Energia  "Lóbi da energia é dos mais fortes em Portugal", diz Álvaro Santos Pereira

 "Lóbi da energia é dos mais fortes em Portugal", diz Álvaro Santos Pereira

Em entrevista ao jornal Público, o ex-ministro da Economia diz que é preciso prosseguir com os cortes nas rendas excessivas de que o sector da energia beneficia. Trata-se de um dos lóbis mais poderosos em Portugal, com forte ligação ao poder político.
 "Lóbi da energia é dos mais fortes em Portugal", diz Álvaro Santos Pereira
Bruno Simão/Negócios
Negócios 07 de junho de 2017 às 09:10

Com uma forte ligação ao poder político, o lóbi da energia foi e continua a ser fortíssimo, e é uma influência nefasta no nosso País. O entendimento é de Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia, que, em entrevista ao Público, defende que é preciso ir mais longe no corte das rendas excessivas de que o sector da energia ainda beneficia.

Não querendo comentar directamente a investigação do Ministério Público à EDP, Álvaro Santos Pereira, o ministro independente de Passos Coelho que seria substituído pelo democrata-cristão Pires de Lima, defende ao Público que é preciso não reverter o que já foi feito no sector da energia e até ir mais longe, já que os consumidores continuam a ser prejudicados com os contratos que o Estado firmou com as empresas.

Ossectores da energia "foram protegidos durante demasiado tempo, criaram lóbis fortíssimos, com ligação ao poder político, e que tiveram uma influência nefasta no nosso País". Foram no passado e continuam a sê-lo, já que este é ainda "um dos lóbis mais fortes que temos em Portugal".

O ex-ministro da Economia, agora na OCDE, aponta vários caminhos para a redução dos privilégios no sector, desde um corte nos CMEC (os custos de manutenção do equilíbrio contratual, que parecem ser o foco da investigação judicial), passando por reduções nas garantias de potência, ou pela criação de um mercado mais concorrencial - a este propósito, considera que as interligações a Espanha e França são fundamentais.

 

Álvaro Santos Pereira reclama créditos para o seu período de governação, dizendo que cortou 3,5 mil milhões de euros de rendas na energia, coisa que nunca antes tinha acontecido. E adianta que, quando saiu, escreveu uma carta ao primeiro-ministro dizendo-lhe que "tínhamos identificado mais 1,5 mil milhões de euros de rendas na energia que era preciso cortar e eles aplicaram uma contribuição ao sector".

"O que é preciso é continuar a identificar se há mais rendas ou não", porque no fim, quem perde é o consumidor.

 

As declarações do ex-ministro da Economia surgem numa altura em que o Ministério Público já constituiu sete arguidos numa investigação aos contratos celebrados entre o Estado e a EDP. São eles António Mexia (EDP), João Manso Neto (EDP Renováveis), João Conceição (REN). Pedro Furtado (REN), Rui Cartaxo (Novo Banco, na REN até 2014), Pedro Rezende (AT Kearney Portugal, ex-REN) e Jorge Ribeirinho Machado (EDP).  

A EDP já veio garantir publicamente que não obteve qualquer benefício




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mais votado Anónimo Há 2 semanas

Em França, e mesmo tendo o Estado francês como maior accionista com cerca de 85% das acções da empresa, a maior companhia de electricidade, cotada na bolsa de valores onde dispersou parte do seu capital, está orientada para o mercado livre, aberto e concorrencial, despede 5100 excedentários, gera lucros impressionantes, distribui dividendos notáveis aos accionistas, e vende uma das electricidades mais baratas de toda a União Europeia. Em Portugal, a congénere, anti-mercado, mal gerida, sem qualquer consideração pelos clientes e pelos accionistas, nem tão pouco pelas autoridades reguladoras e económicas que capturou há muito porque o Estado português deixa-se sempre capturar por nefastos e obscuros interesses, negoceia os despojos do mercado que matou à nascença e se habituou a roubar. "EDF plans up to 5,100 job cuts in France: source" http://www.reuters.com/article/us-edf-layoffs-idUSKBN15G4AL

comentários mais recentes
Anónimo Há 2 semanas

Energia eléctrica mais cara da União Europeia e a quarta maior dívida pública do mundo em percentagem do PIB, que a economia não tem meios sustentáveis para pagar, são resultado da mentalidade anti-mercado que assolou todos os meandros da sociedade portuguesa. Há beneficiários desta situação e há vítimas. Mas no final todo o país ficará a perder.

Anónimo Há 2 semanas

Empresas que fazem tudo para destruir o mercado do sector de actividade onde se inserem, nem deviam ter critérios para dispersar o seu capital num mercado de acções supervisionado e regulamentado.

Anónimo Há 2 semanas

Portugal foi transformado num The Planet of the Apes pelas iníquas e insustentáveis forças anti-mercado.

Anónimo Há 2 semanas

REN-EDP, um dos maiores e mais danosos lóbis anti-mercado que flagelam a economia portuguesa desde há várias décadas, comparável em grau de perigosidade e pestilência a uma CGTP-Frente Comum.

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