Mundo Maduro é o dono da economia - e do colapso - da Venezuela

Maduro é o dono da economia - e do colapso - da Venezuela

O presidente Nicolás Maduro prosperou apesar dos protestos brutais nas ruas, da menção a uso de força militar pelos EUA e a várias ondas de sanções. A nova assembleia constituinte está a contornar o congresso e deve começar a reescrever a constituição do país nesta semana. Mas o resultado final pode passar por Maduro tornar-se no único dono do colapso financeiro fatal de um país que outrora rico.
Maduro é o dono da economia - e do colapso - da Venezuela
Reuters
Bloomberg 03 de setembro de 2017 às 14:00

O regime socialista da Venezuela consolidou o controlo político quase absoluto depois de instaurar uma assembleia constituinte todo-poderosa. Porém, resolver a crise económica e arranjar 3,5 mil milhões de dólares para pagar títulos que vencem antes de Novembro vai ser mais complicado.

O presidente Nicolás Maduro prosperou apesar dos protestos brutais nas ruas, da menção a uso de força militar pelos EUA e a várias ondas de sanções. A nova assembleia constituinte está a contornar o congresso e deve começar a reescrever a constituição do país nesta semana. Mas o resultado final pode passar por Maduro tornar-se no único dono do colapso financeiro fatal de um país que outrora rico.

Maduro tem procurado encontrar a salvação financeira junto da Rússia. Reduziu as importações, cobrou dívidas e vendeu ou hipotecou activos com grandes descontos. Até 31 de Julho o governo já tinha acumulado 2,8 mil milhões de dólares para os pagamentos de Novembro, de acordo com a consultoria Ecoanalítica, sediada em Caracas.

Não honrar as dívidas poderia aprofundar a falta de dinheiro do país e os credores poderiam arrebatar os activos da Venezuela no exterior - refinarias, navios-petroleiros, postos de gasolina -, o que prejudicaria ainda mais a capacidade de exportação do país.

No entanto, o director da Ecoanalítica, Asdrúbal Oliveros, duvida que o governo consiga honrá-las depois deste ano ter continuado a alienar investidores e líderes regionais. "O governo continua preso na mesma dinâmica", disse ele. "Está a sustentar um sistema insustentável."

Sanções de dívida


A corda no pescoço da Venezuela está cada vez mais apertada. Na semana passada, o governo Trump impediu a negociação de novas dívidas emitidas pelo governo venezuelano e pela companhia estatal de petróleo PDVSA, e bloqueou a negociação de alguns títulos de propriedade do sector público do país. A proibição pretende impedir as entidades governamentais venezuelanas de vender títulos no mercado secundário.

À medida que a Venezuela se isolou economicamente, a inflação disparou e o país foi assolado pela escassez generalizada, de peças de automóveis a medicamentos básicos. A mortalidade infantil e doenças como a malária aumentaram, enquanto serviços instáveis e programas alimentares pouco confiáveis alimentaram a violência entre aqueles que eram leais a Maduro e ao seu mentor, o falecido Hugo Chávez.

Maduro tem sido vago sobre o que irá fazer para tirar a Venezuela da penúria.

Hiperinflação

No mês passado, o preço do dólar disparou no mercado negro, que é cada vez mais usado para manter à tona uma economia dependente das importações. Embora os preços do dólar tenham diminuído desde então, muitos donos de empresas queixam-se por não conseguirem trocar o preço das mercadorias suficientemente rápido por forma a acompanhar o ritmo da inflação.

José Manuel Puente, economista do Instituto de Estudos Avançados em Administração, em Caracas, disse que a Venezuela poderia estar a aproximar-se da hiperinflação. Enquanto o banco central se mantém em silêncio sobre os principais indicadores, o Fundo Monetário Internacional estima que a economia vai contrair pelo quarto ano consecutivo — 12% em 2017. Enquanto isso, os preços aumentaram 649% por ano, de acordo com estimativas da Torino Capital.

"É impossível ter uma política macroeconómica coerente se a política interna está um caos", disse Puente.

Harold Trinkunas, um especialista em assuntos relacionados com a Venezuela, da Universidade de Stanford, disse que um colapso financeiro poderia ter consequências sérias para toda a região. "Já não é apenas o petróleo", afirmou. "É o aspecto humanitário."




A sua opinião2
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado beachboy 03.09.2017

...cuba 2...
...a fome e a miséria vem a caminho!...

comentários mais recentes
As esganiçadas do BE só têm faladura OCA! 03.09.2017

Mandai para a Venezuela o dinossauro Jerónimo e as esganiçadas do Bloco de Esterco! Estes estafermos querem fazer o mesmo em Portugal! Destruir é o q a esquerdalha sabe fazer e colocar os povos na miséria e ainda não querem sair do poleiro! Cuba e Coreia do Norte são outros países para a esquerdalha

beachboy 03.09.2017

...cuba 2...
...a fome e a miséria vem a caminho!...