Zona Euro Macron vai apresentar a “mãe de todas as reformas”

Macron vai apresentar a “mãe de todas as reformas”

O presidente francês vai apresentar esta quarta-feira aquilo que o ministro das Finanças apelidou de “a mãe de todas as reformas”. O governo prepara-se para aprovar mudanças no código do trabalho, que espera que entrem em vigor em Setembro.
Macron vai apresentar a “mãe de todas as reformas”
reuters
Ana Laranjeiro 28 de junho de 2017 às 10:30

"A mãe de todas as reformas". Foi assim que Bruno Le Maire, ministro das Finanças da França, descreveu a reforma do mercado laboral que vai ser aprovada esta quarta-feira, 28 de Junho, pelo governo do presidente Emmanuel Macron.

O Executivo gaulês prepara-se assim para aprovar mudanças nas linhas gerais do código do trabalho e vai pedir ao parlamento que lhe seja dada autoridade para negociar, durante o Verão, com os sindicatos e com os grupos patronais estas mudanças.

"A reforma do mercado laboral é a mãe de todas as reformas, tanto do ponto de vista económico como do ponto de vista social", disse Le Maire ao Le Figaro, a 24 de Junho, citado pela Bloomberg. "Enquanto o contexto é favorável, não podemos perder um minuto".

A flexibilização do código do trabalho em França foi uma das bandeiras de Emmanuel Macron durante a campanha eleitoral. E, por isso, as negociações, tanto com sindicatos como com patrões, começaram logo a seguir à sua vitória na corrida ao Eliseu. As negociações incidiram sobretudo em três pontos.

O primeiro está relacionado com a introdução de uma limitação ao valor das indemnizações pagas aos trabalhadores por despedimento, bem como, outros custos que as empresas têm de suportar aquando do despedimento de trabalhadores. O segundo está relacionado com a simplificação da representação dos trabalhadores nos conselhos das empresas. E o terceiro está relacionado com quem deve negociar o valor dos salários dos trabalhadores com as entidades patronais.

O objectivo é que esta reforma seja introduzida por decreto, o que evita um prolongado debate na Assembleia Nacional francesa, o que travaria uma implementação rápida das medidas. É que Emmanuel Macron quer que esta reforma entre em vigor já em Setembro, adianta a agência de informação.


"Peço ao presidente para que seja humilde e prudente e não pense que, porque foi eleito e tem uma grande maioria, pode fazer o que quer", disse Philippe Martinez, líder do segundo maior sindicato francês, o CGT, citado pela Bloomberg. Macron apanhou de surpresa "os partidos políticos tradicionais" mas "os sindicatos, incluindo CGT, são um obstáculo que não pode contornar", acrescentou.

Esta pode ser a altura ideal para Emmanuel Macron introduzir reformas. As eleições legislativas deram ao seu partido uma maioria absoluta eMacron beneficia, nesta altura, de um elevado capital político e a economia francesa esta próxima de registar o período mais forte de crescimento económico desde 2010, segundo a mesma fonte.




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mais votado Anónimo Há 3 semanas

Em países que se deixaram capturar por uma cultura desonesta, onde o mais desonesto vence, e provinciana, pouco atenta à realidade global e à modernidade tal como ela lhes chega do mundo mais desenvolvido, com leis atrasadas, estupidamente redigidas e permissivas a todos os abusos e abusadores, o sindicalismo e o capitalismo de compadrio são capazes de pôr o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com zero procura de mercado na economia, chamemos-lhe o vendedor de areia no deserto, a viver tão ou mais confortavelmente do que o ofertante de factor trabalho, bens ou serviços com muita procura de mercado nessa mesma economia, chamemos-lhe o vendedor de água no deserto. E é claro, uma economia assim cheia de distorções, frontalmente anti-mercado, atrasa-se e empobrece.

comentários mais recentes
Anónimo Há 3 semanas

O excedentário mais votado Anónimo de seu nome mantém a cadencia de comentários em catadupa. Tipo cassete do comité central. Temos pena, o governo governa e a arraia miúda barafusta... Para cada Anónimo mais votado devem haver dezenas de comentários mais interessantes onde não se pode votar...

Anónimo Há 3 semanas

Cuidado com a "mae das reformas" que os franceses não os "cornudos mansos" dos tugas....

Anónimo Há 3 semanas

Portugal tem sentido tanto os efeitos da crise que consolidam a sua posição entre os mais pobres dos ricos e os menos desenvolvidos dos desenvolvidos, por causa de não ter vindo a fazer os despedimentos que devia ter feito e por tê-los substituído por progressões, aumentos e blindagens contratuais absurdas e anacrónicas que os seus pares mais ricos e desenvolvidos souberam desmantelar há muito.

Anónimo Há 3 semanas

Pessoas muito pouco sérias, criaturas diminutas sob todos os aspectos relevantes, não deviam tentar comentar sem antes pensarem muito cuidadosamente, por pelo menos duas vezes, naquilo que vão escrever contra as grandes evoluções que marcam indelevelmente a actualidade e a história da humanidade.

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