Economia Marcelo adverte contra "deslumbramentos" com "boa notícia" da Fitch

Marcelo adverte contra "deslumbramentos" com "boa notícia" da Fitch

O Presidente da República congratulou-se este sábado com a "boa notícia" da Fitch, mas advertiu contra "deslumbramentos", lembrando que é preciso esperar pela confirmação definitiva da agência de “rating” e continuar a trabalhar.
Marcelo adverte contra "deslumbramentos" com "boa notícia" da Fitch
A propósito da "boa notícia" da Fitch, Marcelo Rebelo de Sousa aconselha os portugueses a "manterem os pés assentes na terra".
Lusa 17 de junho de 2017 às 14:47

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas à margem da cerimónia comemorativa do Dia da Marinha do Tejo, fez uma comparação entre a situação financeira e económica de Portugal e o Tejo: "manter a tradição mas a pensar no futuro".  

 

"Tivemos ontem com a Fitch a primeira boa notícia de uma agência de ‘rating’ ao fim de cinco anos e meio, mas é preciso não haver deslumbramentos, as pessoas manterem os pés assentes na terra, o trabalho continuar, primeiro porque é preciso confirmar a decisão definitiva da Fitch no fim do ano, depois porque há outras agências de rating a pronunciar-se, depois porque Portugal exige crescimento, emprego, mas redução da dívida e controle do défice, e este equilíbrio vai ter que continuar", disse.

 

O Presidente da República destacou a importância deste sinal dado pela Fitch, que "normalmente significa, daí por uns meses, uma mudança de rating".  

 

"Se for assim, eu penso que há vários compradores da dívida pública portuguesa que estão à espera dessa mudança para comprar de forma significativa", acrescentou. 

 

Para o chefe de Estado, isso pode ser uma ajuda: "além da diminuição do défice, além do crescimento da economia, uma ajuda fundamental é se, de repente, já com outro 'rating', vierem investidores institucionais estrangeiros comprar de uma maneira significativa a dívida pública portuguesa".

 

Para o Presidente da República, isso significa que "a dívida pública passa para prazos longuíssimos, com taxas de juro muito mais baixas e aquilo que durante muito tempo foi um pesadelo poder converter-se numa realidade mais fácil de gerir".

 

Cauteloso, Marcelo Rebelo de Sousa destacou que as agências de notação financeira não mudam de repente, mudando primeiro a perspectiva - neste caso, de estável para positiva - e só depois de "escalão", e mostrou-se cauteloso, instando à continuação do trabalho para "consolidar no orçamento para 2018 e para os próximos anos o que foram cinco anos e meio de sacrifício".

 

Recordando que maio foi o mês em que o Banco Central Europeu (BCE) comprou o valor mínimo da dívida pública portuguesa, salientou que "já não foi preciso o BCE comprar e mesmo assim as emissões desceram significativamente de juro".

 

"Os mercados financeiros percebem quando está a haver uma recuperação financeira e uma recuperação económica. Aqui perceberam e a União Europeia ajudou porque reconheceu publicamente, e quando começaram a perceber, começaram a mudar e, por isso, nós não podemos dizer sequer que tenha havido, nos últimos tempos, muita compra de dívida pública portuguesa por parte do BCE. Para Portugal isso já começou a descer progressivamente e atingiu o ponto mínimo no mês passado", concluiu.

 

O Presidente da República participou nas cerimónias da Marinha do Tejo, que enalteceu, juntamente com a Armada Portuguesa, pela persistência na preservação e dignificação da História e pela aposta no futuro".

 

Para Marcelo Rebelo de Sousa, o Tejo é "uma causa nacional, virada para o futuro".

 

Considerando que a ligação ao Tejo é uma "realidade indiscutível" quando se pensa em Lisboa, lamentou os anos em que o crescimento lisboeta foi feito de costas para o Tejo, realidade que mudou no final dos anos 80, mantendo-se até hoje.

 

O chefe de Estado considera que esta tradição tem de ser mantida, mas que "importa olhar para o futuro": ver mais embarcações, mais juventude e mais actividades desportivas no Tejo, mas também uma maior ligação, não apenas de Lisboa mas de toda a realidade banhada por este rio.

 




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mais votado Anónimo Há 3 dias

Em comparação com Marcelo e o seu governo das esquerdas unidas, Obama foi um fanático ultra neoliberal. As pessoas mais desatentas ou distraídas deviam ter consciência disto. Cabe a órgãos de comunicação social como o Jornal de Negócios, de forma pedagógica, a facilitação dessa informação verídica e oportuna à luz dos desafios que Portugal e os portugueses enfrentam e dos quais muitos nem se apercebem. "Job shifts under Obama: Fewer government workers, more caregivers, servers and temps" www.pewresearch.org/fact-tank/2015/01/14/job-shifts-under-obama-fewer-government-workers-more-caregivers-servers-and-temps/

comentários mais recentes
Anónimo Há 1 semana

Este é um PR dum país imaginário.PAÍS real: Saúde dos pobres, miséria. Estradas dos pobres miséria. Educação dos pobres, miséria. E o povo afogado em IMPOSTOS.

IS Há 2 dias

O idiota ridículo registado na Cofina com o nick " ANDREZOIDIN" escreve frases sem nexo maioritariamente imperceptíveis que termina com o estúpido "SL".

IS Há 2 dias

Prof Marcelo Rebelo de Sousa a constatar o óbvio dado que em termos de rating não houve qualquer alteração.

Anónimo Há 3 dias

Depois das falências de municípios, algumas empresas industriais e instituições financeiras de renome nos Estados Unidos da América, a que se juntaram alguns resgates governamentais, motivadas pelo excedentarismo e a sobrecapacidade que eram o reflexo da excessiva rigidez atingida nos mercados de factores produtivos ligados a estes sectores, negócios e cidades nos Estados Unidos da América aprenderam a fazer mais com menos factor trabalho alocado. Este processo ainda não terminou. Continua a passo acelerado. Em Portugal e Grécia, pelo contrário, ainda nem começou. O excessivo peso do turismo e da administração pública nessas economias, a par dos baixos níveis de transparência, não ajudarão certamente. Mas algo terá que ser feito nesse sentido. O sentido do progresso que conduz à equidade, sustentabilidade e prosperidade. “Businesses and cities have learned to make do with fewer people.” https://blogs.wsj.com/economics/2013/10/23/u-s-cities-still-reeling-from-great-recession/

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