Indústria Líder dos têxteis avisa Governo que "é tempo de cair na realidade"

Líder dos têxteis avisa Governo que "é tempo de cair na realidade"

Paulo Melo arrasou o Executivo em matéria laboral e de investimento. O ministro da Economia ouviu tudo na primeira fila e respondeu que os próprios dados do emprego e exportações no sector "desmentem esses problemas".
Líder dos têxteis avisa Governo que "é tempo de cair na realidade"
Ricardo Castelo/Negócios
António Larguesa 19 de Outubro de 2016 às 16:58

O presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) disse esta quarta-feira, 19 de Outubro, que há "constrangimentos novos que ameaçam a competitividade das empresas" do sector, apontando que nas áreas "mais sensíveis", em vez de uma progressão, está a haver uma inversão da tendência e tornaram-se "problemas particularmente difíceis de ultrapassar".

 

"Falo das reformas estruturais oportunamente lançadas e que, infelizmente, vemos congeladas, quando não mesmo revertidas, em concreto no domínio jurídico-laboral, em que, por exemplo, a simples reposição de quatro feriados pode determinar a perda de 200 milhões de euros de exportação deste sector, para as empresas e para o país. Ou o aumento do salário mínimo, muito para lá do que as condições da economia permitem, pois implica aumentar mais de 5% não apenas as categorias mais baixas, mas todas as restantes em cadeia", concretizou. 

 

Durante o fórum anual da indústria têxtil, que decorre esta tarde em Famalicão, Paulo Melo invocou também o tema do investimento, que "depende exclusivamente da confiança dos operadores económicos, a qual em nada beneficia de declarações radicais de políticos com responsabilidades na governação ou no seu apoio". "Já para não falar do Portugal 2020, cujas expectativas foram elevadas e, também por não corresponder, mitiga as intenções de investimento das empresas", acrescentou. 

 

Perante o ministro da Economia, o presidente da ATP mostrou-se ainda "espantado com a política económica seguida pelo Executivo, privilegiando o consumo interno, que também quer dizer as importações, penalizando, em consequências, o crescimento económico". "É tempo de cair na realidade e mudar o rumo, até porque o Governo tem tido como marca o pragmatismo e não a ideologia", reclamou.

 

Confrontado pelo Negócios com estas duras críticas por parte do novo presidente da principal associação dos industriais do têxtil e vestuário, o ministro da Economia começou por dizer que "não houve neste Governo nenhuma reversão de políticas [na área da legislação laboral] nem [ouviu] essas críticas" da parte do homem que em Julho substituiu João Costa na presidência.

 

Perante a insistência dos jornalistas, que minutos antes ouviram todos estes claros reparos na mesma sala onde estava o ministro, Caldeira Cabral acabou por sublinhar os dados oficiais, "de facto", sobre o comportamento em 2016 ao nível das vendas ao exterior e do emprego, para responder que isso "significa que há algo que está a correr bem neste sector".

 

"Muitos diziam que algumas dessas medidas, como o aumento do salário mínimo ou a reposição dos feriamos, iam trazer fortes problemas. São os dados aqui referidos pelo presidente da ATP [sobre exportações e postos de trabalho] que desmentem esses problemas", detalhou, perante o silêncio de Paulo Melo, que o esperava a poucos metros de distância. 

 

Subsídios de fora das reivindicações

 

Segundo os dados avançados pela ATP, a indústria têxtil e do vestuário deverá fechar este ano com um volume de negócios de 7.200 milhões de euros e 132 mil postos de trabalho, acima dos quase 130 mil que assegurou em 2015. E as exportações, que até Agosto aumentaram 6% em termos homólogos, de acordo com o INE, no final deste ano deverão ultrapassar os cinco mil milhões de euros. 

 

Ainda no tradicional discurso anual sobre o estado do sector, Paulo Melo sublinhou que não pede ao Estado proteccionismo ou subsídios, pois essa retórica faz parte de um passado que hoje seria anacrónico", mas pediu ao Governo liderado por António Costa que "desburocratize, que reforme com celeridade o sistema financeiro, de modo a este poder cumprir o seu papel junto da economia, de forma saudável e em concorrência".

 

Além da já habitual questão da Justiça, na lista reivindicativa desta indústria tradicional faz ainda parte uma discriminação fiscal positiva "para quem cria riqueza em concorrência aberta com o mundo e quem se atreve a investir", e também que flexibilize o quadro jurídico-laboral, "pois tão ou mais importante do que proteger quem tem emprego, deverá ser ajudar os que procuram trabalhar".




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mais votado Anónimo Há 3 semanas


Um governo de ladrões

PS - PCP - BE - ROUBAM OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


Novas pensões mínimas serão sujeitas a prova de rendimento...

para se gastar mais dinheiros com os subsídios às pensões douradas da CGA.


(As pensões da CGA são subsidiadas em 500€, 1000€, 1500€ e mais, por mês.

Estas pensões sim, devem ser sujeitas a condição de recursos.

E não as mínimas.)


comentários mais recentes
Deve ser um porco fascista Há 2 semanas

Não gostas? Pega na mierda da fabrica e desaparece. Acabou o regabofe.

Paulo Há 2 semanas

Não entendo porque falam tanto da mão-de-obra quando os verdadeiros custos de produção, são os da matéria prima e energia, mas como esses são geridos por privados, vamos escravizar o povo...

matita42 Há 2 semanas

Pelo que tenho observado, temos muito maiores possibilidades de cair na pobreza que na realidade. Alguem conhece algum país com governos de esquerda radical que tenha enriquecido?
Vejam-se os casos de Cuba, Venezuela e agora Brasil. Porque há tantos brasileiros a emigrarem para Portugal?

Anónimo Há 2 semanas

A indústria textil tem uma grande importância no emprego, exportações.
Mas tem uma caracteristica muito interessante: tem a sua base nos salários miseráveis. Não é indústria que nos sirva de base: não cria inovação, não distribui riqueza.

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