União Europeia Macron quer travar circulação de trabalho barato. Costa não vai gostar

Macron quer travar circulação de trabalho barato. Costa não vai gostar

A renegociação da directiva que regula o destacamento de trabalhadores promete provocar um choque frontal entre Paris e Lisboa. Quase metade dos portugueses que trabalham temporariamente num outro Estado-membro vai para França.
Macron quer travar circulação de trabalho barato. Costa não vai gostar
Reuters
Eva Gaspar 25 de maio de 2017 às 20:04

O presidente francês, Emmanuel Macron, quer que a Comissão Europeia faça mais para conter o afluxo de trabalhadores europeus de baixos salários, argumentando que esse fenómeno está a minar apoio à União Europeia – em França e não só. "Ao lado desta França que reforma, que transforma, que muda, precisamos de uma Europa que proteja", disse Macron, citado pela Reuters, após um encontro com o presidente Jean-Claude Juncker, que decorreu nesta quinta-feira, 25 de Maio, em Bruxelas.

A causa próxima destas declarações reside na directiva de destacamento de trabalhadores, que está a ser renegociada em moldes que prometem ter especial impacto em Portugal. 

"Quando alguém trabalha num país, deve aplicar-se o princípio 'para o mesmo trabalho, o mesmo salário'", argumentou esta tarde Emmanuel Macron. Citado pela Reuters, o presidente disse que a diferença salarial face aos trabalhadores da Europa de Leste minou a "ideia da Europa" e alimentou os extremismos – particularmente na França, mas não só. "Em parte, foi também isto que alimentou o Brexit", acrescentou, referindo-se à decisão de saída do Reino Unido da União Europeia.

A directiva actual entrou em vigor em 1996 para proteger os direitos sociais dos trabalhadores destacados quando as empresas fazem uso da liberdade de prestação de serviço. Esta já estabelece, por exemplo, remunerações salariais mínimas e períodos máximos de trabalho e períodos mínimos de descanso, e sua negociação coincidiu com um período conturbado nas relações luso-germânicas, em que muitas empresas portuguesas de construção civil se instalaram na Alemanha, em especial na reabilitação e ampliação de Berlim (que voltara a ser a capital do país reunificado) levando "temporariamente" trabalhadores nacionais, comparativamente mais baratos do que os locais.


A nova versão proposta pela Comissão Europeia, que deverá ser negociada e adoptada pelos governos europeus ainda antes do Verão, é mais exigente e fixa que, em regra, os trabalhadores destacados fiquem submetidos aos mesmos direitos e deveres dos locais, incluindo tabelas salarias.

 

A França e países mais ricos como a Alemanha, apoiam esta linha e querem até ir mais longe na luta contra o "dumping" social, mas países como a Polónia e Portugal prometem fazer-lhes frente. Segundo os últimos dados disponibilizados pela Comissão Europeia, quase 65 mil trabalhadores portugueses trabalharam temporariamente noutro Estado-membro em 2015, e a maior fatia (44%) foi para França.




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mais votado Anónimo 25.05.2017

Proteccionismo bacoco à lá Trump do Macron depois dos dois se terem reunido. Se entre EUA e o resto do mundo ainda pode ser uma escolha, má é certo, mas uma escolha admissível, na UE em construção e onde se fala de integração, de fronteiras abertas e de cidadania comum, fará menos sentido. Chauvinismos politiqueiros...

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JCG 27.05.2017

À primeira vista eu diria que até parece uma medida acertada. Mas se calhar escapa-me alguma coisa...
Ao Sr António Costa eu diria que o melhor é ele e os ministros relacionados focarem-se em fomentar o crescimento da boa economia em Portugal e assim se criarão melhores empregos em Portugal.

E há tanta coisa que pode ser feita. Há tantos recursos desperdiçados no país de tantas formas e feitios. Assim o Governo consiga cooptar ministros e secretários com efectiva competência e movidos efectivamente pelo interesse público geral.

Anónimo 26.05.2017

A prioridade para o governo de Ant. Costa é mostrar que está a acabar com os intermediários nestas atividades que negoceiam aos preços de lá e pagam aos preços de cá... fora os que ficam sem BI e não podem regressar... só na Holanda chegou a haver mais de 300 portugueses escravos...

Anónimo 25.05.2017

Ninguem aqui sabe do que se esta a passar... Os franceses estao a pagar o ordenado do pais(25€\hora).. os empreiteiros de ca e que estao a mamar pagando aos funcionarios (10€\hora)... Um empreiteiro com 20 empregados fassao a conta.... Facil...

Anónimo 25.05.2017

Nas economias e sociedades mais ricas e desenvolvidas entre as mais ricas e desenvolvidas, o desaparecimento da classe média dá-se a uma taxa anual superior e que em grande medida corresponde à taxa de substituição de factor produtivo trabalho por factor produtivo capital. Numa Eurozona de fronteiras abertas isso representa uma oportunidade para que muito agente económico oriundo de jurisdições mais pobres e menos desenvolvidas dessa mesma Eurozona faça valer as suas vantagens competitivas. Macron não os quer deixar usufruir dessa oportunidade de mercado ou não dependesse ele única e exclusivamente dos votos dos cidadãos franceses. Verdade de La Palice.

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