Mundo Macron acusa dois media russos de "propaganda"

Macron acusa dois media russos de "propaganda"

O chefe de Estado russo rejeitou as acusações de que Moscovo tenha intervindo nas eleições presidenciais em França.
Macron acusa dois media russos de "propaganda"
Reuters
Lusa 29 de maio de 2017 às 19:30

Os 'media' russos Sputnik e Russia Today, financiados pelo Kremlin, "foram órgãos de influência e de propaganda" durante a campanha presidencial em França, afirmou hoje o Presidente francês, Emmanuel Macron, numa conferência de imprensa em Versalhes com Vladimir Putin. 

 

Durante a campanha para as eleições presidenciais francesas, a equipa do centrista Macron já tinha acusado os dois órgãos de comunicação russos de fazerem "parte de um dispositivo destinado a atacar" a sua candidatura, em benefício dos candidatos favoráveis a uma aproximação a Moscovo, como a sua adversária de extrema-direita na segunda volta, Marine Le Pen.

 

O chefe de Estado russo rejeitou as acusações de que Moscovo tenha intervindo nas eleições presidenciais em França.

 

No final da reunião com Macron no Palácio de Versalhes, Putin disse que Moscovo não tentou influenciar o escrutínio francês, mas falou também em defesa do seu encontro em Março com Marine Le Pen, que descreveu como uma figura política que quer aprofundar relações de amizade com a Rússia.

 

Putin argumentou que seria estranho se a Rússia rejeitasse aberturas por parte de políticos europeus que querem estreitar relações e reiterou que a reunião com Le Pen não constituiu uma tentativa de viciar a corrida presidencial.

 

O líder russo acrescentou ainda que a Rússia estava perfeitamente a par das sondagens de opinião que previam a vitória de Macron.

 

Macron tento ao respeito dos direitos humanos na Rússia e na Chechénia

 

No mesmo evento, o presidente francês garantiu que estará "constantemente atento" ao respeito dos direitos humanos na Rússia e na Chechénia, adiantando que o seu homólogo russo prometeu chegar à "verdade plena" sobre a repressão dos homossexuais na Chechénia.

 

"O presidente Putin (...) disse-me ter tomado várias iniciativas sobre a questão das pessoas LGBT (lésbicas, 'gays', bissexuais e transgéneros) na Chechénia, com medidas para alcançar a verdade plena sobre as actividades das autoridades locais e resolver as questões mais sensíveis", disse Macron.

 

A organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional pediu hoje em Paris a Macron para pressionar Putin para acabar com a "homofobia na Chechénia".

 

No final de Março, o jornal independente russo Novaya Gazeta revelou que os homossexuais eram alvo de perseguições por parte das autoridades na Chechénia, sociedade conservadora onde a homossexualidade é considerada tabu.

 

Na semana passada a organização Human Rights Watch confirmou num relatório a perseguição de dezenas de homens homossexuais ou bissexuais, detidos, agredidos e humilhados naquela república russa, e pediu à Rússia para garantir uma investigação "completa e imparcial" do caso.

 

"Queremos que Macron faça pressão sobre Putin, para que ele faça, por seu lado, pressão sobre Kadyrov (o presidente checheno), que persegue com toda a impunidade os homossexuais com a bênção das autoridades" russas, disse à AFP Cécile Coudriou, vice-presidente da Amnistia Internacional francesa.

 




Utilização de armas químicas desencadeará "resposta imediata"

 

Macron advertiu que a utilização de armas químicas na Síria desencadeará "uma resposta imediata", instando a uma "parceria" reforçada com Moscovo para combater o terrorismo naquele país.

 

"Existe uma linha vermelha muito clara do nosso lado: a utilização de armas químicas por quem quer que seja", frisou o chefe de Estado francês, acrescentando que "qualquer utilização de armas químicas será alvo de represálias e de uma resposta imediata, pelo menos da parte dos franceses".

 

Emmanuel Macron expressou ainda o desejo de "reforçar a parceria com a Rússia" em matéria de luta contra o terrorismo na Síria.

 

"A nossa prioridade absoluta é a luta contra o terrorismo e a erradicação dos grupos terroristas e, em particular, do Daesh", o acrónimo árabe que designa o grupo 'jihadista' Estado Islâmico.

 

"É o fio condutor da nossa acção na Síria e aquele em que eu vejo que, além do trabalho que estamos a fazer no âmbito da coligação, poderíamos reforçar a nossa parceria com a Rússia", sustentou.

 

O novo Presidente francês pronunciou-se a favor de "uma transição democrática" na Síria, "mas preservando a existência de um Estado sírio".

 

"Na região, os Estados falhados são uma ameaça para as nossas democracias e, vimo-lo uma e outra vez, levaram à proliferação dos grupos terroristas", sublinhou.

 


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