Política Marcelo diz estar a estudar preços da EDP

Marcelo diz estar a estudar preços da EDP

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou este sábado que o aumento dos preços da electricidade pela EDP no mercado livre é uma matéria que está a estudar e sobre a qual poderá vir a pronunciar-se.
Marcelo diz estar a estudar preços da EDP
Lusa
Lusa 06 de janeiro de 2018 às 20:19

"É uma matéria sobre a qual não me queria pronunciar já, uma vez que estou a estudá-la e a acompanhar o que se passa, porque ela é muito mais vasta e muito mais ampla. E quando tiver dados de facto para eventualmente me pronunciar, pronunciarei", declarou o chefe de Estado, em resposta a questões dos jornalistas, na varanda do Palácio de Belém, em Lisboa.

Em 2018, no mercado livre, a EDP Comercial vai aumentar o preço da eletricidade em média 2,5% este ano.


Segundo o presidente da empresa, Miguel Stilwell, a principal razão para esta subida média de 2,5% das tarifas em 2018 é o "aumento de preços da energia no mercado grossista em 24% no último ano", em grande parte devido à seca e ao incremento do preço do carvão.


"Temos que refletir esse aumento no nosso preço. O [mercado] regulado não refletiu esse aumento", declarou o gestor à agência Lusa, no final de Dezembro.


Sobre a possibilidade de os outros comercializadores em mercado livre também virem a subir as tarifas no próximo ano, Miguel Stilwell não quis falar "pelos outros", mas considerou que "qualquer empresa racional, face ao aumento de 24% dos custos da energia, terá que refletir nos preços".


Em Outubro de 2017, a EDP Comercial era o principal operador no mercado livre de electricidade em número de clientes (84% do total de clientes) e em consumos (cerca de 43% dos fornecimentos no mercado livre).


Na sequência deste aumento, que começou a ser comunicado aos clientes na quarta-feira, o Governo solicitou à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) informação e análise sobre a existência de empresas em mercado livre a aumentar preços da electricidade "em outras componentes que não a do custo unitário de energia".

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava após ter ouvido cantar as Janeiras, em Dia de Reis, foi também questionado sobre a notícia do jornal 'online' Observador de que o ministro das Finanças pediu bilhetes ao Benfica para assistir a um jogo de futebol na bancada presidencial, mas recusou comentar este caso.


Interrogado sobre se vê razões para polémica nesse pedido do ministro Mário Centeno, o chefe de Estado disse: "Eu não vou comentar agora casos avulsos dessa natureza".


Questionado sobre se considera que os responsáveis políticos devem ter este tipo de benesses, respondeu: "Não vou comentar uma matéria que, primeiro, é pontual, e relativamente à qual não tenho dados, de facto, para poder comentar".


O Observador noticiou na sexta-feira que Mário Centeno "pediu lugares para si e para o filho para o Benfica-Porto da época passada", disputado no dia 1 de Abril de 2017, referindo que o gabinete do ministro das Finanças confirmou esse pedido de "dois lugares para a bancada presidencial" e justificou-o com razões de segurança.


"O pedido, apurou o Observador, foi feito através do assessor diplomático do ministro das Finanças e incluía um segundo lugar naquela bancada, que seria para o filho de Centeno, um pedido que pode configurar recebimento indevido de vantagem ou colidir com o Código de Conduta do Governo", lê-se na notícia.


Segundo um esclarecimento do gabinete de Mário Centeno, "a notoriedade pública" do ministro "coloca exigências à sua participação em eventos públicos como jogos de futebol no que concerne a garantir a sua segurança pessoal" e "foi neste contexto que foram solicitados dois acessos" à bancada presidencial do estádio do Benfica para o jogo de 1 de Abril de 2017.