Europa Macron: Alemanha "deve mudar" para corrigir disfuncionalidades da zona euro

Macron: Alemanha "deve mudar" para corrigir disfuncionalidades da zona euro

O Presidente francês considerou que a Alemanha "deve mudar" para corrigir "disfuncionalidades da zona euro" e dar-lhe "o destino que merece", numa entrevista publicada a poucas horas do conselho de ministros franco-alemão.
Macron: Alemanha "deve mudar" para corrigir disfuncionalidades da zona euro
Lusa 13 de julho de 2017 às 07:38

"Deve mudar, tal como a França deve mudar", sublinhou Emmanuel Macron na entrevista ao jornal Ouest France e ao grupo de jornais alemão Funke.

 

Para Macron, que preside esta manhã no Eliseu ao 19.º conselho de ministros franco-alemão com a chanceler Angela Merkel, Berlim "deve acompanhar um ressurgimento do investimento público e privado na Europa".

 

"A Alemanha reformou-se formidavelmente, tem uma economia sólida, mas há fragilidades demográficas, desequilíbrios económicos e comerciais com os seus vizinhos", disse.

 

"As responsabilidades partilhadas devem dar à zona euro o destino que merece", sublinhou.

 

"Uma parte da competitividade alemã deve-se às disfuncionalidades da zona euro, à fraqueza das outras economias", analisou o Presidente francês.

 

Os países "que já estão endividados ficam ainda mais endividados" e "os que são competitivos ficam ainda mais competitivos", destacou.

 

A Alemanha "fez reformas", mas "beneficia também das disfuncionalidades da zona euro", uma "situação (que) não é saudável porque não é duradoura".

 

Emmanuel Macron falou ainda dos "mecanismos de solidariedade mais importantes para o futuro" que passam por um "orçamento" da zona euro, "um governo que decide a alocação desse orçamento e um controlo democrático que não existe hoje".

 

Em matéria de defesa, o Presidente francês disse que apesar de "a Alemanha não ter as mesmas capacidades de intervenção operacionais" que a França, "pode apoiar o esforço europeu".

 

Trump em Paris para preservar "relação no domínio da segurança"

 

O Presidente francês justificou o convite feito ao homólogo norte-americano para estar presente no Dia da Bastilha com a vontade de "celebrar uma relação incontornável no domínio da segurança".

 

Emmanuel Macron explicou que a França e os Estados Unidos têm um "ponto de convergência essencial: a luta contra o terrorismo e a protecção dos interesses vitais, que são no Próximo e Médio Oriente e em África, onde a cooperação com os Estados Unidos é exemplar".

 

Macron lembrou que os Estados Unidos são "os primeiros parceiros em termos de informação, cooperação militar, e luta conjunta contra o terrorismo", sublinhando que Washington é "também um parceiro histórico".

 

"É por isso que convidei Donald Trump para o 14 de Julho, para celebrar a entrada na guerra ao nosso lado das tropas americanas há 100 anos, prestar-lhes homenagem e celebrar uma relação que é incontornável no domínio da segurança", afirmou.

 

"Precisamos dos Estados Unidos da América", reconheceu o chefe de Estado francês.

 

Macron acrescentou que "o mundo ocidental se dividiu após a eleição" de Donald Trump, e evocou "diferendos", em particular "o desacordo sobre o clima".

 

"Lamento-o, combato-o com muita força", afirmou, acrescentando que promete fazer "tudo para convencer as cidades, os estados federais, os empresários norte-americanos" a seguirem a França.

 

"Os americanos vão aplicar o acordo de Paris, quer o Estado federal queira ou não, graças a esta mobilização local muito forte", afirmou.

 

Macron sublinhou também as "diferenças no comércio", criticando uma "tendência proteccionista (que) reina nos Estados Unidos".

 

"Gostaria que defendêssemos o comércio livre e justo. O proteccionismo é um erro, é o irmão gémeo do nacionalismo e isso conduz à guerra", sublinhou, garantido ser possível "encontrar espaços comuns para lutar contra práticas inaceitáveis como o 'dumping'".

 




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