momento que se vive", caracterizando-o como "ainda difícil para o movimento sindical".

 

"A Europa está confrontada com uma perda de sindicalização na ordem dos vários milhões de homens e mulheres", referiu, atribuindo a redução às políticas de austeridade e ao facto de "muitos trabalhadores terem sido confrontados com despedimentos ou perdas de salário quando achavam que os sindicatos eram um bastião".

 

"Permitiu-se que a austeridade conseguisse ganhar espaço e destruísse aquilo que achávamos que era indestrutível", sintetizou o líder da UGT, apelando: "Temos de começar de novo a passar uma mensagem de força e de unidade".

 

Por fim, Carlos Silva referiu que "uma das apostas da central é a qualificação dos trabalhadores" e pediu à Autoridade para as Condições do Trabalho "coragem de entrar nas empresas", deixando também apelos aos responsáveis pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional.

 

A sessão também ficou marcada pela eleição e tomada de posse de Clara Quental como presidente da UGT/Porto.

 

A dirigente sindical abordou, no seu discurso, os números do desemprego no país, pedindo aos responsáveis dos sindicatos "trabalho e união".

 

"Colocar a UGT/Porto no mapa sindical de Portugal", foi a meta traçada pela nova presidente.




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