Europa Manuel Valls: o Sarkozy da esquerda volta a ser derrotado nas primárias

Manuel Valls: o Sarkozy da esquerda volta a ser derrotado nas primárias

Manuel Valls granjeou popularidade pela sua abordagem dura à criminalidade, o que lhe valeu comparações com Sarkozy. Pela segunda vez, candidatou-se às primárias francesas. Desta vez chegou à segunda volta, mas acabou derrotado pelo seu ex-ministro da Educação
Manuel Valls: o Sarkozy da esquerda volta a ser derrotado nas primárias
Reuters
Manuel Esteves 29 de janeiro de 2017 às 23:02

Manuel Valls é um dos mais destacados membros da chamada ala de direita do Partido Socialista francês (PSF). Saiu derrotado este domingo da segunda volta das primárias socialistas e não foi a primeira vez que isso aconteceu. Já em 2011, tentou a sua sorte, mas recolheu apenas 5% dos votos, acabando por dar o seu apoio àquele que veio a ser o futuro presidente de França.

Manuel Valls nasceu em Barcelona em 1962, naturalizando-se francês em 1982, então com 20 anos. Como político, destacou-se sobretudo pela sua abordagem às questões de segurança pública e da economia. Foi presidente da Câmara de Evry onde pôs em prática uma severa política de segurança, que passou pelo reforço do armamento da polícia municipal, aumento do números dos seus efectivos e a aposta nas câmaras de vigilâncias, o que lhe granjeou inimizades dentro do partido mas também alguma popularidade junto do eleitorado.

A sua liderança à frente da região de Essonne deu-lhe notoriedade a nível nacional, surgindo então frequentes comparações com Nicolas Sarkozy pela sua abordagem aos temas da segurança. Não admira por isso que venha a ser nomeado ministro da Administração Interna no primeiro Governo da Presidência de Hollande, dirigido por Jean-Marc Ayrault, que não durou mais de dois anos.

Em Março de 2014, Hollande entrega-lhe a liderança do seu segundo governo, onde assumiu uma posição mais liberal, adoptando uma política de contenção orçamental que suscitou forte oposição dos sindicatos e dos sectores mais à esquerda do PSF. Meio ano depois, faz uma profunda remodelação no seu governo, que ficou marcada pela saída de Arnaud Montebourg e Benoit Hamon. Ambos acabarão por ser seus adversários na primeira volta das primárias socialistas e será com os votos dos seus eleitores que acabará derrotado por Hamon na segunda volta das eleições. 


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