Finanças Públicas Marcelo espera melhoria no rating de Portugal em Setembro

Marcelo espera melhoria no rating de Portugal em Setembro

O Chefe de Estado citou conversas com responsáveis financeiros internacionais que antecipam que se a situação continuar a evoluir favoravelmente, S&P, Moody's e Fitch podem rever a sua avaliação dentro de três meses.
Marcelo espera melhoria no rating de Portugal em Setembro
Paulo Duarte/Negócios
Paulo Zacarias Gomes 30 de maio de 2017 às 15:25

O Presidente da República espera que, se a situação económica do país continuar a melhorar, as agências de rating possam "reconhecer" a evolução de Portugal "a partir de Setembro."

Em declarações aos jornalistas à saída do hospital Garcia de Orta em Almada, transmitidas pela RTP 3, Marcelo Rebelo de Sousa recordava conversas tidas ontem nas Conferências do Estoril com responsáveis internacionais financeiros, que apontaram aquela data.

"Vários deles diziam - para não dizer todos - que esperavam que viesse a ser reconhecido pelas agências de ‘rating’, em particular por aquelas que têm a notação mais baixa. Vamos ver se isto ocorre a partir de Setembro, se a evolução continuar a ser aquela que tem sido – estamos agora no princípio de Junho. Se for assim, até Setembro parece justo," afirmou o Chefe de Estado.

Primeiro a saída do PDE. Agora a melhoria do "rating"? 

Na última semana, desde que a Comissão Europeia propôs a saída de Portugal do Procedimento dos Défices Excessivos (PDE), a possibilidade de melhoria do "rating" soberano de Portugal tem vindo a ser colocada por vários responsáveis políticos.

Ainda esta terça-feira, horas antes de Marcelo Rebelo de Sousa falar aos jornalistas, o primeiro-ministro António Costa, no final da cimeira entre Portugal e Espanha que decorreu entre segunda-feira e hoje em Vila Real, dizia fazer "pouco sentido" manter o ‘rating’ português em 2017 nos mesmos valores de 2011.

"É manifesto que a situação hoje em Portugal é muito diferente da situação de 2011. Manter a avaliação do 'rating' hoje como se nada tivesse acontecido desde 2011 faz pouco sentido", disse o chefe do Governo, citado pela Lusa. "Estou confiante que [as agências] melhorem em breve as suas avaliações", reforçara antes o primeiro-ministro, em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, citada pela Reuters.

Também esta manhã, e a partir de Bruxelas, chegava outra voz favorável à mudança: o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, que defendeu que o desempenho económico de Portugal merece também uma avaliação mais positiva por parte das agências de notação financeira.

"Quando o desempenho macroeconómico melhora (...) não será ilógico que aqueles que avaliam a economia portuguesa se dêem conta de que os riscos não podem ser olhados hoje com os óculos de ontem, e que há boas razões de confiar mais em Portugal hoje, o que não era o caso no passado", disse o comissário perante a comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu, em Bruxelas, também citado pela Lusa.

Centeno também apontava para após o Verão

O "timing" de revisão do "rating" hoje apontado pelo Presidente da República coincide com o já avançado pelo ministro das Finanças. Mário Centeno, na sexta-feira passada, mostrou-se confiante de que as agências de "rating" vão retirar Portugal do nível de "lixo" depois do fim do Verão, enquanto Caldeira Cabral, o titular da pasta da Economia, aposta "ainda neste ou no próximo ano."

A Fitch (BB+ com perspectiva estável, a um patamar de sair do grau de investimento especulativo) deverá actualizar a sua notação a 16 de Junho. A 1 de Setembro poderá ser a vez de a Moody’s (Ba1 e também com "outlook" estável) rever o "rating", enquanto a 15 do mesmo mês cabe à Standard & Poor’s (BB+ com perspectiva estável) falar sobre Portugal.

Das quatro agências que classificam a dívida, a canadiana DBRS é a única a considerar Portugal com grau de investimento, facto que permite ao país continuar a ser elegível para o programa de compra de dívida do Banco Central Europeu.

Sem prenunciar saídas em breve de Portugal do grau de não investimento, ou lixo, a Moody's afirma que a saída do PDE terá um "impacto positivo" na confiança dos investidores, ao passo que a Fitch diz que aquele facto sublinha o "fortalecimento da situação orçamental do país" depois do programa de ajustamento.

(Notícia actualizada às 15:42 com mais informação)




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mais votado Anónimo 31.05.2017

Em comparação com Marcelo e o seu governo das esquerdas unidas, Obama foi um fanático ultra neoliberal: "Job shifts under Obama: Fewer government workers, more caregivers, servers and temps" www.pewresearch.org/fact-tank/2015/01/14/job-shifts-under-obama-fewer-government-workers-more-caregivers-servers-and-temps/

comentários mais recentes
Anónimo 01.06.2017

Que saudades de Passos Coelho de PSD, de CDS, era ver o desemprego sempre a subir, subir, subir, os cortes nos direitos sociais sempre a subir, Subir, SUBIR, que saudades daquele tempo que se via o Telejornal a Tremer, tremer, TREMER.
Este ano voltamos a ter subsídios de Férias e de Natal, certa ?

Anónimo 31.05.2017

Ó Marcelo, o que tu queres são votos, likes e dar palmadinhas nas costas. Vai enganar outro. O excedentarismo dá-te votos, as pensões de reforma que dão tudo hoje e nada amanhã dão-te likes e as palmadinhas nas costas dos pobrezinhos e esquecidos é o que melhor sabes fazer sem contudo solucionares de modo inteligente, justo e sustentável o que quer que seja.

Anónimo 31.05.2017

Em comparação com Marcelo e o seu governo das esquerdas unidas, Obama foi um fanático ultra neoliberal: "Job shifts under Obama: Fewer government workers, more caregivers, servers and temps" www.pewresearch.org/fact-tank/2015/01/14/job-shifts-under-obama-fewer-government-workers-more-caregivers-servers-and-temps/

Anónimo 31.05.2017

Ao contrário da situação nos países ricos e desenvolvidos, o excedentarismo em países atrasados, cheios de pobreza, miséria e subdesenvolvimento, como na África Subsariana, é desprezável, ou um mal necessário, na medida em que como não existe um sistema público de segurança social nem outras estruturas do Estado de Bem-Estar Social, o excedentarismo acaba por cumprir, ainda que parcialmente e de forma muito limitada, as mais fundamentais e estruturantes funções sociais dos Estados de Bem-Estar Social já bem estabelecidos no Primeiro Mundo. No Primeiro Mundo, onde existem condições para criar valor do mais elevado quilate, mesmo com escassez de recursos naturais, o excedentarismo, nas organizações públicas e privadas, é um cancro económico e social que extrai valor do Estado, incluindo o Estado Social, da economia e da sociedade, tendo por isso que ser combatido sem piedade, a par com os flagelos da corrupção política, do compadrio e demais formas de cleptocracia instituída.

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